segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

“Uma vez Peregrino…”

 


A chave gira, a porta se abre,

Mas o lar já não é mais o mesmo.

Tudo está lá, imutável na aparência,

Mas o peregrino em mim segue caminhando.


Não são só nas lembranças de vilas distantes,

Ou rostos que se tornaram família.

É o Caminho que persiste, invisível,

Remodelando a paisagem da minha mente.


Novas trilhas surgem dentro de mim,

Muito além do último passo em Santiago.

Nas folhas que caem, no canto dos pássaros,

Descubro a continuidade da peregrinação.


Meu ritual permanece no andar mais lento,

Na respiração mais profunda, no silêncio acolhedor.

Menos se torna mais, e o conforto nasce

Da certeza de que continuo carregando o essencial.


O Caminho me ensinou a ser peregrino

Na banalidade do cotidiano.

A sabedoria essencial sussurra pra mim:

O necessário não pesa, o propósito guia.


Nunca retornei completamente do Caminho,

Ele se tornou o norte no meu coração inquieto.

Suavemente me orienta para o que importa,

E a cada amanhecer, descubro: o Caminho é aqui e agora.

Montanari