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segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Embriagados pela Música


A morte repentina, semana passada, aos 60 anos de meu colega prof. Moacir Xavier da FAECO aflorou lembranças do meu passado… 
Em especial, do meu grande amigo Fernando.
Crescemos juntos. Foram mais de 50 anos…
Quando tínhamos uns 12 anos fizemos um pacto de sangue… cortamos nossos pulsos (na verdade um arranhão dolorido) para “selar com sangue nossa amizade para sempre”.
Seguimos caminhos diferentes, mas nunca perdemos contato e admiração um pelo outro. Tomamos muitas cervejas juntos. Nossos assuntos preferidos eram política, religião e música…
Ele dizia que éramos os únicos que conhecia que ficavam “embriagados pela música”. Não precisámos encher a cara para sentir aquela sensação de êxtase que as pessoas procuram via bebida ou drogas. “Somos privilegiados…”.
Um de nossos últimos encontros foi na Pizzaria Paineiras antes dele se mudar para o Nordeste. (A pizzaria também não existe mais).
Nosso tema: o futuro, nossas “bucket list” (a lista do que se pretende fazer antes de morrer). 
“Somos jovens… a vida começa aos 60… mas, chegou a hora de levar a sério a lista…”.
Achávamos que morreríamos velhos, muito depois dos 80 em alguma cama de hospital… 
Daí surgiu o que deveria ser a última ação das nossas 'listas':
"Quem adoecesse gravemente primeiro deveria fazer o outro ouvir sua 'música escolhida' para aquele momento final. Mesmo que estivesse com  Alzheimer ou em coma". 
Ele havia escolhido “Gloria" de Vivaldi e eu  Réquiem de Mozart.  Infelizmente, sua morte repentina não permitiu cumprir minha parte do trato…
Minha lista está andando… mais um, menos um item da lista… a lista é longa… quanto vou realizar? Não sei… sei que não quero partir com a sensação do “deveria ter feito”.
Infelizmente, o querido prof. Moacir partiu cedo demais… estava envolvido em tantas atividades…  E esta partida antecipada me chocou e faz sentir que a decisão de priorizar minha bucket list esta correta.

Continuo “embrigado" pela música… e escrevo este post ouvindo “Dixie Dominus" de Handel.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Reflexões sobre a Vida e a Morte


Extrato de uma conversa com meu falecido amigo Fernando:

"Nossa Instituição está morrendo.
Infelizmente, muitos de nós não quer acreditar na gravidade da situação.
É o principio do "auto-engano" em ação: sentimos mas não queremos acreditar no que sentimos.

Não estamos vivendo mais uma criseO cenário externo mudou.

Não dá mais para pensar na nossa Instituição olhando para suas qualidades. Posso mencionar dezenas.
Não dá mais para pensar na nossa Instituição olhando para suas deficiências. Posso mencionar dezenas.

Não dá para aceitar que a solução de nossos problemas é de responsabilidade de quem nos criou. Esse momento já passou. 

Estamos entrando em um novo momento das organizações públicas e privadas:  
A era da Efetividade
Nenhuma Instituição ineficiente conseguirá sobreviver.

Alguém em sã  consciência consegue acreditar que daqui a 15 anos estaremos vivos, neste ambiente de mudanças, se nosso modelo mental atual permanecer o mesmo? 

Será possível justificar nossa existência pelo que custamos versus o que oferecemos em troca para a sociedade?

Nenhuma instituição ineficiente sobreviverá neste novo cenário.

Não percebemos a urgência da situação e estamos condenados a definhar e definhar e perder nossa identidade e enfraquecer nossa imagem já desgastada…

O momento de sonhar com nosso crescimento já passou.

Não temos tempo para um novo “me engana que eu gosto”.
Não temos tempo para soluções paliativas, reativas, conservadoras e brigas territoriais.

É preciso reduzir o tamanho, fechar “atividades”, efetuar uma reestruturação radical para reduzir custos.

Prestar serviços de qualidade sem investimentos é impossível. Investir sem uma dolorosa reestruturação  é impossível. 

O QUE ESTAMOS ESPERANDO?
QUE UM MILAGRE ACONTEÇA?
É MELHOR MORRER AOS POUCOS? 

Até quando vamos sobreviver vivendo na decadência? Sem investimentos?  Com atrasos nos pagamentos?

Ou acreditamos que somos responsáveis pela construção da nossa sobrevivência ou morremos procurando um culpado interno e um "salvador da pátria” externo.

A luta pela sobrevivência nunca é indolor.
Sei muito bem o que estou falando”.

Caro Fernando, como sinto falta dos nossos papos…
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