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sábado, 3 de janeiro de 2026

FELIZ ANO NOVO

 SER ATEU



Ateu, liberto-me das amarras da crença

Questiono, penso, duvido sem temor

A ética brota da razão e da empatia

Não preciso de deuses para ser moral


Ah, a vida! Rara, bela, efêmera

Aprecio-a mais do que os crentes na eternidade

Sou parte do cosmos, tentando entendê-lo

Do pó vim, ao pó voltarei, mas que importa?


O presente é tudo, não há outro plano

Vivo o agora com intensidade febril

Grato por pensar, ver, sentir este mundo

Que oportunidade única, que dádiva!


Aceito serenamente o ciclo natural

A morte não me assusta, é só transformação

Sou ateu, sim, e com orgulho o proclamo

Minha filosofia é profunda, ética, admirável


Desafio os estereótipos, os preconceitos tolos

Meu ateísmo é fonte de significado e beleza

Vejo o universo com olhos maravilhados

E nesta existência finita, encontro o infinito.

Montanari


quinta-feira, 30 de outubro de 2025

AS COISAS SÃO

 


Sandra aceita o jeito que as coisas são

Motta indaga o porquê tem que ser assim

E eu, peregrino da vida, pergunto:


Por que esperar imóvel

Pela alegria que não vem?


O agora é presença viva

Eu rejeito a resignação! 

Eu abraço a aceitação ativa!


Aceitar não é resignar-se

É dançar com o vento

Mesmo quando ele traz a tempestade


No Caminho, sob chuva torrencial,

Enquanto caminhava para celebrar meus 73 anos,

Aprendi que a presença é um guarda-chuva invisível.


Não lutamos contra o céu

Mas caminhamos sob ele

Com passos de aceitação


Um dia de chuva, um dia de sol

São páginas do mesmo livro

Que lemos com olhos atentos


A felicidade não é um destino

É uma companheira de jornada

Que sorri quando a reconhecemos


No agora, sempre no agora

As coisas são como são

E nós somos com elas

Montanari

Abril 2025

sexta-feira, 26 de setembro de 2025

O Peregrino da Simplicidade

 


Vaguei por estradas de pedras e sonhos,

Carregando nas costas o peso de ilusões douradas.

Mas foi no caminhar que despi a alma,

E vi a verdade nua diante de mim.


Não há ouro que compre o bater do vento na rosto,

Nem fortuna que se compare ao riso franco de um companheiro.

O pão dividido sabe a gratidão,

E a felicidade esconde-se nos gestos mais simples.


Ah, como são tolos os que buscam fora

O que só pode brotar de dentro deles mesmo!

Correm, afobados, atrás de miragens,

Enquanto a vida verdadeira escorre por entre os dedos.


Sinto o pulsar do mundo nas pequenas coisas,

No grão de areia, nas gotas da chuva, no suspiro do vento.

E compreendo, enfim, que a riqueza maior

É saber ver a grandeza na simplicidade.


Sou eu, peregrino metido a poeta, o mais afortunado dos homens,

Pois aprendi a ler a eternidade nos instantes,

E a encontrar o infinito nos passos da jornada.

A vida simples é meu tesouro, minha conquista suprema.

Montanari


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Abraços para um mundo mais feliz

 



Frankfurt, cidade de concreto e aço,

Onde a solidão se esconde em cada esquina!

Eis que surge um cartaz, um chamado audaz:

"Abraços grátis" - que proposta divina!


Eu, homem moderno, cético e viajado,

Sinto-me impressionado por esse gesto puro.

Uma linda garota, braços estendidos,

Oferece conexão neste mundo duro.


Que magia é essa que nos envolve?

Ocitocina a fluir, estresse a derreter,

Corpos se encontram, almas se libertam,

Neste abraço efêmero, começo a entender:


Somos todos um, nesta dança cósmica,

Separados por muros que nós mesmos erguemos.

Mas no calor deste abraço generoso,

As barreiras caem, e enfim nos conhecemos.


Ó paradoxo da existência humana!

Precisamos de cartazes para nos abraçar?

Quando o gesto mais simples e verdadeiro

É o que pode o mundo inteiro transformar?


Sigo meu caminho, alma renovada,

Coração pulsando em novo compasso.

Frankfurt já não é a mesma, nem eu,

Transformados pela magia de um abraço.


Que venham mais abraços, mais cartazes,

Mais encontros fortuitos nas calçadas!

Pois é no calor do afeto humano

Que as feridas do mundo são curadas.

Montanari

Frankfurt - 2019


segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Ser feliz?



 Todo mundo quer ser feliz. 

Mas que tipo de felicidade as pessoas desejam? 

É a felicidade experimentada momento a momento? 

Ou é poder olhar para trás e se lembrar de uma época como feliz?

Qual felicidade você está procurando?

Eu, a esta altura da minha vida, confesso que tenho tenho uma preferência clara pela FELICIDADE EXPERIMENTADA EM VEZ DA FELICIDADE LEMBRADA.

Talvez, por focar minha atenção somente no momento presente.

Segundo a profa. Cassie Mogilner Holmes da  UCLA’s Anderson School of Management, aqueles em favor  da felicidade experimentada expressam principalmente uma crença no carpe diem: uma filosofia de que se deve aproveitar o momento presente porque o futuro é incerto e a vida é curta.


Por outro lado, muitas pessoas estão dispostas a perder momentos de felicidade e a trabalhar agora para poder olhar para trás mais tarde e se sentir feliz. 

Essa disposição é necessária, é claro, durante certos períodos da vida. 

Mas negligenciar isso, com muita frequência, pode levar a perder a experiência de felicidade desejada. 

Esses momentos não aproveitados se somam e, juntos, podem ir contra o que muitos acreditam constituir uma vida feliz.

Recomendo o livro: 

O Valor do Amanhã do Prof. Eduardo Giannetti. Muito bom e trata exatamente das escolhas que fazemos… Não fala da felicidade, mas ajuda a entender as consequências das escolhas entre o hoje e o amanhã.


segunda-feira, 7 de maio de 2018

Inteligência Emocional é a Chave da Felicidade na Era Digital



Três passos para a felicidade:

1- Desenvolvimento de emoções positivas

2- Ter um propósito claro e significativo na vida é fundamental para sustentar a felicidade a longo prazo. 

3-Desenvolvimento da resiliência é o terceiro componente altamente essencial da felicidade, pois nos permite lidar efetivamente com as emoções negativas quando elas surgirem.

Indicadores sugerem que os empregos do futuro exigirão muito mais inteligência emocional para complementar as máquinas sofisticadas com as quais trabalhamos. 

As instituições acadêmicas precisam considerar seriamente o papel de desenvolver a inteligência emocional e o bem-estar dos estudantes para garantir que as universidades permaneçam relevantes.

O mundo na quarta revolução industrial exige a integração de sistemas físicos, cibernéticos e biológicos e a automação de um número crescente de empregos.

Fonte:
Mushtak Al-Atabi

Provost and CEO, Heriot-Watt University

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A Selva e o Reencontro com a Humanidade


Sábado, 6 de fevereiro, 6 horas da manhã, eu ainda dormia quando o interfone tocou. Era o Fernando. “E ai cara? Como vai? Que saudades. Vamos tomar café juntos no Frans da Portugal? Preciso conversar com você. Pegue o seu triciclo. Estou te esperando aqui em baixo com o meu. Vê se desce logo cara.”

O que será desta vez?

Fernando acabara de voltar de um treinamento de sobrevivência na selva. Ficara uma semana em Manaus, incomunicável. Pensei que iria falar sobre o curso...

Quando me viu, me abraçou longamente e com muita emoção. Estava irradiante, entusiasmado e feliz como eu nunca vira antes.

Quando chegamos ao Frans, outro abraço emocionado.

Me conta como foi o treinamento?

“Foi legal, você precisa fazer. Cara, como estou feliz em te ver. Sabia que você é o irmão que eu nunca tive? Você é meu melhor amigo” ( E outro abraço. Confesso que fiquei constrangido pelos olhares das outras pessoas, mas Fernando não estava nem ai).

Do treinamento não vou falar nada. Só vou te deixar estar foto. Tô aqui, o primeiro da corda, mostrando a fotografia. Estava quase desmaiando de cansado. No verso tem a senha da minha conta no Santander. Só vou usar o Bradesco. Aqui tem uma procuração. Quero que você cuide do meu apto e do meu carro. Venda quando for o momento. Vou para São João do Caru. Não sei quanto tempo vou ficar por lá ou se vou voltar. Possa ajudar muitas pessoas por lá.

Fernando, você não está muito emotivo por causa do treinamento? Será que é o momento de tomar uma decisão destas?

“Cara, nunca me senti tão feliz na minha vida. Tô alegre, tenho vontade de abraçar todo mundo. Tenho o maior prazer em cumprimentar as pessoas com um sorriso, de conversar, de ajudar... Me sinto livre, leve, capaz de fazer as coisas sem amarras, sem máscaras, ser eu mesmo. Me sinto como uma criança feliz, sem preconceitos. Tenho você, meu irmão, meu triciclo e meu sonho de fazer a diferença naquele fim de mundo. É pra lá que eu vou, sem lenço e documento, eu vou...”

Outro abraço prolongado,e lágrimas... e lá se foi Fernando sem capacete, gritando: “eu te amo cara, eu me amo, quero que todo mundo seja feliz como eu...”

Eu fiquei paralisado, boquiaberto, tentando entender o que aconteceu sob o olhar curioso da atendente e de 4 clientes do café.

O que será que aconteceu naquele treinamento? Será que as privações por que passou o fizeram enxergar sua vida de um outro ângulo? Será que as dificuldades e desafios o fizeram se abrir e expor o seu eu superior? Será que os desafios que enfrentou o fizeram sentir a necessidade de ajudar os outros?

Será que ele não percebeu que ele viveu uma semana intensa, num ambiente “controlado” onde as pessoas poderiam ser elas mesmas e “aqui fora” a realidade é outra?

Fernando me disse muitas vezes: “O homem sensato se adapta ao mundo. O insensato adapta o mundo a si mesmo.”

Tenho certeza que o treinamento o ajudou a se libertar das mascáras, das amarras que estes anos de convivência com pessoas infelizes, amargas, egoístas e sem perspectivas o forçaram a usar como proteção. Tenho certeza que Fernando deveria ter problemas pessoais, escondidos dos outros e dele mesmo. O treinamento, não sei como, expos para ele mesmo seu eu inferior. Fernando se transformou e assumiu a criança pura que sempre existiu dentro dele.

Meu irmão, não sei quanto tempo você ficará longe mas, se voltar, você sabe que encontrará o grande amigo e admirador de sempre. Vá em frente sem medo, siga seu coração. Você é um exemplo de pureza, de dignidade e de bondade que deveríamos encontrar em todos os seres humanos.

Será que existe selva suficiente para treinar e despertar toda essa gente alienada à vida e a felicidade de estar aqui?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Compartilhar, este é o segredo!




Semana passada tive a oportunidade de assistir o filme “Na Natureza Selvagem”, dirigido por Sean Penn. Muito interessante.

Vale a pena assistir, não só pela música e pela fotografia, mas principalmente, pelas mensagens. A minha predileta: “A felicidade existe só se for compartilhada”.

Acredito piamente que a “Necessidade” é a “Força Motriz” do Universo.

É a “falta” que nos move, o “vazio”, a “carência”.

Precisamos nos “completar” para continuar existindo (este impulso está acima da nossa vontade).

Por isto, a “procura” incessante.

Alguns tentarão se “completar” com o “poder”, outros com o “status”, outros com a “religião” ou com a busca do “prazer” ou “bens materiais”. Existem muitas alternativas valorizadas ou rejeitadas socialmente.

O problema é que muitos não têm a oportunidade de refletir e entender a extensão do significado desta força que nos move.

A compulsão pela ação os cegam. São direcionados e controlados pela tremenda “carência”. Carência que faz com que “aconteçam”, “realizem”, “produzam”...

Poucos conseguem enxergar e sentir que a vida oferece mais do que “satisfazer” esta “necessidade” transcendental.

Somos privilegiados por temos lampejos de entendimento da nossa existência.

Infelizmente, para Hirsch (interpretando um caso real), só aconteceu com sua morte.

Vale a pena assistir e conferir.