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segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O Desafio da Paz Desarmada

 


"Precisamos de uma paz desarmada."

Assim nos fala a sabedoria do papa Leão XIV.

Uma verdade cortante para o nosso tempo,

engasgado em conflitos, tenso e armado.


A paz verdadeira não se apoia no medo,

não se constrói sobre pilhas de poderio.

Ela se ergue na confiança mútua,

no respeito inegociável à dignidade humana.


É preciso uma rendição radical,

uma paz desarmada e desarmante.

Não basta soltar as armas das mãos.

É imperioso desarmar o espírito,

silenciar a retórica de ódio

que nos envenena a alma.


Indivíduos e nações,

somos chamados ao diálogo construtivo,

a priorizar a justiça para todos,

transcendendo credos e afiliações fugazes.


O Fracasso da Razão! 

Guerra e conflito são a mais clara falência da razão humana.

O espelho quebrado de nossa incapacidade

de resolver disputas de forma civilizada.


Russell e Einstein nos gritaram a escolha:

ou renunciamos à guerra,

ou arriscamos a própria extinção.


Vejam Gaza, o retrato devastador da brutalidade.

Mais de sessenta e sete mil almas silenciadas,

vinte e duas mil crianças perdidas.

Feridos em massa, sequelas permanentes.

A fome como arma, 

atingindo noventa por cento de um povo,

é o abismo da desumanização.


Chegou a hora da Revolução!

Revolução da Consciência!


A voz de Cristo clama por um desafio:

amor incondicional, não-retaliação.

Embainha a espada, diz ele a Pedro.

Uma alternativa poderosa à fúria do mundo.


Para combater a cultura da guerra,

urge uma revolução pacífica da consciência.

Nas democracias, 

o voto carrega o peso da mudança.


Comprometer-se a não votar em

Políticos que apoiam a morte,

Políticos que financiam guerras,

quem lucra com os arsenais.


Parece utopia? Talvez.

Mesmo os supostos Cristãos falham em ouvir a paz.

Mas o esforço deve ser persistente, coletivo.

Somente assim,

com esforço firme e não violento,

o ideal da paz desarmada

poderá ser mais que um sonho distante,

poderá ser uma realidade tangível para nós.


MONTANARI

outubro 2025

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Gaza & Guernica : retratos da desumanidade

 


Guernica, 1937, estrondo no ar

Bombas caem, a Guerra Civil Espanhola ruge

Picasso, com pincel e fúria, responde

Em tela grita o horror, o caos, a dor


Crianças, velhos, mulheres - todos sofrem

A guerra não escolhe, a guerra não poupa

Guernica, obra-prima do desespero humano

Grita em silêncio através dos tempos


E hoje, Gaza sangra sob bombas israelenses

Guernica multiplicada, amplificada, eterna

As imagens se repetem, em cores vivas de morte

Quantos Picassos seriam necessários agora?


Até quando, pergunto eu, ateu pacifista

Quanto mais sangue precisa jorrar nas ruas?

Que lógica perversa move a mão que já foi vítima

A tornar-se algoz, replicando o horror vivido?


Israel, filho do Holocausto, pai de novo genocídio

Que amnésia coletiva te faz esquecer tua própria dor?

Gaza é Guernica, é Auschwitz, é todo horror humano

Condensado em bombas, gritos e corpos despedaçados


Eu, engenheiro, professor, poeta peregrino

Grito em versos livres contra esta insanidade

Pois a poesia, mesmo impotente, não pode calar

Diante do eterno retorno da barbárie humana.


Poema baseado no texto do amigo Michel Labaki

Imagem criada por IA para reforçar o poema

Montanari - Agosto 2025

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Gaza arrasada

Elegia Funesta


Ó cidade de cinzas e sombras

Teu silêncio grita mais alto que sirenes

Nos escombros da civilização

Jazem sonhos despedaçados e promessas não cumpridas


As ruas vazias ecoam com passos fantasmas

De crianças que nunca crescerão

De mães que nunca embalarão

De amantes que nunca se encontrarão


A ciência, em sua arrogância cega

Criou monstros de luz e fogo

Que devoram a própria essência da vida

Deixando apenas o vazio e o horror


Ó Benjamin, em tua loucura insana

Lançastes sementes de destruição

A coleta? Frutos amargos de dor

Que nem mil primaveras poderão apagar

Montanari - 

Agosto 2025