sexta-feira, 28 de março de 2025

A ditadura mata

 



A ditadura não apenas mata pessoas, mas também os alicerces de uma sociedade humana. 

Aqueles que negam esta verdade incontestável demonstram uma profunda falta de conhecimento, seja por ignorância, ingenuidade ou, mais grave ainda, por uma falha moral intrínseca.


Clamar por intervenção militar é, em essência, defender a supremacia da força bruta sobre a razão e o diálogo

Embora sejamos seres dotados de intelecto, não podemos ignorar que ainda carregamos em nosso âmago vestígios hereditários de um passado primitivo, onde a lei do mais forte imperava e a sobrevivência dependia da capacidade de dominar pela força.


No entanto, como sociedade, estamos em constante evolução, desejando um estado de maior Humanidade. 

Gradualmente, compreendemos que o verdadeiro progresso não reside na subjugação do outro, mas na cooperação mútua. 

A vitória obtida à custa do sofrimento alheio é, na realidade, uma derrota coletiva a longo prazo.


Independentemente das convicções pessoais ou crenças, nenhuma ideologia que endosse a barbárie poderá prosperar ou se sustentar. 

A humanidade, em sua jornada rumo ao futuro, não sobreviverá a si mesma se persistir na ilusão de que a solução para seus problemas reside no poder destrutivo das armas.


É imperativo buscar caminhos de entendimento, diálogo e construção coletiva, rejeitando veementemente qualquer retrocesso a métodos autoritários e violentos. 

Somente assim poderemos conquistar um futuro promissor para as gerações futuras.


Montanari 28/05/2025

28/03/2025

quinta-feira, 27 de março de 2025

"Em vez de chorar, caia na realidade"



 "Em vez de chorar, caia na realidade" - esta frase ressoa como um chamado à lucidez em meio ao turbilhão de enganos e auto-ilusões que cercam certas figuras públicas de nosso tempo.


Imagine um líder que se apresenta como um farol de virtude, mas cujas ações lançam sombras longas e escuras sobre aqueles que o seguem cegamente. Este indivíduo, dotado de uma habilidade quase sobrenatural para manipular a verdade, tece uma teia de narrativas onde sempre se coloca como vítima, nunca como responsável.


Seus seguidores, embevecidos por promessas vazias e retórica inflamada, ignoram os sinais de alerta. Enquanto isso, o mestre da manipulação dança entre meias-verdades e mentiras descaradas, sempre um passo à frente das consequências de seus atos.


Quando confrontado com evidências de suas falhas, este líder não hesita em apontar dedos acusadores para aliados e adversários alike. Sua suposta devoção a princípios elevados e fé inabalável servem apenas como uma fachada conveniente, por trás da qual se escondem ambições mesquinhas e um desprezo fundamental pela verdade.


O verdadeiro custo dessa farsa não recai sobre o arquiteto da decepção, mas sobre aqueles que depositaram nele sua confiança. Famílias são divididas, carreiras arruinadas e vidas destroçadas no altar de uma lealdade mal direcionada.


Portanto, a todos aqueles que ainda se agarram às ilusões propagadas por este falso profeta, ecoa o conselho: "Em vez de chorar, caia na realidade". É hora de abrir os olhos, confrontar a verdade por mais dolorosa que seja, e reconstruir sobre alicerces mais sólidos que mentiras reconfortantes e falsa vitimização.


A jornada para a clareza pode ser árdua, mas é infinitamente preferível a permanecer preso em um labirinto de enganos. Só enfrentando a realidade, por mais dura que seja, podemos esperar criar um futuro baseado em integridade e responsabilidade genuínas.

Montanari 27/03/2025

sábado, 22 de março de 2025

Viver



Vive plenamente quem se liberta,

Explorando novos caminhos a cada amanhecer.

Quem experimenta o desconhecido,

Veste-se de cores ousadas,

E estabelece diálogos com estranhos.


Vive plenamente quem escreve sua própria história,

Sem roteiros pré-definidos.


Vive plenamente quem abraça paixões,

Preferindo o turbilhão de emoções

Ao silêncio monótono solidão.

Quem faz os olhos brilharem,

Transforma bocejos em sorrisos,

E deixa o coração dançar descompassado.


Vive plenamente quem ousa mudar,

Perseguindo sonhos além do horizonte.

Quem ignora conselhos sensatos,

Ao menos uma vez,

Para ouvir os apelos do coração.


Vive plenamente quem viaja,

Quem mergulha em livros,

Quem se embala em melodias,

E encontra graça no próprio reflexo.


Vive plenamente quem nutre o amor-próprio,

E aceita mãos estendidas em apoio.


Vive plenamente quem celebra cada instante,

Encontrando beleza até nas gotas da chuva.


Vive plenamente quem abraça o novo,

Questiona o desconhecido,

E compartilha sabedoria sem reservas.


Vive plenamente quem celebra a vida em sua plenitude,

Consciente de que viver

É mais que apenas respirar.

É um ato de coragem e alegria.


Montanari 22/03/2025

segunda-feira, 17 de março de 2025

Contradição do homem moderno


No ambiente digital, suas vozes se elevam

Em debates inflamados sobre política

Enquanto que nas reflexões sobre sua vida interior 

Silêncio, negligencia, esquecimento


O indivíduo soldado de causas alheias

Repete slogans com lemas vazios

Fugindo da realidade em que se encontra

Pela fragilidade de seu poder de introspecção


Nietzsche advertiu sobre este perigo

O abandono do autoconhecimento

Em prol de opiniões emprestadas

Que oferecem conforto ilusório


Na sociedade do espetáculo político

O engajamento se torna sentimento de poder.

A consciência crítica, uma miragem

Alimentada por algoritmos frios


O homem moderno, bombado

Na esfera pública que o consome

Atrofia-se em sua essência íntima

Perdido entre causas e hashtags


Que tristeza ver o ser humano

Tão distante de si mesmo

Trocando a busca interior

Pelo palco efêmero do mundo externo


Montanari

17/03/2025

domingo, 9 de março de 2025

A Filha de Elysium, Silenciada



Elysium" é um termo da mitologia grega que se refere ao paraíso, um lugar de felicidade eterna. 

"Filha de Elysium” mencionada na letra da 9a sinfonia de Beethoven é uma forma poética de dizer que a Alegria vem do paraíso, que é uma dádiva divina.

A escolha desse poema por Beethoven reflete o idealismo da época, com sua crença no progresso da humanidade e na possibilidade de um futuro mais justo e capaz de unir a humanidade, celebrando assim essa Alegria como um ideal a ser alcançado.

Eu sinceramente, muitas vezes, acabo acreditando que o sonho de Beethoven ecoa vazio em nossos tempos sombrios. 

A Alegria, outrora celebrada como dádiva divina, jaz esquecida nas ruínas das aspirações dos detentores de poder.

A humanidade, longe de alcançar o ideal utópico, afunda-se cada vez mais em um abismo de desigualdade e sofrimento.

Guerras intermináveis devastam nações, motivadas por ganância e ódio. Crianças definham de fome enquanto uma elite acumula riquezas obscenas. A injustiça social não é uma anomalia, mas o status quo de nossa era. 

O paraíso prometido de Elysium revela-se um reflexo cruel, fora de alcance.

A Filha de Elysium, se um dia existiu, está morrendo. 

Seu corpo jaz preso sob as cinzas de nossos conflitos, seus gritos de alegria sufocados pelo clamor da guerra e da miséria. O idealismo de Beethoven, belo em sua concepção, prova-se trágico em sua ingenuidade.

Por isso, me afasto das noticias trágicas televisivas, das pessoas que admiram Trump, Elon Musk, Bolsonaro, daqueles que defendem a intervenção militar, fanáticos religiosos…

A humanidade, em sua marcha inexorável, não caminha em direção à luz, mas se afasta dela. A sinfonia da vida, outrora harmoniosa na imaginação do compositor, tornou-se uma cacofonia de lamentos e desespero. 

A Alegria, longe de unir a humanidade, tornou-se um privilégio dos poucos, negada à vasta maioria.

O que posso fazer, nestes anos que vida que ainda me restam, além de ouvir música, caminhar e tentar fazer algum ruído expondo minha visão de mundo?

Montanari 10/03/2025


sexta-feira, 7 de março de 2025

Existir e Viver: Uma Reflexão Profunda sobre a Essência da Vida

A dicotomia entre existir e viver é uma questão fundamental que permeia a experiência humana desde os primórdios da filosofia. Enquanto todos os seres vivos existem, apenas os humanos têm o potencial de transcender a mera existência e alcançar uma vida plena e significativa. Esta distinção crucial entre simplesmente estar no mundo e verdadeiramente vivê-lo merece uma reflexão profunda.


Os animais, em sua simplicidade instintiva, existem. Eles respiram, se alimentam, se reproduzem e seguem os ditames de sua natureza sem questionamentos. Os seres humanos, por outro lado, são dotados de consciência e livre-arbítrio, o que nos confere tanto o privilégio quanto o fardo de escolher como queremos viver. Infelizmente, muitos se contentam com uma existência superficial, sem jamais explorar as profundezas do que significa estar verdadeiramente vivo.


Viver plenamente é um desafio multifacetado que exige um compromisso contínuo com o crescimento pessoal e a autorreflexão. Como Sócrates sabiamente aconselhou, "Conhece-te a ti mesmo" é o primeiro passo nesta jornada. Este autoconhecimento requer coragem para enfrentar nossas verdades internas, nossas sombras e potencialidades, um processo que pode ser doloroso, mas invariavelmente enriquecedor.


A vida plena demanda o cultivo da sensibilidade estética e emocional. É preciso desenvolver a capacidade de perceber e apreciar a beleza que nos cerca, seja na natureza, na arte ou nas relações humanas. A música, que considerado a mais nobre criação do homem, tem o poder de elevar o espírito e conectar-nos com dimensões transcendentes da experiência humana.


Em um mundo cada vez mais complexo e repleto de fake news, viver conscientemente requer o desenvolvimento do pensamento crítico. É necessário resistir ao "efeito manada", questionando crenças arraigadas e examinando cuidadosamente as informações que recebemos. Numa era de desinformação, fanatismo e manipulação midiática, a capacidade de discernir a verdade torna-se uma habilidade essencial para uma vida autêntica.


O amadurecimento interior nos liberta gradualmente da dependência excessiva do mundo exterior. À medida que nos conhecemos melhor e nos tornamos mais seguros de quem somos, diminui a necessidade de validação externa e de preencher vazios emocionais com interações sociais superficiais. Esta autonomia emocional nos permite estabelecer relações mais genuínas e significativas.


Viver plenamente implica reconhecer a vida como um milagre efêmero e precioso. A consciência da finitude da existência nos impele a valorizar o presente, o "aqui e agora", pois é nele que a vida verdadeiramente acontece. Sabendo da não existência de uma vida após a morte, torna-se imperativo criar nosso próprio "paraíso" neste mundo, através de ações éticas e da prática do bem.


Em última análise, a diferença entre existir e viver reside na qualidade da consciência e na profundidade com que nos engajamos com a vida. Viver plenamente é um ato de coragem, um compromisso com o crescimento contínuo e uma abertura para as maravilhas e desafios que a existência nos apresenta. É um convite para transcender o ordinário e explorar as dimensões mais ricas e significativas do ser humano.


Assim, não basta meramente existir. Somos chamados a viver – intensamente, conscientemente e com propósito. Esta é a verdadeira aventura da vida humana, um chamado para realizar nosso potencial mais elevado e deixar uma marca positiva no mundo durante nossa breve passagem por ele.


Montanari 07/03/2025


quarta-feira, 5 de março de 2025

Mendigos x Pets

 


Nas ruas frias e sombrias da cidade, um contraste gritante se revela. Enquanto pessoas sem-teto se encolhem em cantos escuros, buscando abrigo e comida, cães de raça desfilam em coleiras de couro e roupas de grife.

Muitos gastam fortunas em spas para pets, brinquedos caros e rações gourmet. Ao mesmo tempo, ignoram completamente o pedido silencioso de ajuda nos olhos cansados dos moradores de rua. ONGs que lutam para oferecer um mínimo de dignidade aos mais necessitados mendigam por doações, enquanto clínicas veterinárias de luxo prosperam.

O som das moedas caindo em potes de gorjeta é cada vez mais raro, mas o tilintar de guizos em coleiras de diamantes ecoa pelos parques. Sacolas de compras cheias de guloseimas para animais passam rente a mãos estendidas e vazias, que imploram por um simples sanduíche.

Que inversão cruel de valores testemunhamos! O ser humano, outrora considerado o ápice da criação, agora vale menos que um animal de estimação aos olhos de muitos. A compaixão, antes direcionada aos nossos semelhantes, agora se limita a criaturas peludas e de quatro patas.

Enquanto pets são tratados como realeza, seres humanos definham nas calçadas, invisíveis e esquecidos. Esta é a dura realidade de um mundo onde a empatia se tornou seletiva, e o valor da vida humana foi drasticamente reduzido

domingo, 2 de março de 2025

Por que não gosto do Carnaval?

 


O efeito manada no Carnaval é um fenômeno fascinante que ilustra a complexa interação entre psicologia social, cultura e comportamento humano. Durante esta festividade, observamos uma amplificação notável desse efeito, onde indivíduos tendem a adotar comportamentos, atitudes e até mesmo emoções do grupo ao seu redor, muitas vezes de forma inconsciente.


No contexto carnavalesco, o efeito manada se manifesta de diversas formas. A efervescência coletiva, conceito proposto pelo sociólogo Émile Durkheim, é particularmente evidente. As pessoas se deixam levar pela energia contagiante das multidões, dançando, cantando e celebrando em uníssono. Este comportamento sincronizado não apenas reforça o sentimento de pertencimento, mas também intensifica as emoções individuais, criando uma experiência quase transcendental de união com o coletivo.


Ademais, o Carnaval proporciona um ambiente único onde as normas sociais cotidianas são temporariamente suspensas ou invertidas. Este estado de "liminaridade", como descrito pelo antropólogo Victor Turner, facilita a adoção de comportamentos que, em outros contextos, seriam considerados inadequados ou fora do padrão. A desinibição generalizada, muitas vezes potencializada pelo consumo de álcool, diminui as barreiras individuais e aumenta a susceptibilidade à influência do grupo.


O efeito manada durante o Carnaval também se manifesta nas escolhas estéticas, uso de fantasias e comportamentais. Este fenômeno ilustra como a necessidade de aceitação social e o medo do ostracismo podem influenciar decisões aparentemente triviais, mas que carregam um peso simbólico significativo no contexto da festa.


É importante notar que o efeito manada no Carnaval não é intrinsecamente negativo. Ele pode promover coesão social, facilitar a expressão cultural coletiva e proporcionar uma válvula de escape para tensões sociais acumuladas. No entanto, também pode levar a comportamentos de risco, decisões impulsivas e, em casos extremos, situações de pânico coletivo.


Concluindo, a susceptibilidade variável ao efeito manada entre os indivíduos pode ser atribuída a uma combinação de fatores psicológicos, sociais e neurobiológicos. Algumas pessoas são mais vulneráveis a este fenômeno devido a:


1. Baixa autoestima ou insegurança: Indivíduos que buscam constantemente aprovação externa tendem a ser mais influenciados pelo comportamento do grupo.


2. Necessidade de pertencimento: Aqueles com um forte desejo de aceitação social são mais propensos a adotar comportamentos coletivos.


3. Traços de personalidade: Pessoas com alta extroversão ou baixo neuroticismo podem ser mais receptivas à energia do grupo.


4. Experiências passadas: Indivíduos com histórico de experiências positivas em ambientes de grupo podem ser mais propensos a se deixar levar pelo efeito manada.


5. Fatores cognitivos: A capacidade de pensamento crítico e a resistência à pressão social variam entre os indivíduos, influenciando sua susceptibilidade.


6. Contexto cultural: Pessoas de culturas mais coletivistas podem ser naturalmente mais inclinadas a adotar comportamentos de grupo.


7. Estado emocional: Estresse, ansiedade ou euforia podem aumentar a vulnerabilidade ao efeito manada.


Compreender esses fatores não apenas nos ajuda a entender melhor o comportamento humano, mas também nos permite refletir sobre nossas próprias tendências e desenvolver uma maior consciência de nossas ações em contextos coletivos.