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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Onde Minha Vida Começou

 


Na quietude solene de uma universidade de prestígio, encontraram-se dois corações jovens.


Ele, da engenharia, percebeu a graça dela no silêncio da biblioteca.

Ela, matemática tímida, trazia nos olhos o brilho da inteligência, e a chama da curiosidade.


Movido por uma coragem impulsionada pelo destino, Ele aproximou-se dela com pretexto:

 “Tenho uma dúvida de álgebra, pode me ajudar?”


Devido aquele instante fugaz, descobriram uma afinidade que ia além de números e equações.

Compartilhavam o gosto pelo cinema, o amor pela música clássica: ela, pianista, embalada por Liszt e Chopin, ele: admirador de Beethoven e Bach.


O afeto floresceu veloz, transformando-se em amor ardente e puro.

Ele só precisou de 6 meses para revelar sua ousadia juvenil,  e brincou sobre casarem escondido e ela, com surpreendente convicção, disse sim.


Em segredo, com a cumplicidade de dois amigos, uniram-se em matrimônio, desafiando convenções e expectativas.

A lua de mel, modesta, foi tecida de romance e aventura, um presente de um amigo jornalista.


Quase dois anos viveram a doçura do amor clandestino,

o segredo da união.

A revelação veio só para o sogro, para evitar desgaste na família


O casamento na igreja, abençoado pelo Vaticano, foi a celebração pública do amor, unindo famílias e amigos em júbilo.

Por vinte e quatro anos e dez meses, o amor floresceu,

dando ao mundo dois filhos adorados.


Embora ela tenha partido prematuramente, vítima de uma doença implacável, o legado do amor permaneceu indelével.

Esta não é uma narrativa de tristeza, mas um testemunho da força do amor verdadeiro.


É uma ode à coragem de dois jovens, unidos pelo destino, que construíram uma vida de felicidade e cumplicidade.


Minha história é a prova de que o amor, em sua forma mais pura e dedicada, supera todo obstáculo, deixando um legado eterno de memórias preciosas e afeto duradouro.

 

09/08/2023

(Data que ela faria 70 anos) 

sábado, 11 de outubro de 2025

Peregrinação de Sangue

 



Meu Brasil, terra de contrastes absurdos

Onde a fé caminha lado a lado com o medo

E a violência corrompe até as mais sagradas peregrinações


Que país é este que a fé é profanada com balas?

A devoção, manchada de sangue.

Ladrões à espreita,

ceifando vida em nome de quê?

Ganância? Ódio?


A Rodovia Dutra,

antes caminho da esperança,

agora palco de horror.

O asfalto,

testemunha silenciosa

da queda de um herói.


O jovem policial,

tomba em romaria.

Não reagiu, diz a esposa.

Apenas deixou visível

o símbolo da sua missão.


A viúva chora,

o país se indigna.

Um legado de dor,

Até quando a barbárie?

Montanari

Obs.: mais de 400 mil pessoas chegam a Aparecida do Norte entre 10 e 12 de Outubro numa gigantesca demonstração de fé. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Ecos de uma Amizade

 


Eu e Motta, ainda jovens fizemos um pacto,

Tão simples quanto o correr do sangue.

Não precisávamos de palavras grandiosas,

Apenas da verdade de estarmos juntos.


Bebíamos cerveja e falávamos de coisas,

Como quem olha o céu e vê nuvens passar.

A música nos embalava, natural como o vento,

Sem precisarmos entender, só sentir.


Pensávamos na velhice como quem pensa no amanhã,

Sem pressa, sem medo, apenas existindo.

A despedida veio como vem a noite,

Inesperada, mas parte do que é real.


Escolhemos músicas para o fim,

Como quem escolhe flores num campo.

Mas a morte não segue nossas listas,

Ela vem como vem a chuva ou o sol.


Meu amigo partiu antes da música tocar,

Como uma folha que cai antes do outono.

Sigo, pois seguir é o que fazemos,

Como o rio que corre sem questionar.


Vivo cada dia como se fosse único,

Não por medo, mas por ser verdade.

A música da vida toca sempre,

Basta estar atento para ouvi-la.


Montanari

Lembrando do nosso acordo de quem adoecesse gravemente primeiro deveria fazer o outro ouvir sua 'música escolhida' para aquele momento final…

Mesmo que estivesse com  Alzheimer ou em coma” e nada lembrasse. 

Ele havia escolhido “Gloria" de Vivaldi e eu  Réquiem de Mozart.  Infelizmente, sua morte repentina não permitiu cumprir minha parte do trato…

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Valor do amanhã

 Eu fui uma criança frágil.



A lembrança mais recorrente da minha infância é ficar doente, de cama, boa parte de minhas férias escolares.

A imagem mais recorrente da minha infância é eu no quarto, adoentado, olhando meus irmão e amigos pela janela jogando futebol no campinho em frente de casa…

…Pagando o preço por ter ficado mais tempo do que deveria na garoa ou frio ou suando no calor jogando bola ou  brincando ao ar livre.

Aos 10 anos, eu já tinha criado um lema para me guiaria o resto de minha vida: “todo excesso será castigado”.

Se eu abusava do meu limite… cama, febre, injeções…

Aprendi desde cedo que o desejado nem sempre é desejável.

Aprendi desde cedo, a duras penas, que “a conta sempre vem”.

Pela dor e tristeza aprendi muito cedo o alto custo que eu pagava por preferir o imediato, sem pensar no amanhã.

Acho que valeu a pena ter descoberto isto muito antes da minha adolescência…

Fazendo uma retrospectiva vejo o alto preço que meus amigos de infância pagaram por ter desfrutado e consumido o futuro antecipadamente… 

A conta sempre vem, e com juros…

Por que estou escrevendo isto?

Dois motivos: 

1-Acabo de ler a seguinte frase de Epicuro:

“É preferível suportar algumas dores determinadas a fim de gozar de prazeres maiores; convém privar-se de alguns prazeres determinados a fim de não sofrer dores mais penosas”.

2-Pelos noticiários vejo o preço que o Brasil está pagando e pagará por Bolsonaro e equipe  não aceitar o que aprendi muito cedo: “Todo excesso será castigado. A conta sempre vem, e com juros”.


É claro, que com 70 anos, estou numa fase da vida que poupar o presente não garante benefícios utilizáveis no futuro. 

Chega uma fase da nossa vida que começamos a pensar como James Dean: 

“Sonhe como se for viver para sempre; viva como se fosse morrer amanhã”. 

Nesta fase a vida, de um sonhador e deslumbrado como eu, é uma sucessão de dias e momentos isolados que devem ser vividos com a máxima alegria e prazer que as limitações naturais permitem…

…Quero continuar viajando, caminhando e ouvindo minhas música…

Perdi amigos que preencheram o seu tempo na 3a idade (ou vazio interior?) trabalhando… Um em particular, um mês antes de morrer, disse que queria conversar comigo para eu dar algumas dicas sobre uma viagem a Europa que pretendia fazer… não teve tempo para nossa conversa…

Como poderia ter dito Guimarães Rosa: 

Vivemos sem saber o que é realmente importante para nós…


segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Futuro

  O Futuro será bem diferente de hoje, isto é inquestionável.



Me pergunto, como será diferente e como nós podemos influenciá-lo?

Sei que tudo o que acontece hoje está moldando o amanhã, por isso, quando me questiono sobre o Futuro duas palavras me vêm a mente: volátil e preocupante.

Por que?

Porque o Futuro está acontecendo agora, a cada instante, e segundo o "Butterfly Effect" qualquer mudança nas condições iniciais pode criar mudanças dramáticas no futuro.

Os sinais de disruptura são cada vez mais evidentes: 

Bolsonaristas fanáticos rezando em frente aos quartéis, adolescentes desvairados disparando contra alunos nas escolas, crescente número de adoradores do nazismo, fanáticos religiosos feminicidas em pleno século XXI, líderes mundiais ameaçando o planeta com armas nucleares, efeitos das mudanças climáticas sendo ignorados por grande parte da população, a cada 4 segundos uma pessoa morre de fome no mundo, aumento da desigualdade social e distribuição da riqueza, devastação da natureza…

O Futuro está sendo construído hoje!

E daí? (Como alguém desprezível diria).

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Aquecimento Mortal


"Se as coisas não começarem a mudar drasticamente, em breve, corremos o risco de comprometer a continuidade da vida no planeta devido ao aquecimento global…

A humanidade não suportará indefinidamente o desperdício e o uso indiscriminado de recursos naturais e humanos…

A eco-catástrofe, gerada pelas mudanças climáticas, provocará o aumento da desigualdade social e econômica, a extinção de muitas espécies e a redução da população.

O aumento da migração provocará (inicialmente) o aumento do conflito entre nações…

Nossas premissas modelam a nossa realidade. 

Aqueles que não acreditam no aquecimento global, nunca aceitarão que a vida no planeta está em risco.

Não adianta entupi-los de gráficos, números e análises técnicas…"

Montanari - O Despertar de Ludivik

"O caminho para o despertar é VER, SENTIR para MUDAR" (J P Kotter - Harvard-O coração da mudança).


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Visita Inesperada

 Ontem, recebi a visita de meu falecido amigo Fernando.

Fiquei surpreso ao vê-lo à porta do meu apto:

“Cara, você não mudou nada!”.

“E você envelheceu pra caralho…e Marlene está ?”

“Não, ela foi levar os pais dela ao médico”

Sem cerimonia foi entrando: 

“Seu apto é legal… pelo jeito foi a Marlene que desenhou nesta parede…”

Na cozinha, abriu algumas gavetas e portas dos armários. Pensei que estava procurando algo,

“Posso te ajudar? Quer tomar uma cerveja?”

“Não. Estou olhando quanto de sua vida está estocada em copos e objetos de decoração…”

“Ah???!!!” 

Nem consegui reagir, e ele continuou caminhando apartamento adentro. 

Abriu a porta do armário do quarto e começou a contar quantas gravatas e paletós eu tinha…

Confesso que fiquei chateado e perguntei o que ele queria.

“Você tem muito tempo da sua vida estocada em coisas. Para que tudo isso?”

“Fernando, eu não estou entendo o que você está querendo dizer”.

“Meu caro Monta, todo bem físico, coisas fúteis ou necessárias que você possui representam tempo da sua vida. Você trocou seu tempo de conhecer, experimentar, viajar, ver e sentir por coisas que estão estocadas em armários, gavetas, sem falar o que está estacionado na garagem… A posse é uma ilusão. O poder é uma ilusão. Eu só entendi isso depois que morri. Deixei tudo para trás… Muito do meu tempo de vida foi acumulado em redundâncias inúteis… Ah se as pessoas entendessem o que significa a vida…”. 

“Fernando, você esqueceu que meu lema é : “Carrego comigo todos meus bens”? E meus bens são meus pensamentos, sentimentos , experiências e vivências”…

 “Então, troque muito destas “coisas redundantes acumuladas" por "bens" ou doe para que não tem nada…”

Ele não disse mais nada. Foi até o escritório, pegou meu livro “O Eu Profundo e Outros Eus” de Fernando Pessoa.

“Lembro que você ganhou este livro em 1975…" e começou a ler em voz alta o “Guardador de Rebanhos”.

De repente toca o despertador do celular. Abro os olhos. O livro de Fernando Pessoa está caído no chão ao lado da cama.


domingo, 22 de maio de 2022

O planeta está morrendo

 O planeta está morrendo


Toda humanidade deveria ver esse video.

Este video foi criado com único propósito de tocar a consciência sobre a conservação do nosso planeta.
Que a INDIFERENÇA não te vença!
COMPARTILHE AGORA MESMO
ainda é tempo.
Titulo original: El Planeta tierra eres tú
Idéia, criação e voz: Carlos Chavira (@carloschaviratv)
Tradução: Jonatan S Silva

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

ELE ESTÁ VIVO…NA MEMÓRIA!

 


Fernando, meu amigo já falecido me apresentou a Thomas Paine.

Meu presente, na despedida final, foi o livro "The Age of Reason" de Paine.  Tenho certeza que ele entendeu o gesto, por saber quanto eu adorava aquele livro…

Talvez, pela idade, sinto saudades de nossas conversas… Confesso que escrevo estas linhas  com lágrimas nos olhos ouvindo “Un Da Sie Die Statte Kamen, trecho do Bach que tanto gostávamos…

Relato para você, (que agora só existe como unidade na minha memória e voltou a ser esparsas moléculas integrantes do Universo), alguns dos trechos que mais geraram discussões acaloradas entre nós. Se lembra?

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1-Um bom professor é mais útil do que cem padres.


2-Não creio no credo professado pela igreja judaica, pela igreja romana, pela igreja grega, pela igreja turca, pela igreja protestante, nem por nenhuma igreja que eu conheça. Minha mente é minha própria igreja.


3-Todas as instituições nacionais de igrejas, sejam judaicas, cristãs ou turcas, parecem-me nada mais do que invenções humanas criadas para aterrorizar e escravizar a humanidade e monopolizar o poder e o lucro.


4-Sempre apoiei vigorosamente o direito de cada homem à sua opinião, por mais diferente que essa opinião possa ser da minha. Aquele que nega a outro este direito, torna-se escravo de sua opinião atual, porque se exclui do direito de mudá-la.


5-É necessário para a felicidade do homem que ele seja mentalmente fiel a si mesmo. 


6-A perseguição não é uma característica original em nenhuma religião; mas é sempre a característica fortemente marcada de todas as religiões estabelecidas por lei.


7-Quer durmamos ou acordemos, o vasto mecanismo do Universo ainda funciona.


8-O personagem de Moisés, conforme declarado na Bíblia, é o mais horrível que pode ser imaginado. Se esses relatos forem verdadeiros, ele foi o desgraçado que primeiro começou e travou guerras por conta ou sob pretexto de religião; e sob essa máscara, ou aquela paixão, cometeu as atrocidades mais incomparáveis que podem ser encontradas na história de qualquer nação.

Ele reza ditatorialmente. Quando sol está quente, ele reza por chuva, e quando chove, ele reza por sol. Ele segue a mesma ideia em tudo que reza. Para o que é todas as suas orações, senão uma tentativa de fazer o Todo-Poderoso mudar sua mente, e agir de outra forma? 

É como se ele dissesse: O Senhor não sabes tão bem como eu.

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Adorávamos o confronto de idéias e tudo terminava em chopp e abraços.

Já não se fazem mais amigos como antigamente…

Feliz aniversário.


sábado, 10 de agosto de 2019

Crise climática e a Catástrofe Alimentar

Fome, morte, imigração em massa e crise sem precedentes neste século.
A SITUAÇÃO É MUITO MAIS GRAVE DO QUE DIVULGADO!

Quem viver mais 50 anos vivenciará a nova triste realidade.





quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Reflexões sobre a Vida e a Morte


Extrato de uma conversa com meu falecido amigo Fernando:

"Nossa Instituição está morrendo.
Infelizmente, muitos de nós não quer acreditar na gravidade da situação.
É o principio do "auto-engano" em ação: sentimos mas não queremos acreditar no que sentimos.

Não estamos vivendo mais uma criseO cenário externo mudou.

Não dá mais para pensar na nossa Instituição olhando para suas qualidades. Posso mencionar dezenas.
Não dá mais para pensar na nossa Instituição olhando para suas deficiências. Posso mencionar dezenas.

Não dá para aceitar que a solução de nossos problemas é de responsabilidade de quem nos criou. Esse momento já passou. 

Estamos entrando em um novo momento das organizações públicas e privadas:  
A era da Efetividade
Nenhuma Instituição ineficiente conseguirá sobreviver.

Alguém em sã  consciência consegue acreditar que daqui a 15 anos estaremos vivos, neste ambiente de mudanças, se nosso modelo mental atual permanecer o mesmo? 

Será possível justificar nossa existência pelo que custamos versus o que oferecemos em troca para a sociedade?

Nenhuma instituição ineficiente sobreviverá neste novo cenário.

Não percebemos a urgência da situação e estamos condenados a definhar e definhar e perder nossa identidade e enfraquecer nossa imagem já desgastada…

O momento de sonhar com nosso crescimento já passou.

Não temos tempo para um novo “me engana que eu gosto”.
Não temos tempo para soluções paliativas, reativas, conservadoras e brigas territoriais.

É preciso reduzir o tamanho, fechar “atividades”, efetuar uma reestruturação radical para reduzir custos.

Prestar serviços de qualidade sem investimentos é impossível. Investir sem uma dolorosa reestruturação  é impossível. 

O QUE ESTAMOS ESPERANDO?
QUE UM MILAGRE ACONTEÇA?
É MELHOR MORRER AOS POUCOS? 

Até quando vamos sobreviver vivendo na decadência? Sem investimentos?  Com atrasos nos pagamentos?

Ou acreditamos que somos responsáveis pela construção da nossa sobrevivência ou morremos procurando um culpado interno e um "salvador da pátria” externo.

A luta pela sobrevivência nunca é indolor.
Sei muito bem o que estou falando”.

Caro Fernando, como sinto falta dos nossos papos…
..
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sábado, 31 de dezembro de 2011

Quando o fim está próximo...


“E ai como vai Monta?”.

“Fernando? Quando tempo cara... o que aconteceu que não mandou mais notícias? Tudo bem por ai? Continua no Maranhão?”

“Não quis te ligar antes de me recuperar do trauma... Há 3 meses fui atropelado por um motorista bêbado... Aqui em São João do Carú também acontece isto! Fiquei internado por quase um mês... quebrei a bacia, duas costelas e tive várias fraturas no braço esquerdo... Estou muito melhor agora, mas praticamente perdi os movimentos do braço e da mão esquerda... Pensei que fosse morrer...”.

“Puxa vida, por que não me ligou? Eu iria te visitar e te ajudar de alguma forma...”.

“Monta, quando o fim está próximo, ou você acredita que está próximo, seu mundo muda... Seus valores ficam estremecidos... O que é importante pra você, deixa de ser importante. O que te motiva a fazer e a acontecer, perde toda a força... De repente, você se torna o Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa... Você sente na pele o significado do que é existir... Todo o resto é pequeno, não tem valor...

Eu comecei a questionar o que fazia aqui, neste fim de mundo, sozinho, tentando ajudar estranhos que nem sabem que precisam de ajuda... Eu é quem precisava de ajuda e não tinha ninguém...

Nessa hora você sente que seus sonhos, adiados pela pressão do dia-a-dia, nunca se realizarão... É uma sensação de frustração indescritível...

Aquele filho da puta bêbado não tinha o direito de mudar o meu mundo!

Eu queria continuar vivendo na ilusão... Eu preferia não saber que o único significado das coisas é que não existe significado algum... É muito melhor acreditar que existe um propósito...

Monta, tô te ligando hoje, neste último dia do ano para te dizer 2 coisas:

1o Quando seu avô dizia ‘carrego comigo todos os meus bens’ ele sabia o que estava falando... eu senti exatamente isto quando estava no hospital... Vou repensar o que fazer com o tempo que me resta...

2o Vou voltar para Itu. Deixei meu trabalho! Na segunda semana de janeiro te ligo pra tomarmos um chopp na pizzaria ao lado da sua casa. Tudo bem?

...Ah, nada mais uma coisa. Hoje vou beber bastante. A meia noite, vou ouvir, no último volume, a abertura de Strauss, Also Sprach Zarathustra. Meu ritual de passagem a la Stanley Kubrick...”.

"FELIZ ANO NOVO!"