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quarta-feira, 5 de março de 2025

Mendigos x Pets

 


Nas ruas frias e sombrias da cidade, um contraste gritante se revela. Enquanto pessoas sem-teto se encolhem em cantos escuros, buscando abrigo e comida, cães de raça desfilam em coleiras de couro e roupas de grife.

Muitos gastam fortunas em spas para pets, brinquedos caros e rações gourmet. Ao mesmo tempo, ignoram completamente o pedido silencioso de ajuda nos olhos cansados dos moradores de rua. ONGs que lutam para oferecer um mínimo de dignidade aos mais necessitados mendigam por doações, enquanto clínicas veterinárias de luxo prosperam.

O som das moedas caindo em potes de gorjeta é cada vez mais raro, mas o tilintar de guizos em coleiras de diamantes ecoa pelos parques. Sacolas de compras cheias de guloseimas para animais passam rente a mãos estendidas e vazias, que imploram por um simples sanduíche.

Que inversão cruel de valores testemunhamos! O ser humano, outrora considerado o ápice da criação, agora vale menos que um animal de estimação aos olhos de muitos. A compaixão, antes direcionada aos nossos semelhantes, agora se limita a criaturas peludas e de quatro patas.

Enquanto pets são tratados como realeza, seres humanos definham nas calçadas, invisíveis e esquecidos. Esta é a dura realidade de um mundo onde a empatia se tornou seletiva, e o valor da vida humana foi drasticamente reduzido

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Diário de um momento



Diário de um Momento

Este texto é antes de mais nada
a tentativa de descrição
de um momento 
em que acreditei
que mudar era possível…
não só possível 
mas, necessário.

Mudar?
Quem? 
Eu?
Será que devo mudar?

(Silêncio…)
(Silêncio prolongado o bastante pra descobrir… descobrir que…)

Todo processo de mudança começa com uma crença.

É preciso acreditar
para mudar.
Acreditar?
Sim, é preciso acreditar
para mudar,
para realizar,
para criar,
para viver!

(Silêncio).

Será que isto tem algum sentido?

Não sei se a palavra certa é
Acreditar ou Querer…

Acreditar ou Querer ou Sentir?

Sentir?

Sim. É preciso sentir!

Para mudar é preciso
Sentir,
Querer,
Acreditar.

Mudar o que?

Eu ou o que vejo lá fora?

Lembrei de Bias, o filósofo:
Carrego comigo todos os meus bens!

Sou o que vejo,
E o que sinto.
E sinto mais do que vejo.
E o que vejo e o que sinto
São meus…
Carrego comigo.
Minha verdadeira fortuna…

(Silêncio)

Sou pobre, ainda…

Preciso mudar…

Apesar da música…
Apesar de ver o azul…
O azul, o branco, o verde,  o vermelho…
Como é bonito
ver as cores…
sentir a música…

Preciso mudar!
Preciso Querer mais…
preciso Sentir mais…
Para viver.

Mudar e continuar mudando…
Para continuar é preciso mudar…

A bagagem tão leve…
Tão sem história…
Passa desapercebida.

Vupt!
Se foi…
Sem mudança…
Sem reflexão…
Um momento…

O espaço entre os 2 pontos é
um momento, 
um instante tão pequeno, 
tão vazio se não existir mudança…


Minha vida…

obs.:
Este texto foi escrito por mim há uns 40 anos... encontrei perdido num livro dos tempos da faculdade... lendo, entendo o que sou agora e porquê sou como sou... minha visão de mundo daquela época me levou a ser o que sou...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O moleque, o velho e o circo


15 de fevereiro de 2034.

Faz calor em Oeiras. Muito calor, apesar de ser 4 horas da madrugada...

Um dos nossos personagens, um garoto de 12 anos dorme um sono intranqüilo. Menos pela temperatura e mais pela ansiedade da aventura que o espera amanhã: ir a cidade para ver o circo! Afinal, foram meses e meses de espera e de trabalho duro para juntar algum dinheiro. Tudo para realizar este sonho que segundo seu avô, seu único companheiro naquela casa de barro, era uma extravagância.

Moleque, como era chamado, conseguiu juntar 10 R$ em oito meses de trabalho. Quanto esforço! Seu avô estava orgulhoso da determinação do moleque... e não era para menos, com tanto dinheiro o garoto poderia comprar um par de sandálias novas que tanto precisava e ainda sobrava uns trocados para uma rapadura de 2 kilos... mas, não! O garoto insistia que tinha juntado o dinheiro para ir ao circo, comprar pipoca e ver o mágico de Zós...

Naquele momento, nada tinha mais VALOR para ele do que este passeio. “Será que os velhos nunca foram crianças e não sabem que diversão é muito mais importante que sapato e comida?”

Enfim, amanhece. O avô acorda, senta à beira da cama e pensativo passa a observar o neto dormindo... são quase seis horas, logo os dois se porão a caminhar: “hoje é um dia de festas”...

Vô, apesar de seus 82 anos, ainda era perfeitamente lúcido. Conseguia se lembrar de muita coisa do antes... Ele vivia contando antigas estórias... lembrou-se, naquele momento, que estudou um conceito que conseguiria explicar esta necessidade de querer coisas que, na verdade, não são essenciais... “Ah, se ainda tivesse os livros de Marketing... eu gostava tanto do prof. Cosenza... que saudades da minha turma do mestrado... que pessoal criativo! Será que sobreviveram?... Ah, sim... o ponto de partida está baseado nos desejos e nas necessidades humanas... o desejo das pessoas por coisas que podem comprar vai gerar uma DEMANDA... Mas, por que alguém prefere comprar um ingresso de circo a uma sandália? ... ai entra o conceito de UTILIDADE... Cada coisa tem uma capacidade diferente de satisfazer as necessidades humanas...

O velho ainda viajava em seus pensamentos quando, de repente, escuta uma voz lá longe chamando: “Vô, vô, tá na hora, precisamos ir, o Sr. tá me escutando?...”

Aos poucos o velho volta a si, e descobre que tem uma missão importante a fazer: ensinar seu neto aquilo que ainda conseguia se lembrar do passado... E isso começaria imediatamente!

Naquele deserto, no meio do nada, seguem felizes um velho e um moleque, cada qual por uma motivação diferente...

Se alguém estivesse por perto escutaria, pelas quase 4 horas de caminhada, o velho discorrendo sobre a distorção dos valores humanos para criação de demandas artificiais... sobre o consumo desenfreado... sobre a famosa mensagem de Victor Lebow... sobre a “percepção de obsolescência das coisas” induzida pela propaganda que nos obriga a trocar coisas mesmo quando ainda são funcionais... sustentabilidade ... superpopulação... e o preço que a humanidade pagou por tudo isto...

“Moleque, milagres não existem. Tudo tem limite. Tudo tem um preço. O segredo está nas escolhas que fazemos, coletivamente...”

E esta foi a história de um velho que sobreviveu às conseqüências do consumo irresponsável...

“Por que razão que se perceba,

Não há de ser esta história mais verdadeira

que tudo quanto os homens de marketing pensam

e tudo quanto as escolas ensinam?”

sábado, 31 de dezembro de 2011

Quando o fim está próximo...


“E ai como vai Monta?”.

“Fernando? Quando tempo cara... o que aconteceu que não mandou mais notícias? Tudo bem por ai? Continua no Maranhão?”

“Não quis te ligar antes de me recuperar do trauma... Há 3 meses fui atropelado por um motorista bêbado... Aqui em São João do Carú também acontece isto! Fiquei internado por quase um mês... quebrei a bacia, duas costelas e tive várias fraturas no braço esquerdo... Estou muito melhor agora, mas praticamente perdi os movimentos do braço e da mão esquerda... Pensei que fosse morrer...”.

“Puxa vida, por que não me ligou? Eu iria te visitar e te ajudar de alguma forma...”.

“Monta, quando o fim está próximo, ou você acredita que está próximo, seu mundo muda... Seus valores ficam estremecidos... O que é importante pra você, deixa de ser importante. O que te motiva a fazer e a acontecer, perde toda a força... De repente, você se torna o Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa... Você sente na pele o significado do que é existir... Todo o resto é pequeno, não tem valor...

Eu comecei a questionar o que fazia aqui, neste fim de mundo, sozinho, tentando ajudar estranhos que nem sabem que precisam de ajuda... Eu é quem precisava de ajuda e não tinha ninguém...

Nessa hora você sente que seus sonhos, adiados pela pressão do dia-a-dia, nunca se realizarão... É uma sensação de frustração indescritível...

Aquele filho da puta bêbado não tinha o direito de mudar o meu mundo!

Eu queria continuar vivendo na ilusão... Eu preferia não saber que o único significado das coisas é que não existe significado algum... É muito melhor acreditar que existe um propósito...

Monta, tô te ligando hoje, neste último dia do ano para te dizer 2 coisas:

1o Quando seu avô dizia ‘carrego comigo todos os meus bens’ ele sabia o que estava falando... eu senti exatamente isto quando estava no hospital... Vou repensar o que fazer com o tempo que me resta...

2o Vou voltar para Itu. Deixei meu trabalho! Na segunda semana de janeiro te ligo pra tomarmos um chopp na pizzaria ao lado da sua casa. Tudo bem?

...Ah, nada mais uma coisa. Hoje vou beber bastante. A meia noite, vou ouvir, no último volume, a abertura de Strauss, Also Sprach Zarathustra. Meu ritual de passagem a la Stanley Kubrick...”.

"FELIZ ANO NOVO!"

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Lula, o Brasil não precisa de que um ”Gerente Competente”. Precisa de um Líder de Verdade


Um líder que articule uma visão, que aponte uma direção e defina a realidade.

Uma dos atributos da liderança é a AUTENTICIDADE.

Um líder de verdade é a personificação da mudança que quer ver. Mais do que ninguém, ele sabe que os fins nunca justificam os meios.

Gandhi disse a seus seguidores que pela causa (da liberdade) estaria disposto a morrer e que não existe causa que estaria disposto a matar.

Como líder mostrou coerência com seus princípios, em todos os seus atos.

Um líder cria ressonância positiva, inspira as pessoas e motiva-as a trabalharem para um futuro melhor.

Stacy Allison, a primeira mulher americana a subir o monte Everest disse que “o líder serve as pessoas criando um propósito, tendo uma direção e um foco claro”.

Max de Pree disse que um líder precisa deixar uma “herança” por onde passa. E por herança, ele se refere aos valores e princípios do líder.

Um verdadeiro líder não troca seus princípios por votos ou apoio.

Dá para confiar em Dilma?

Dilma cria esta ressonância positiva? Consegue mobilizar o País?

Sua vida serve de modelo e inspiração para nossa juventude?

Consegue demonstrar que tem um propósito nobre?

Dilma deixou alguma “herança”? É diferente de outros políticos?

Alguém, com um mínimo de discernimento acredita que o mensalão não existiu?

Infelizmente, Dilma, você pode ser uma excelente gerente, mas, está longe de ser o presidente que o Brasil precisa.

Não perdi as esperanças. Um dia teremos um presidente (mesmo não ganhando prêmio Nobel) considerado um líder integro, competente, admirável que mobilizará as pessoas rumo à mudança que este país tanto precisa.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A crença precede a prática


As crenças, os valores norteiam a vida das pessoas e das Instituições.

A prática, as atitudes refletem de maneira inegável os verdadeiros valores e crenças.

As palavras servem como referência para análise dos valores que estas pessoas e Instituições querem exteriorizar.

Como confiar ou mesmo tolerar um político, um gestor, ou uma Instituição cuja pregação, as palavras não refletem as atitudes do seu dia-a-dia?

Somos o que praticamos, não o que dizemos que acreditamos.

Quais os verdadeiros valores e crenças dos líderes da Igreja Renascer, pegos e presos por entrar nos Estados Unidos com mais de 50mil dólares não declarados, escondidos numa bíblia?

Quais os verdadeiros valores de Maluf que diz teatralmente que não tem dinheiro no exterior?

O que pensar de Sarney, Paulo Duque, Calheiros, Collor e tantos outros senadores?

Edir Macedo e a Igreja Universal foram complacentes com desvio de dinheiro de doações? Dá para acreditar na declaração dos valores desta Instituição?

E agora paira dúvidas sobre Dilma. Dilma mentiu no caso do dossiê dos cartões? Dilma pediu ou não agilização nas investigações contra empresas da família Sarney? Mentiu no currículo Lattes sobre seu mestrado e doutorado? Fez parte do curso, não concluiu. Então não tem o título de Mestre. Sabia do erro? Se ela foi complacente com este “pequeno” engano, que outros desvios foram ou serão tolerados?

Pessoas públicas e Instituições não podem ser COMPLACENTES com desvios.

Nós podemos tolerar divergências entre palavras e atitudes de Instituições e figuras públicas. TOLERÂNCIA ZERO À COMPLACÊNCIA.

Não existe outra maneira da humanidade se desenvolver com dignidade.

“Os fins justificam os meios” é uma prática inaceitável, pois esconde os verdadeiros valores de quem a pratica.