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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Pela Liberdade de Crer e de Não Crer

 



Hoje, 12 de fevereiro, celebramos o Dia do Orgulho Ateu. E, ao olhar para o horizonte da nossa humanidade, eu tenho um Sonho.


Tenho um Sonho de que, um dia, todas as nações se levantem verdadeiramente laicas. Que os governos sejam guiados pela razão, pela ciência e pela justiça humana, e não pelos dogmas de nenhuma seita, livro sagrado ou religião específica. Sonho com leis escritas para proteger as pessoas, baseadas na ética civil, e não em mandamentos que nem todos seguem.


Mas meu sonho vai além.


Sonho de que a liberdade de consciência seja tão sagrada quanto qualquer templo. Que em cada um desses países laicos, todas as religiões — sem nenhuma exceção — possam ser praticadas livremente, em paz e segurança. Que o direito de rezar seja tão respeitado quanto o direito de não rezar.


Sonho de que o Dia do Orgulho Ateu possa ser celebrado à luz do dia, com a mesma alegria e naturalidade com que celebramos o Natal, a Páscoa ou o Dia do Orgulho LGBTQIA+. Que assumir a descrença não seja um ato de coragem diante do preconceito, mas um simples ato de identidade em uma sociedade madura.


Eu tenho um sonho!


Sonho com o dia em que uma criança não será julgada pela fé de seus pais ou pela ausência dela. Que ela possa crescer em um mundo onde a moralidade não depende do medo do divino, mas do amor pelo humano. Onde a bondade seja praticada não pela promessa do paraíso, mas porque é a coisa certa a se fazer aqui e agora.


Tenho um sonho de que as barreiras da intolerância caiam. Que ateus, cristãos, muçulmanos, judeus, budistas e agnósticos possam sentar-se à mesa da fraternidade, unidos não pela crença no sobrenatural, mas pela crença inabalável na dignidade humana.


Que a nossa "fé" seja na capacidade de construirmos, juntos, um mundo onde a razão nos guie e a compaixão nos una.


Este é o meu sonho. Esta é a esperança com a qual encaro o futuro. E que a liberdade ressoe, para quem crê e, com o mesmo orgulho, para quem não crê.

Montanari 12/02/2026

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

"Encontro em Pamplona"




Sob o céu de Navarra,  eu e Hugo procuramos

Refúgio após a jornada que começou em Saint-Jean.

Xícaras de café fumegantes, testemunhas silenciosas

De uma conversa que jamais esquecerei.


Hugo fala, e suas palavras são pontes

Entre a filosofia e minha experiência de vida

Cita Sartre em cada frase, em cada gesto.

"A liberdade, um fardo e uma dádiva”.


Eu escuto e minha alma se expande

Reconhecendo-me nas palavras do amigo

"A vida, um palco de escolhas e ações

Onde cada instante é uma criação"


"A morte, sombra inevitável, não te amedronta

Mas aguça o seu desejo de viver plenamente

Qualidade sobre quantidade, eis o mantra

Que declara as suas falas, meu amigo"


"O seu "aqui e agora" ganha novo significado

Seus planos e desafios, uma afirmação de vida

Dois seres, antes ilhas, agora conectados

Pela compreensão mútua e profunda da existência"


As xícaras vazias ficaram para trás

Mas nossos corações ficaram cheios de promessas

De Pamplona levaram mais que lembranças

Carregaram a certeza de uma existência autêntica.


No horizonte, o Caminho nos chamava

E seguimos, transformados pelo encontro

Prontos para abraçar cada novo amanhecer

Com a coragem dos que escolhem viver.”

Montanari

02/11/2025



Detalhes deste encontro no meu ebook 

FILOSOFIA E AMIZADE

Disponível na Amazon.com.br por R$ 18,00

http://a.co/d/2t8DKuV


terça-feira, 31 de julho de 2018

Liberdade de Expressão na Internet


"Freedom of expression sustain all the other freedoms we enjoy". 

Ian Mcewan. 
foto Montanari


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Meu querido Blog: estou de volta!


Meu querido Blog: estou de volta!

Fui obrigado a tirar férias. Foram 30 dias sem escrever uma linha...

Que falta me fez não ter controle do meu próprio tempo.

É muito triste ser conduzido pelo sistema e não conseguir nem ao menos olhar para o céu e dizer: “hoje vou fazer nada”...

Felizmente, ontem consegui fazer 50 Km de terapia... Minha terapia é rodar com meu triciclo junto com a Marlene... Sentir o prazer indescritível de andar de triciclo... Sem vínculos com qualquer grupo, sem compromisso de chegar a algum lugar, sem hora marcada... Como diria Caetano: sem lenço, nem documento...

Não foi muito, mas o suficiente para sentir como é bom ter tempo para fazer as coisas que amamos!

Como é bom ter o privilégio de poder “não ter que entregar algum produto do nosso tempo” ou “não ter que justificá-lo para quem quer que seja”.

Como é bom ser livre...

Abri um prosecco Nino Franco para comemorar!

Querido blog, acho que estou de volta...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vandalismo nas escolas públicas e a liberdade

Assistindo ontem uma reportagem sobre vandalismo em uma escola pública de São Paulo lembrei-me de um livro que li quando estava no colégio: “Summerhill - Liberdade sem medo”.

Summerhill é um internato na Inglaterra para crianças dos 5 aos 16 anos. Normalmente, frequentado por crianças com problemas de comportamento, com dificuldades para se ajustarem às escolas tradicionais.

A crença fundamental desta escola é que liberdade funciona e que, para as pessoas serem felizes elas precisam ser livres para escolherem o próprio caminho.

Por consequência, o sistema de gestão desta escola é bem diferente das usuais. As regras do jogo são definidas pela comunidade. Professores, alunos e funcionários votam, com pesos iguais, nas assembléias semanais para resolver todos os tipos de problemas.

Os alunos têm liberdade de escolher se assistem às aulas ou não. Têm liberdade de escolher o que comer (se quiserem comer só doces nas refeições, tudo bem!).

Eles têm tem liberdade, mas não licença para fazer o que quiserem!

Liberdade e licença são coisas muito diferentes.

Liberdade não significa que não há regras, responsabilidades ou punições.

Por exemplo, o grupo pode punir, até com a expulsão, um aluno que atrapalha o andamento da classe... Liberdade sim, licença para interferir no direito de outro, não!

Esta escola funciona desde 1921. Seu objetivo é formar pessoas felizes, não engenheiros ou médicos ou mecânicos frustrados!

Quando me lembro da imagem de destruição da escola paulista vejo que nós, educadores, perdemos o foco principal. Deveríamos trabalhar para formar pessoas felizes, cidadãos conscientes e, principalmente não sobrecarregar os alunos com conteúdos direcionados para o vestibular...

Deveríamos focar nosso esforço em cidadania, ecologia, esportes, artes, gestão participativa...

Não damos aos alunos opção de escolha, pois o sistema não nos dá opção de escolha!

Fiquei revoltado, comigo mesmo, com a conclusão que tirei assim que vi, pela primeira vez, a imagem de destruição provocada por estas crianças:

Muitos pais não deveriam ter o direito de ter filhos. Não têm responsabilidade nem competência para criá-los”.

Muitos pais só conhecem o caminho do castigo para obter “obediência” (que chamam “educação”).

Seus filhos nunca aprenderão a ser proativos. São condicionados a reagir.

A grande maioria de crianças criadas nestes lares reproduzirá, na vida adulta, um comportamento destrutivo ou fará parte de uma massa amorfa, sem vontade, sem brilho que passa pela vida sem acrescentar nada à sociedade.

As crianças deveriam aprender, desde pequenos, que a conta de suas escolhas sempre virá com juros (a receber ou a pagar). Infelizmente, a grande maioria não tem a oportunidade de ter opções.

O meio em que vivem os induzem às escolhas...

Desde episódio, agora mais calmo, tiro a conclusão que o Brasil convive com 2 problemas sociais muito graves, e juntos se tornaram uma verdadeira bomba relógio:

1-Muitos professores desmotivados por causa dos baixos salários, das péssimas condições de trabalho e da falta de reconhecimento

2-Muitos pais perdidos, sem valores morais para deixar um legado para seus filhos.

Consequências se a bomba não for desarmada:

O Brasil continuará sendo o país do futuro, o país que acredita e espera o salvador da pátria, o país dos Sarneys, dos Malufs, da lei de Gerson, dos espertos, dos flanelinhas, das propinas, dos motoristas alcoolizados, dos analfabetos funcionais...