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sábado, 1 de novembro de 2025

Sombras na Cidade


Entre casas de tijolos e ruas mal pavimentadas,

Um bairro sufoca sob o peso do medo.

Olhos baixos, vozes sussurradas,

Os conformistas se escondem nas sombras.


Crianças brincam à beira do abismo,

Inocência roubada por balas perdidas.

Mães choram ao vivo e em cores na TV,

Sonhos despedaçados como vidro no asfalto.


Os adaptados dançam com o diabo,

Moral flexível, consciência adormecida.

Sobrevivem na zona cinzenta,

Onde vítima e bandido se confundem.


A fé, último refúgio dos desesperados,

Igrejas lotadas de almas perdidas.

Orações silenciosas pedem salvação,

Mas os céus parecem surdos ao clamor.


Um dia, o inferno se abre,

Fogo e sangue inundam as ruas.

Corpos se amontoam na praça central,

Inocência e culpa, lado a lado na morte.


A nação desperta, por um instante,

Chocada com a barbárie escancarada.

Palavras vazias ecoam nos palácios,

Enquanto mães choram seus mortos.


Mas amanhã, quem lembrará?

Quem lutará pela mudança real?

A essência do ser humano se perdeu,

Na selva de concreto e ganância.


Humanidade! Para onde caminhas?

Teus valores se esvaem como água entre os dedos.

No horizonte, vejo apenas trevas,

E espectadores silenciosos…

Montanari

01/11/2025

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Humanidade Humana ?



Neste breve instante, fantasio e me extasio

Ante a bela visão das tulipas e de um futuro a brilhar.

Enquanto a música de Bach me estimula

Contemplo este momento, grato por poder vislumbrá-lo.


Há séculos, a vida era bem distinta, incerta,

Com países abastados, pessoas obesas por prazeres vãos,

Enquanto pobres se debatiam na penúria e sacrifícios.

Guerras e divisões, religião a manipular, 

Um mundo tribal, egoísta, alheio à unidade.


Mas a adolescência da humanidade já passou,

Deixando seu legado de sangue, dor e perdas.

Agora, a nova era se ergue, mais sábia e resiliente,

Rendendo culto à vida, em sua graça e finitude.


Não mais os deleites do ter e do consumir cego,

Nem os grilhões da fé ou da política mesquinha.

Mas sim, a compreensão da vida em sua plenitude,

E da condição efêmera que a todos igualmente alcança.


Esta nova humanidade, enfim, de Humanos,

Dignos, compassivos, em harmonia com a Natureza.

A ignorância, a arrogância e a autodestruição

Cederam lugar à sabedoria, à modéstia e à preservação.


Se existem pessoas que acreditam em milagres, em deuses, em vida eterna, por que eu não posso sonhar que um dia a humanidade será de Humanos?


Montanari

2008

domingo, 22 de maio de 2022

O planeta está morrendo

 O planeta está morrendo


Toda humanidade deveria ver esse video.

Este video foi criado com único propósito de tocar a consciência sobre a conservação do nosso planeta.
Que a INDIFERENÇA não te vença!
COMPARTILHE AGORA MESMO
ainda é tempo.
Titulo original: El Planeta tierra eres tú
Idéia, criação e voz: Carlos Chavira (@carloschaviratv)
Tradução: Jonatan S Silva

quarta-feira, 2 de março de 2022

sábado, 19 de fevereiro de 2022

O futuro a ninguém pertence

 


Há 2000 anos AC, nos textos da Mesopotâmia, segundo Campbell, começou a  percepção que o rei era um ser humano e não um rei-deus como o faraó do Egito e que o homem não era mais a encarnação da vida divina, mas de natureza mortal e terrestre.

Ainda segundo Campbell, a civilização asteca acreditava que se não fosse pela pratica continuada do sacrifício humano nos altares, o Sol pararia de se mover, o tempo cessaria e mundo acabaria. Essa crença motivou o povo asteca a um estado de guerra contra seus vizinhos para poder sacrificar milhares de vidas nos altares e impedir o fim do mundo.

O autor Émile Mâle afirmou que na Idade Média,  a crença do homem em uma ideia que formara era mais real do que a coisa em si mesma. Por essa razão, esses séculos místicos a ciência não evoluiu.

O que mudou ao longo dos tempos foi o nome dos deuses e das igrejas que supostamente têm poderes superiores da humanidade.

Eu acredito que nossa concepção atual de vida, se não mudar de rumo, acelerará o fim da Humanidade. 

A Educação, a Redução da Desigualdade Social e o Uso Racional de Recursos Naturais do Planeta deveriam ser a nova "Igreja", os novos "deuses" a serem cultuados, e não Ganância e a Obsessão pelo Poder.

O futuro a ninguém pertence.

Precisamos construí-lo com base em valores éticos e sem misticismos…

Hoje os valores ditados pelo Mercado, pelo Dinheiro e pela Tecnologia determinam nossas ações… 

A Humanidade ainda continua adorando os deuses errados…


—————-

Campbell, J. Myths to Live By, NY, Vicking 1972


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

...e Deus foi ao inferno para se encontrar.

“Vamos para Itú? Vai fazer sol o dia inteiro neste domingo?”

“De triciclo?” perguntou Marlene?

“Claro!”

E lá fomos nós.

Quando chegamos, Fernando já estava lá em baixo para nos receber. Apontou com as duas mãos para o Azul do Céu como estivesse fazendo um agradecimento aos deuses e acenou, como estivesse nos apresentando o Verde do seu Condomínio de luxo. “A jornada é o propósito! E tem gente que procura um significado, um porquê da jornada... Percorrer o caminho é um Privilégio. Conseguir ver e sentir é a Recompensa e, isto é tudo o que importa... Vocês, de triciclo, vivenciaram uma verdade metafísica... Me encontrar aqui não foi o propósito de terem vindo!”

“E tem gente que vai longe para se encontrar”. Retruquei.

“Você tem razão, eu...” tentou responder Fernando.

“E assim que vocês se cumprimentam, depois de tanto tempo sem se verem?” Interrompeu Marlene, pensando que eu me referia ao fato de Fernando ter acabado de voltar de São João do Carú, onde fazia trabalho voluntário e que minha afirmação o ofendera.

Olhei para Fernando que me abraçando sussurrou: “Gustav Van Doorn...”

Com este gesto, Fernando demonstrou que havia entendido que minha afirmação se referia ao texto do belga Van Doorn: “Deus foi ao inferno para se encontrar”. Neste texto, o professor, relata a experiência maravilhosa que é ver, sentir e compreender quão remota é a possibilidade da existência de vida inteligente. Este é “o” milagre. Fruto do acaso. Não há Criador, nem criação intencional. Somos parte de um Todo que é, em essência, a negação do Nada Absoluto. A Força que move o Universo é a Necessidade de Ser... Segundo o autor, as religiões, a certeza da existência de um Deus, a convicção que a vida humana tenha um propósito e a crença na vida pós-morte são necessárias nesta fase do desenvolvimento da humanidade. “Estamos na infância... Não nos demos conta, ainda, de quão espetacular é o fato de estarmos aqui e podermos ver e sentir... Nossa jornada justifica a nossa existência... O ódio, a inveja, o patriotismo, a ambição desmedida, os cultos religiosos, as guerras, a devastação da natureza são alguns dos sinais da falta de amadurecimento... Quando formos evoluídos entenderemos que percorrer o Caminho (viver) é “o” privilégio... passaremos a adorar e a venerar a Vida... mas, até lá Deus (simbolizando a humanidade) precisará ir até o inferno para se encontrar...”.

“Estava com saudades de nossos papos. Vamos entrar...”

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A MULHER, A BÍBLIA E O DESENVOLVIMENTO

Walter me contou que estava num encontro de negócios que reuniu vários fornecedores de uma multinacional européia.

Sua apresentação foi tranqüila sem incidentes ou questionamentos.

Por outro lado, um apresentador de uma poderosa empresa asiática ficou nervoso, pois sua apresentação gerou questionamentos.

Num gesto de desagrado, para demonstrar o descontentamento com sua assessora pelo erro constatado, deu um tapa na cabeça dela, na frente de todos os presentes. Um peteleco. Nada violento. Um gesto cultural de punição (aceito no seu país?) mas, certamente, não lá na Europa.

No intervalo do café, este fornecedor recebeu uma mensagem no seu smartphone. Se retirou para não mais voltar... Era o fim de uma promissora carreira...

"O tratamento e o respeito pela mulher evoluiu muito em grande parte do mundo".

Walter, reforça a afirmação com duas passagens da Bíblia. Fiquei horrorizado!

As passagens encontram-se em Gênesis 19, 5 e Gênesis 19,7-8.

Dois anjos foram enviados a Sodoma para avisar Ló, sobrinho de Abraão, e dizer que ele saísse da cidade antes da chegada do enxofre.

Ló recebeu os anjos com hospitalidade. Os homens de Sodoma, ao saber da visita, se reuniram em torno de sua casa e o questionaram: "Onde estão os homens que vieram a tua casa hoje? Trazê-os para que deles abusemos". Na sua bravura, Ló, o escolhido por Deus para ser salvo, rejeitou o pedido dos homens dizendo: "Rogo-vos, meus irmãos, que não façais mal; tenho duas filhas virgens, e vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada façais a estes homens, porquanto se acham sob a proteção de meu teto".

Semelhante desrespeito a dignidade da mulher é encontrada no capítulo 19 no livro de Juízes, que relata a história de um levita que viajava com sua concubina. Eles passaram a noite na casa de um hospedeiro. Quando jantavam, homens da cidade bateram a porta exigindo que entregassem seu convidado "para que dele abusemos". A resposta do anfitrião retrata a visão (moralmente aceita na época?) de mulher como objeto de troca: "Não façais semelhante mal; já que o homem está em minha casa... Minha filha virgem e a concubina trarei para fora; humilhai-as e fazei delas o que melhor vos agrade; porém a este homem não façais semelhante loucura".

A Humanidade está ainda na sua adolescência. Temos muito que evoluir. Tenho certeza que chegará o dia que o próprio indivíduo será a única autoridade para determinar, sem questionamentos ou julgamentos de qualquer espécie, o que fazer com seu corpo, seja em casos de aborto ou eutanásia.

Tenho certeza que chegará o dia em que as religiões cairão por terra, e a própria Bíblia, fonte de princípios morais temporais, não passará de um documento histórico. A Humanidade evoluirá a tal ponto que não mais fará sentido o "Dia da Mulher", o "Dia da Consciência Negra", e tantas outras datas religiosas.

Todo dia será dia para se celebrar a Vida.

Infelizmente, assistiremos ainda, muitos shows de barbárie contra mulheres e minorias em nome de um deus ou em nome do amor a uma pátria ou pela pressão de uma sociedade ignorante.

Por muito tempo ainda, os Ló´s e os hospedeiros deste planeta continuarão a oferecer uma vida em troca de um princípio moral insignificante, mesquinho e inaceitável... e muitas pessoas, como aquele fornecedor asiático pagarão um preço muito alto para aprender que a dignidade humana precisa ser respeitada...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Centenário do fim do pensamento tribal


New Keukenhof –  05/04/2408

Caminhando pelo parque, admirando as tulipas ao som de Stoiewisk sentimos o significado desta data histórica...

E pensar que há poucos séculos atrás a vida era bem diferente.

Países ricos com mais de dois terços da população de obesos e barrigudos, não por problemas genéticos, mas por problemas culturais, por apego a valores decadentes, egoístas e centrados no consumismo e individualismo.  Países pobres com grande parte da população de viciados, subnutridos e ignorantes. Convicções religiosas levavam a guerras, ou a alienação ou a exploração da população. Ignorância, fé religiosa, falta de visão sistêmica era cultuada e mantida como instrumento de manipulação por vários credos e governos.  

A humanidade era tribal, cultuava deuses diferentes, doutrinas políticas diferentes e identidades nacionais diferentes. Os interesses eram “nacionais”, “regionais”, “partidários” e segregados por agrupamentos religiosos diferentes...  

Os sonhadores da época se perguntavam:

Quantos torcedores mais serão mortos por policiais despreparados? Quantas crianças mais serão violentadas e mortas por animais considerados e julgados como humanos? Quantas pessoas mais serão vítimas de motoristas bêbados e irresponsáveis? Quantas pessoas mais morrerão de câncer de pulmão por ignorância e irresponsabilidade social? Quantos crimes mais ficarão impunes por sistemas judiciários obsoletos, leis medíocres, políticos inconseqüentes e demagogos? Quantas mortes mais causadas por menores viciados em crack continuarão impunes? Quantos negros mais morrerão pela fome ou pela AIDS na África até que se perceba? Quantos mais morrerão em nome de um deus justo, misericordioso e todo poderoso? Quanto mais serão mortos em nome de interesses nacionais? Quantas gerações de “poetas” e “sonhadores” serão necessárias para mudar o “stuts quo”?

A adolescência da humanidade, caracterizada pela ignorância, arrogância, egoísmo e enorme poder de autodestruição, não durou muito.

O amadurecimento custou caro: bilhões de vidas e centenas de anos para reconstrução da nova civilização.

A luta pela sobrevivência do pouco que restou privilegiou o fim do culto a deuses mesquinhos, egoístas e injustos; contribuiu para o fim da cultura do ter, do consumismo e individualismo institucional; e o mais importante, marcou o surgimento de uma população resiliente de adoradores da vida, marcou o fim dos barrigudos, dos subnutridos, dos viciados, dos políticos corruptos e das religiões.

Se existem pessoas que acreditam em milagres, em deus, em vida eterna, por que eu não posso acreditar que um dia a humanidade será de Humanos?