62- O Rebanho Moderno
Machado de Assis, se vivesse hoje, talvez dissesse:
"Olhai como os homens se agrupam nas telas luminosas
Buscando nos outros a aprovação que não encontram em si"
O instinto de rebanho, velho conhecido nosso
Agora veste-se de pixels e algoritmos
Mas conserva sua natureza primitiva
Veja como se curvam diante dos números!
Um milhão de visualizações é a nova verdade
Como se a quantidade pudesse suprir a qualidade
A ironia do progresso!
Quanto mais nos conectamos, mais nos perdemos
Na busca incessante pelo pertencimento digital
Os sábios de outrora agora dançam
Ao som de melodias efêmeras
Para não serem esquecidos no silêncio da irrelevância
E o pensamento? Esse velho amigo inoportuno
Definha nos cantos escuros da mente
Enquanto hashtags florescem em seu lugar
Eis o novo perigo, meus caros:
"Estar certo quando o rebanho está errado"
É crime que se paga com o ostracismo digital
Bentinho hesitaria, Quincas Borba riria
E eu, pobre peregrino metido a poeta, apenas observo
"Como a humanidade, em sua ânsia de pertencer
Perde-se cada vez mais de si mesma”.
Novembro 2025
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