A chave gira, a porta se abre,
Mas o lar já não é mais o mesmo.
Tudo está lá, imutável na aparência,
Mas o peregrino em mim segue caminhando.
Não são só nas lembranças de vilas distantes,
Ou rostos que se tornaram família.
É o Caminho que persiste, invisível,
Remodelando a paisagem da minha mente.
Novas trilhas surgem dentro de mim,
Muito além do último passo em Santiago.
Nas folhas que caem, no canto dos pássaros,
Descubro a continuidade da peregrinação.
Meu ritual permanece no andar mais lento,
Na respiração mais profunda, no silêncio acolhedor.
Menos se torna mais, e o conforto nasce
Da certeza de que continuo carregando o essencial.
O Caminho me ensinou a ser peregrino
Na banalidade do cotidiano.
A sabedoria essencial sussurra pra mim:
O necessário não pesa, o propósito guia.
Nunca retornei completamente do Caminho,
Ele se tornou o norte no meu coração inquieto.
Suavemente me orienta para o que importa,
E a cada amanhecer, descubro: o Caminho é aqui e agora.
Montanari