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segunda-feira, 3 de novembro de 2025

"Encontro em Pamplona"




Sob o céu de Navarra,  eu e Hugo procuramos

Refúgio após a jornada que começou em Saint-Jean.

Xícaras de café fumegantes, testemunhas silenciosas

De uma conversa que jamais esquecerei.


Hugo fala, e suas palavras são pontes

Entre a filosofia e minha experiência de vida

Cita Sartre em cada frase, em cada gesto.

"A liberdade, um fardo e uma dádiva”.


Eu escuto e minha alma se expande

Reconhecendo-me nas palavras do amigo

"A vida, um palco de escolhas e ações

Onde cada instante é uma criação"


"A morte, sombra inevitável, não te amedronta

Mas aguça o seu desejo de viver plenamente

Qualidade sobre quantidade, eis o mantra

Que declara as suas falas, meu amigo"


"O seu "aqui e agora" ganha novo significado

Seus planos e desafios, uma afirmação de vida

Dois seres, antes ilhas, agora conectados

Pela compreensão mútua e profunda da existência"


As xícaras vazias ficaram para trás

Mas nossos corações ficaram cheios de promessas

De Pamplona levaram mais que lembranças

Carregaram a certeza de uma existência autêntica.


No horizonte, o Caminho nos chamava

E seguimos, transformados pelo encontro

Prontos para abraçar cada novo amanhecer

Com a coragem dos que escolhem viver.”

Montanari

02/11/2025



Detalhes deste encontro no meu ebook 

FILOSOFIA E AMIZADE

Disponível na Amazon.com.br por R$ 18,00

http://a.co/d/2t8DKuV


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

AS COISAS SÃO

 


Sandra aceita o jeito que as coisas são

Motta indaga o porquê tem que ser assim

E eu, peregrino da vida, pergunto:


Por que esperar imóvel

Pela alegria que não vem?


O agora é presença viva

Eu rejeito a resignação! 

Eu abraço a aceitação ativa!


Aceitar não é resignar-se

É dançar com o vento

Mesmo quando ele traz a tempestade


No Caminho, sob chuva torrencial,

Enquanto caminhava para celebrar meus 73 anos,

Aprendi que a presença é um guarda-chuva invisível.


Não lutamos contra o céu

Mas caminhamos sob ele

Com passos de aceitação


Um dia de chuva, um dia de sol

São páginas do mesmo livro

Que lemos com olhos atentos


A felicidade não é um destino

É uma companheira de jornada

Que sorri quando a reconhecemos


No agora, sempre no agora

As coisas são como são

E nós somos com elas

Montanari

Abril 2025

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

O Peregrino da Simplicidade

 


Vaguei por estradas de pedras e sonhos,

Carregando nas costas o peso de ilusões douradas.

Mas foi no caminhar que despi a alma,

E vi a verdade nua diante de mim.


Não há ouro que compre o bater do vento na rosto,

Nem fortuna que se compare ao riso franco de um companheiro.

O pão dividido sabe a gratidão,

E a felicidade esconde-se nos gestos mais simples.


Ah, como são tolos os que buscam fora

O que só pode brotar de dentro deles mesmo!

Correm, afobados, atrás de miragens,

Enquanto a vida verdadeira escorre por entre os dedos.


Sinto o pulsar do mundo nas pequenas coisas,

No grão de areia, nas gotas da chuva, no suspiro do vento.

E compreendo, enfim, que a riqueza maior

É saber ver a grandeza na simplicidade.


Sou eu, peregrino metido a poeta, o mais afortunado dos homens,

Pois aprendi a ler a eternidade nos instantes,

E a encontrar o infinito nos passos da jornada.

A vida simples é meu tesouro, minha conquista suprema.

Montanari


segunda-feira, 9 de maio de 2022

Aconteceu no Caminho para Melide:

 


Não sei bem o que estava sentindo. Talvez o caminhar solitário, a melancolia por estar concluindo o Caminho, não sei… Pensar no fim é triste… Pensar que um ciclo estava acabando… 

Um poema de Mario Quintana me veio a mente:


"Quando se vê, já são seis horas!

Quando se vê, já é sexta-feira!

Quando se vê, já é natal…

Quando se vê, já terminou o ano…

Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.

Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente…" 


Talvez, por ciúmes por não ter sido citado, meu amigo Fernando Pessoa me alerta:

Não digas nada! 

Não, nem a verdade! 

Há tanta suavidade 

Em nada se dizer 

E tudo se entender — 

De sentir e de ver... 

Não digas nada!


E o velho poeta português volta a sussurrar baixinho na minha cabeça:


O Mundo não se fez para pensarmos nele

(Pensar é estar doente dos olhos)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…


Entendi a mensagem… 

Coloquei meus fones de ouvido e comecei a ouvir o trecho "Wir Setzen Uns Mit Tränen Nieder" do Evangelho segundo São Mateus de Bach… Adoro caminhar ouvindo música…

Em Melide, 7.000 habitantes, há a o encontro de dois dos Caminhos: o Francês com o Primitivo. A história desta cidade sempre foi ligada à peregrinação e esta é uma das razões pelas quais ela existe. 

Apesar de ser pequena a cidade oferece mais de 30 opções de alojamento, desde albergues, pensões, casas rurais e hotéis e dezenas de restaurantes. Foi uma boa decisão parar aqui.

Capítulo 44 do meu ebook: Encantos e Encontros no Caminho de Santiago 

https://www.amazon.com.br/dp/B088DMKZKQ/ref=cm_sw_em_r_mt_dp_PEW1C8PXCNWC2SZ1WW07