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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quando eu não estiver mais aqui, quem vai cuidar deles?


31 de Dezembro. Faltavam poucas horas para a virada do ano quando Walter iniciou uma discussão sobre a responsabilidade de ser pai e ter dependentes:

“Quando eu não estiver mais aqui, quem vai cuidar deles?”

Walter gerou muito polêmica com esta frase.

O que começou com uma preocupação sua, pessoal, virou uma discussão sobre o futuro e a continuidade da existência da humanidade...

“A maior herança que um pai pode deixar para seu filho é uma boa educação”.

Concordo. Nos dias atuais, boa educação é condição sine qua non para uma vida digna.

“Educar custa muito caro, muito caro”.

“A maioria dos pais não faz, e nunca pensou em fazer, um planejamento financeiro para prover educação de seus filhos. Na verdade, não planejam nada. Vão levando suas vidas... Simplesmente existem. Se movimentam como uma samambaia ao sabor dos ventos, inconsequentes e ignorantes bem intencionados como o Esteves sem metafífica, da Tabacaria de Fernando Pessoa.

“A maioria dos pais são ignorantes para entender que seu filho não é seu bichinho de estimação ou seu presente dos céus, e que seu filho não é ‘seu’... Filho é uma responsabilidade para com a espécie humana que nem todos têm a condição de assumir, apesar de ter direito...”

É verdade, esta responsabilidade vai ficar cada vez maior...

“A população da Terra está crescendo tanto que, um dia, mais cedo do que você imagina, este direito será questionado e ´regulamentado´... miseráveis, drogados não...”

Tá parecendo Gattaca...

“Luiz, não seja hipócrita. Final de ano. Este é o melhor momento para rever seus pressupostos...”

“Até quando você acha que a humanidade continuará existindo se não reconhecer que os recursos são limitados?”

“Preocupado com que vestir? Por que? Olhai para os lírios do campo...”

“Preocupado com o que comer? Por que? Olhai para as aves do céu...”

“Crecer e multiplicar... Até quando?”

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O dia das crianças, o sonho dos pais e a Curva do Berço


“O sonho de qualquer pai assalariado é que seu filho trabalhe na Google. O do meu pai era que eu trabalhasse na GM ou na Ford”, comenta Fernando.

“Outros tempos, outros valores. Ainda bem que eu não segui o conselho dele...”

Falamos muito sobre crianças neste 12 de outubro. Eu, me recuperando da gripe (suína?) e ele da perda de seu pai.

“Pais acham que sabem o que é melhor para seus filhos, mas se esquecem que suas referências foram construídas com histórias de sucesso e fracasso do passado...

A velocidade das mudanças está cada vez mais rápida... O ideal não é mais dizer que caminho seguir, mas as premissas para o sucesso ou fracasso! E, também o que significa sucesso ou fracasso...

Nesse ponto, lembramos da Curva do Berço, criada por Fernando há muitos anos atrás.

“Quem a conhece?”

A Curva do Berço nos mostra que a futura renda familiar média está intimamente ligada a “qualidade” do berço desta pessoa ao nascer.

Este gráfico é uma curva média. Importante lembrar que existem casos acima e abaixo da média. E que o perfil da curva também está mudando.

Mais importante ainda, é saber quais fatores levam uma pessoa a estar acima ou abaixo da média. Infelizmente, nem todos os fatores são controláveis. Fatores externos como oportunidade e sorte não podem ser desprezados. Mas, o mais importante são os fatores internos, que dependem da pessoa.

Neste ponto, os pais podem contribuir, e muito, com a futura renda familiar de seus filhos. “Não fazendo como meu pai fazia comigo, martelando a velho chavão: Estude se quiser ser alguém na vida!”

Por alguém, a geração dele queria dizer, ser médico, ser engenheiro ou mesmo ter um bom emprego numa empresa de renome.

Os pais da atualidade têm uma missão mais complexa. Precisam trabalhar com as crianças os fatores críticos para se obter ganhos acima da média. Precisam criar condições para que seus filhos sejam pessoas emocionalmente ajustadas, com valores bem definidos, pessoas determinadas, focadas e resilientes...

“Esta minha curva reforça como os pais, sem saberem, condenam seus filhos a um futuro medíocre...”

“Se soubessem, ou tivessem consciência, não teriam filhos”!

Coragem!

“Feliz dia das crianças!”







quinta-feira, 30 de julho de 2009

Cerebro estressado, triciclo e o desenvolvimento pessoal


A gripe suína nos afastou da Patagônia.

Achamos mais prudente adiar o passeio, não pelo medo de ficar doente, mas pelo risco de afetar nossos familiares.

Foi até melhor, pois Fernando nos convidou para passar uma semana em seu sítio de Campos. Estranhamos, pois pouquíssimas pessoas tiveram o privilégio de visitar seu refúgio (“meu santuário” como diz ele).

E o mais espetacular é que lá, pude dar uma volta no seu triciclo: um Carver!!! O sonho dos sonhos dos amantes de triciclos. ( http://www.carver-engineering.com/ )

Como não poderia deixar de ser, tivemos uma longa e interessante discussão, via Skype, com Walter (que está novamente em Chicago).

"Se você quer que seu filho vá bem na escola", nos disse Walter, relatando uma das mensagens do novo livro do professor Medina, "ame sua esposa, pois não existe melhor previsor de boa performance acadêmica do que um lar harmônico".

"O cara tá certo", pondera Fernando. "Cérebros estressados na infância, não só não atingem seu potencial, mas também carregam marcas para sempre. Veja o meu caso. Fiz 60 anos dia 13 de junho, mas todos os pesadelos que tenho, mesmo sonhando coisas atuais, acontecem na casa ou no bairro que eu morava quanto tinha uns 7 anos. Com certeza, meus pais, sem saber, afetaram e continuam afetando minha vida... (positiva e negativamente)”.

Nossa conclusão:

Quem tem dependente é dependente e não tem a liberdade que, infelizmente, acredita que tenha (por falta de maturidade). Responsabilidade pela qualidade de vida de outra pessoa cresce com o desenvolvimento pessoal.