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sábado, 1 de novembro de 2025

Sombras na Cidade


Entre casas de tijolos e ruas mal pavimentadas,

Um bairro sufoca sob o peso do medo.

Olhos baixos, vozes sussurradas,

Os conformistas se escondem nas sombras.


Crianças brincam à beira do abismo,

Inocência roubada por balas perdidas.

Mães choram ao vivo e em cores na TV,

Sonhos despedaçados como vidro no asfalto.


Os adaptados dançam com o diabo,

Moral flexível, consciência adormecida.

Sobrevivem na zona cinzenta,

Onde vítima e bandido se confundem.


A fé, último refúgio dos desesperados,

Igrejas lotadas de almas perdidas.

Orações silenciosas pedem salvação,

Mas os céus parecem surdos ao clamor.


Um dia, o inferno se abre,

Fogo e sangue inundam as ruas.

Corpos se amontoam na praça central,

Inocência e culpa, lado a lado na morte.


A nação desperta, por um instante,

Chocada com a barbárie escancarada.

Palavras vazias ecoam nos palácios,

Enquanto mães choram seus mortos.


Mas amanhã, quem lembrará?

Quem lutará pela mudança real?

A essência do ser humano se perdeu,

Na selva de concreto e ganância.


Humanidade! Para onde caminhas?

Teus valores se esvaem como água entre os dedos.

No horizonte, vejo apenas trevas,

E espectadores silenciosos…

Montanari

01/11/2025

domingo, 25 de outubro de 2009

O usuário é culpado

Nunca vi o Walter tão exaltado.

Neste sábado falei com ele no Skype.

Me disse que, lá em Chicago, os últimos acontecimentos no Rio foram muito comentados. A derrubada do helicóptero pelos traficantes e as 40 mortes da semana reforçaram o sentimento da publicidade enganosa apresentada em Copenhague (que culminou com a escolha do Brasil como sede dos jogos Olímpicos de 2016).

“A realidade é bem diferente...”

“A propaganda está muito mais próxima do sonho do presidente Lula do que da realidade...”

“O Rio merecia ganhar? A situação em 2016 será diferente?”

Walter acredita que há muita hipocrisia na mídia por mostrar somente um lado do problema. “O usuário não tem responsabilidade alguma?”

Artistas, cantores, usuários da zona sul são apresentados em programas de televisão com muita complacência, como vítimas ou como heróis que enfrentaram o problema após anos de dependência...

“Se você comprar material roubado você é considerado receptador, criminoso. Se você comprar drogas de um traficante assassino, você é classificado “doente”, “dependente”. Faz sentido?”.

Se a justiça não permite punir o usuário, a mídia poderia ser menos tolerante.

Walter é radical neste tema.

“Se você tem um amigo usuário (mesmo eventual) você tem um amigo igualmente criminoso, que tem sangue nas mãos, que ajuda o traficante a apertar o gatilho.

Seu amigo alimenta a violência irresponsavelmente.

Se afaste dele...”

Grande Walter, você tem razão.

Somos muito tolerantes com desvios de conduta. Somos muito tolerantes com a incompetência de nossos dirigentes. Somos muito tolerantes com a mediocridade, somos muito tolerantes com a baixa performance.

Por isto elegemos e reelegemos corruptos, admiramos demagogos e achamos que tudo vai bem...

Afinal de contas, Deus é brasileiro, no final tudo dá certo...