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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Sonho ou Delírio

 cap 1: O Despertar no Abrigo das Sombras



O ar das montanhas de Minas Gerais sempre teve um peso diferente. Naquela noite, na velha casa de campo da família, o silêncio da cidadezinha do interior era tão profundo que eu podia ouvir o tique-taque do relógio na sala de estar, marcando um tempo que parecia não ter pressa. Mas, assim que fechei os olhos, a calmaria mineira foi engolida por uma lucidez perturbadora.

Eu não estava mais em Minas. Eu estava em 2085.

No sonho, eu tinha 92 anos. Sentia o peso de quase um século nos meus ossos, mas minha mente ardia com uma clareza cruel. Eu estava sentado em uma poltrona de metal frio em um abrigo para idosos. Uma enfermeira, cujos olhos demonstravam uma fadiga acumulada, verificava meus sinais vitais.

— Você está inquieto hoje, Sr. Luiz — disse ela, ajustando um monitor de hidratação no meu pulso.

— É o mundo, Clara — respondi, minha voz saindo como um sussurro seco. — Eu me lembro de quando a comida não era uma questão de estratégia militar.

Naquela realidade surreal, eu descrevia a ela como tudo começou a desmoronar décadas atrás. Eu via, como em um filme de terror projetado nas paredes do abrigo, as imagens que o mundo de 2024 já começava a desenhar, mas que nós preferimos ignorar.

Falei sobre o Rio Grande do Sul, no Brasil, onde as águas de 2024 não apenas levaram casas, mas afogaram o celeiro de arroz do país, mostrando que a abundância era um castelo de areia. Lembrei das secas históricas no Vietnã e na Tailândia, onde o sal marinho invadiu os deltas, transformando plantações de arroz em desertos brancos.

"A natureza não parou de produzir," eu disse à enfermeira, "ela apenas mudou as regras. E nós não tínhamos um plano B."

No sonho, a lógica era implacável:

  • Onde antes havia chuva regular, agora havia monções devastadoras ou desertos expandidos.
  • O trigo, a soja e o milho tornaram-se commodities de luxo. Nos países em desenvolvimento, o que antes era uma compra de rotina no mercado tornou-se uma escolha trágica entre comer ou pagar o aluguel.
  • Vi nações fechando fronteiras não para pessoas, mas para grãos. O protecionismo alimentar transformou vizinhos em inimigos.

Acordei sobressaltado. O sol de Minas ainda não tocava, e o cheiro de terra úmida da horta lá fora era real, mas meu coração ainda batia no ritmo acelerado do abrigo de 2085.

Foi um Sonho ou um Delírio? Ou seria uma memória de um futuro que ainda podemos evitar?

A sensação de lucidez aos 92 anos no sonho me deixou um aviso amargo: a maior tragédia da crise climática não é a falta de tecnologia para resolvê-la, mas a clareza de quem vê o desastre chegando e não consegue convencer os outros a mudar o curso.

Naquela manhã, o café mineiro tinha um gosto de despedida. Eu sabia que precisava registrar cada detalhe. O mundo estava mudando, e o estômago da humanidade era o primeiro a sentir o golpe.

domingo, 9 de março de 2025

A Filha de Elysium, Silenciada



Elysium" é um termo da mitologia grega que se refere ao paraíso, um lugar de felicidade eterna. 

"Filha de Elysium” mencionada na letra da 9a sinfonia de Beethoven é uma forma poética de dizer que a Alegria vem do paraíso, que é uma dádiva divina.

A escolha desse poema por Beethoven reflete o idealismo da época, com sua crença no progresso da humanidade e na possibilidade de um futuro mais justo e capaz de unir a humanidade, celebrando assim essa Alegria como um ideal a ser alcançado.

Eu sinceramente, muitas vezes, acabo acreditando que o sonho de Beethoven ecoa vazio em nossos tempos sombrios. 

A Alegria, outrora celebrada como dádiva divina, jaz esquecida nas ruínas das aspirações dos detentores de poder.

A humanidade, longe de alcançar o ideal utópico, afunda-se cada vez mais em um abismo de desigualdade e sofrimento.

Guerras intermináveis devastam nações, motivadas por ganância e ódio. Crianças definham de fome enquanto uma elite acumula riquezas obscenas. A injustiça social não é uma anomalia, mas o status quo de nossa era. 

O paraíso prometido de Elysium revela-se um reflexo cruel, fora de alcance.

A Filha de Elysium, se um dia existiu, está morrendo. 

Seu corpo jaz preso sob as cinzas de nossos conflitos, seus gritos de alegria sufocados pelo clamor da guerra e da miséria. O idealismo de Beethoven, belo em sua concepção, prova-se trágico em sua ingenuidade.

Por isso, me afasto das noticias trágicas televisivas, das pessoas que admiram Trump, Elon Musk, Bolsonaro, daqueles que defendem a intervenção militar, fanáticos religiosos…

A humanidade, em sua marcha inexorável, não caminha em direção à luz, mas se afasta dela. A sinfonia da vida, outrora harmoniosa na imaginação do compositor, tornou-se uma cacofonia de lamentos e desespero. 

A Alegria, longe de unir a humanidade, tornou-se um privilégio dos poucos, negada à vasta maioria.

O que posso fazer, nestes anos que vida que ainda me restam, além de ouvir música, caminhar e tentar fazer algum ruído expondo minha visão de mundo?

Montanari 10/03/2025


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Futuro

  O Futuro será bem diferente de hoje, isto é inquestionável.



Me pergunto, como será diferente e como nós podemos influenciá-lo?

Sei que tudo o que acontece hoje está moldando o amanhã, por isso, quando me questiono sobre o Futuro duas palavras me vêm a mente: volátil e preocupante.

Por que?

Porque o Futuro está acontecendo agora, a cada instante, e segundo o "Butterfly Effect" qualquer mudança nas condições iniciais pode criar mudanças dramáticas no futuro.

Os sinais de disruptura são cada vez mais evidentes: 

Bolsonaristas fanáticos rezando em frente aos quartéis, adolescentes desvairados disparando contra alunos nas escolas, crescente número de adoradores do nazismo, fanáticos religiosos feminicidas em pleno século XXI, líderes mundiais ameaçando o planeta com armas nucleares, efeitos das mudanças climáticas sendo ignorados por grande parte da população, a cada 4 segundos uma pessoa morre de fome no mundo, aumento da desigualdade social e distribuição da riqueza, devastação da natureza…

O Futuro está sendo construído hoje!

E daí? (Como alguém desprezível diria).

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

Líderes, seguidores, sofrimento e ignorância

 Se existisse o Inferno


Ele seria a morada eterna

De Bolsonaro, de muitos bolsonaristas,

de negacionistas complacentes e insensíveis.

Se existisse um Deus misericordioso…

Se existisse um Deus acima de todos, 

Eu não veria todos os dias mendigos dormindo nas ruas,

Crianças não seriam estupradas e mortas e

Nenhuma criança passaria fome!

Tô de saco cheio de posts de

Letrados hipócritas,

Ingenuos ignorantes,

Políticos ridiculamente imorais,

Religiosos coniventes com o status quo.

A ignorância auto serviente impera

E prospera em nosso país. 

Mudar é preciso, difícil, trabalhoso e demorado…

As lideranças deste Brasil não estão cumprindo seu papel.

Minha tristeza é ter consciência que dias piores virão…

Nosso futuro, o futuro da humanidade não será nada fácil.

Educação é a salvação. 

quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Alô Supermercados

 


TODOS OS SUPERMERCADOS deveriam perguntar a seus clientes se aceitam doar 5% do valor de suas compras. 

Caso o cliente aceite, o supermercado acrescentaria o mesmo valor e com o novo montante O SUPERMERCADO DISTRIBUIRIA ALIMENTOS e

ITENS DE PRIMEIRA NECESSIDADE PARA ENTIDADES que cuidam de pessoas carentes. 


Doar é preciso


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

FOME DE BENGALA

 A Fome de Bengala de 1943 que ceifou em torno de 3 milhões de vidas será fichinha perto do que acontecerá, segundo Ludivik, se a Humanidade não se alinhar e combater o aquecimento global.

Nota: Muitos estudos indicam que a política de Churchill foi responsável por estas mortes.




ALGUMAS DAS PREVISÕES DE LUDIVIK:

  • A provável ecocatástrofe, gerada pelas mudanças climáticas,  provocará o aumento da desigualdade social e econômica, a extinção de muitas espécies e o a aumento da pobreza, fome e desnutrição no mundo.


  • O aumento da migração provocará o aumento de conflitos entre nações.


  • Somente uma ação global, coletiva e imediata poderá minorar o desastre que a humanidade enfrentará.


O QUE EU ACHO:

A Humanidade é ainda muito primitiva; está na sua infância; adoradora de ídolos; vive em seus cercadinhos iludida com seu nacionalismo primário; não percebeu o valor da vida; destrói a Natureza como se fosse eterna.

Ludivik é um jovem de 21 anos. Apesar de tudo eu o considero um otimista… Os eventos serão piores do que ele relatou…

https://www.amazon.com.br/dp/B098FBY42V/ref=cm_sw_em_r_mt_dp_CC3GPCJQ0JXJSN7KZKZY

sábado, 10 de agosto de 2019

Crise climática e a Catástrofe Alimentar

Fome, morte, imigração em massa e crise sem precedentes neste século.
A SITUAÇÃO É MUITO MAIS GRAVE DO QUE DIVULGADO!

Quem viver mais 50 anos vivenciará a nova triste realidade.