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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

Brasil, o melhor país do mundo


Era um domingo ensolarado de céu azul. Eu estava pilotando minha Caloi há quase 1 hora quando resolvi parar no Parque do Ibirapuera para tomar um pouco d’ água e descansar no lado sul do lago.

Não tinha pressa. Meu velho mp3 Sony de 8 gigas tinha música suficiente para me acompanhar até o Parque Villa Lobos e de volta até Santo André.

Deitado lá, na grama, olhando as nuvens brancas que lentamente formavam figuras recorrentes da minha infância, pensei comigo mesmo: “Isto é que é viver. Como é bom morar no Brasil. País de primeiro mundo é outra coisa”.

Nossa Prioridade Nacional é a Qualidade de Vida. Objetivo claro e desdobrado! Do presidente a mais humilde empregada doméstica, todos sabemos o que queremos como Nação: Qualidade de Vida através da Educação!

Na Argentina eles falam que Deus é Argentino. Aqui, nós falávamos com orgulho: “Deus criou o mundo, e nós, Brasileiros criamos este Brasil Brasileiro, lindo e trigueiro”.

Somos invejados por todos os países do mundo.

Nosso seguro desemprego chega há 4 anos (claro que obedece a critérios preestabelecidos. Aqui as leis funcionam e todos recebem tratamento justo)... Nosso IDH é 0,985, o terceiro melhor do mundo... Criminalidade extremamente baixa... Respeito à vida e ao meio ambiente... Um paraíso... O país com a maior extensão de ciclovias do mundo!

Somos o que somos porque fizemos acontecer. Mais do que ninguém, nós Brasileiros sabemos que um País é resultado do trabalho de construção consciente de seus cidadãos. Multiplicação dos pães só na bíblia... Aqui trabalhamos duro e com foco. Não temos ilusão e nunca acreditamos num salvador da pátria, como os irmanos...

Senadores corruptos e presidentes demagogos de outros países são motivo de piada entre nós... Sentimos uma mistura de pena e desprezo pela ignorância reinante nestes países. Será que as pessoas não acordarão nunca?

Será que não percebem como são sendo manipulados? Que valores são estes que aceitam o “rouba, mas faz”, “a lei de Gerson”, “cada um para si e Deus para todos”? Será que não enxergam o absurdo que é pagarem imposto de primeiro mundo e receberem serviços de país subdesenvolvido? Ninguém questiona porque seus senadores estão entre os mais caros do mundo e os que menos produzem?

Ainda bem que vivo no Brasil!

Aqui tudo é diferente.

Não culpamos os outros, nem o governo pelas coisas que deixamos de fazer.

Sentimo-nos responsáveis: isto aqui é nosso e nós ajudamos a construir...

De repente acordo. Havia adormecido na grama do Ibirapuera. Olhei para o lado. Minha Caloi havia sumido...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Cocô de cachorro, banheiro público e o IDH. Insensatez?


Tive um sonho.

Sonhei que o país era dirigido por "brasileiros de coração", não por oportunistas, vivaldinos e bandidos de plantão.

O presidente, os governadores, os senadores, os deputados, os prefeitos, os vereadores eram todos pessoas bem intencionadas e tinham somente um objetivo em mente: "Transformar o Brasil no melhor lugar da Terra para se viver". Alinhamento total. Sem conflitos políticos no entendimento da missão deles de "servidores" do povo brasileiro.

O principal indicador de performance do país era o IDH - Índice de Desenvolvimento Humano. "Qualidade de Vida é o que importa". Toda criança, todo funcionário público, todo cidadão, se indagados, dariam a mesma resposta: "Estamos trabalhando para que o Brasil passe do 75o lugar no ranking mundial do IDH para o 1o lugar. Em apenas 20 anos!"

Todas as metas ligadas a Educação, Longevidade e Renda per Capita eram conhecidas e acompanhadas por toda a população. Todo cidadão sabia que tinha que fazer sua parte. Aqueles que não estavam alinhados eram rejeitados pela comunidade. Político oportunista ou incompetente era banido pelo próprio partido. A tolerância com a corrupção, com a criminalidade e com a cultura da mediocridade chegara ao fim.

O País do "jeitinho", O país da "Lei de Gerson", o país do "carnaval, do futebol e das mulheres de bunda fora", o país do "enriquecimento ilícito", o país das "igrejas caça-níqueis", o país do "me engana que eu gosto" estava fadado a dar lugar ao país que é "o paraíso na Terra".

Durante o sonho, comparações com outros países foi inevitável. O sonho virou um pesadelo.

Na Suíça encontrei praças públicas que tinham, a disposição das pessoas que passeavam com seus cachorros, sacos plásticos pendurados. O cachorro fazia cocô, o saco estava logo ali. Não há desculpas para não recolhê-lo.

No Canadá eu vi, num banheiro público, de rua, um cidadão enxugando a pia depois de lavar as mãos. A cultura dominante era: "Deixe como você encontrou, limpo! Outros irão usar este serviço".

Em vários países da Europa, encontrei, em todos os pontos de ônibus, o horário de chegada e saída, que era respeitado!

Na maior parte da Holanda, as casas não tinham muros, os jardins eram bem cuidados e a população não vivia com medo de ser assaltada a noite nos semáforos .

Na Suécia, o ciclo básico era de 9 anos, como o nosso, a diferença era que lá as crianças aprendiam e falavam inglês de verdade.

Na Universidade de Chicago, entrei numa sala enorme, vazia e que só tinha quadros na parede. Olhando mais de perto me dei conta que eram fotos de 73 professores, pesquisadores que por lá passaram e que tinham ganho o prêmio Nobel. (Isto só até o ano 2000). E no Brasil, nenhum prêmio Nobel, sala estava vazia, sem quadros na parede!!!

No Japão, assisti um documentário que relatava a ocorrência de 1 crime por semana. No Brasil 1 crime a cada 20 minutos... Lá 90% dos homicídios são solucionados, aqui menos de 5%... O comentarista disse com um sorriso nos lábios: "O país da impunidade tem como meta ser o 1o no ranking do IDH em 20 anos. Impossível... em 50 anos não estarão nem entre os 10 primeiros..."

Na Inglaterra, um menino de 14 anos comete um crime e vai para a cadeia como se fosse um adulto. Por aqui, um adolescente de 17 anos mata a vontade... Logo será liberado com a ficha limpa.

Acordei assustado e muito triste.

Por que razão não conseguimos acreditar que podemos mudar nossa realidade?