quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

3.4 - Eu, Nietzsche e Epicuro no Caminho

 


Pés cansados, alma inquieta, sigo a estrada para Santiago,

Buscando não um destino, mas o significado da própria busca.

Epicuro sussurra em meu ouvido sobre o prazer simples e consciente,

Enquanto Nietzsche grita para que eu abrace meu destino fatídico.


Felicidade! Uma busca tão antiga quanto o primeiro fôlego do homem,

Tão efêmera quanto a última gota do orvalho da manhã.

Não a encontro na superficialidade de meros deleites,

Mas na cadência profunda de cada passo embalado pela música.


"Torna-se quem você é", a voz do filósofo me lembra,

E eu, um peregrino de mim mesmo, sigo sempre adiante,

Ultrapassando fronteiras, criando sentido ativamente,

No vazio absurdo de um universo indiferente.


"Amor Fati!" Amo cada bolha em meu pé, cada pedra no caminho,

Pois elas me moldam, elas me tornam quem devo ser.

Nesta jornada que é uma metáfora para a própria vida,

Onde o importante não é chegar, mas tornar-se.


Sou um indivíduo, mas sou também o coletivo,

Epicuro me lembra da importância dos laços pessoais.

Estamos todos entrelaçados nesta teia cósmica,

Onde cada ação consciente se expande para a eternidade.


O Caminho de Santiago é muito mais que uma simples rota!

É a própria existência, condensada em passos medidos.

Tem começo, fim, dor e alegria,

E seu significado pleno? Somente quem o percorre pode atribuir.


Sigo em frente, abraçando cada momento,

Incondicionalmente, como Nietzsche fervorosamente pregaria,

Pois esta jornada, este instante, esta dor, esta alegria,

São tudo o que possuo, são tudo o que sou.


E assim, entre Epicuro e Nietzsche, entre o "eu" e o "nós",

Caminho rumo a Santiago, caminho rumo ao meu verdadeiro eu,

Buscando não a chegada, mas a transformação radical,

Pois, no fim, o Caminho sou eu, e eu sou o Caminho.

Setembro de 2025