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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

NOVO REBANHO


62- O Rebanho Moderno


Machado de Assis, se vivesse hoje, talvez dissesse:

"Olhai como os homens se agrupam nas telas luminosas

Buscando nos outros a aprovação que não encontram em si"


O instinto de rebanho, velho conhecido nosso

Agora veste-se de pixels e algoritmos

Mas conserva sua natureza primitiva


Veja como se curvam diante dos números!

Um milhão de visualizações é a nova verdade

Como se a quantidade pudesse suprir a qualidade


A ironia do progresso!

Quanto mais nos conectamos, mais nos perdemos

Na busca incessante pelo pertencimento digital


Os sábios de outrora agora dançam

Ao som de melodias efêmeras

Para não serem esquecidos no silêncio da irrelevância


E o pensamento? Esse velho amigo inoportuno

Definha nos cantos escuros da mente

Enquanto hashtags florescem em seu lugar


Eis o novo perigo, meus caros:

"Estar certo quando o rebanho está errado"

É crime que se paga com o ostracismo digital


Bentinho hesitaria, Quincas Borba riria

E eu, pobre peregrino metido a poeta, apenas observo

"Como a humanidade, em sua ânsia de pertencer

Perde-se cada vez mais de si mesma”.


Novembro 2025

do meu ebook: JANELA PARA O UNIVERSO - disponível na amazon

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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

A Teia das Bolhas

 



Eu: "Motta, por que nossos amigos parecem tão distantes?

Olhos antes brilhantes, agora opacos de certeza".


Motta: "Ah, vejo a mesma tristeza em você.

Eles se enredaram em teias invisíveis,

Nos grupos de WhatsApp ecoam apenas uma voz".


Eu: "Como gotas d'água iguais,

Formando poças estagnadas de pensamento".


Motta: "Sim, e nessas poças, as ideias não fluem.

Crescem extremas, polarizadas, como plantas sem poda".


Eu: "Vejo nossos queridos se calando,

Engolindo dúvidas para não perturbar o grupo".


Motta: "E assim, suas mentes adormecem,

Sonâmbulas na escuridão do consenso forçado".


Eu: "Que triste! Onde está a faísca da criatividade?

A chama da solução que nasce do debate?"


Motta: "Extinta, Monta. Sufocada pela mesmice.

Precisamos de ar fresco, de ventos diversos, novos inputs!”


Eu: "Como quebrar essas bolhas, meu amigo?

Como salvar aqueles que se afogam em suas próprias certezas?"


Motta: "Com coragem, Monta. Coragem para questionar.

Para estender a mão além de nosso círculo confortável".


Eu: Para ouvir vozes dissonantes, questionadoras

E encontrar harmonia e sabedoria na diversidade".


Motta: "Sim! Pois só assim crescemos.

Só assim nos tornamos verdadeiramente sábios

Evitando os perigos do pensamento de grupo e da polarização”.


Eu: "Sim. Então vamos, Motta! Vamos romper essas teias!

Libertar mentes, reacender o brilho nos olhos de nossos amigos".


Motta: "E quem sabe, Monta, nessa jornada,

Descobriremos também novos horizontes em nós mesmos.

Como diria meu poeta: “Questionar é preciso”.


Montanari

31/10/2025