quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

CAp 1- ebook - Japão em Contos -

 1- Primeiro contato

Conheci o Japão aos 9 anos. Foi num dia tão triste que nunca esqueci.

Na época, 1961, não tínhamos televisão. Éramos pobres. Eu viajava pelo mundo, à noite, pelas histórias que minha mãe contava para eu dormir e nos fins de semana que passava na casa de meu avô.

Me lembro muito bem que no sábado seguinte ao meu aniversário, meu avô me disse que tinha duas histórias para me contar. 

Uma triste e uma com final feliz.

“Vou te contar a triste primeiro”, disse ele. “Hoje é o dia Internacional de Combate ao Câncer”. 

Na época eu nunca tinha ouvido essa palavra e nem sabia o que significava. Nem imaginava que existia o Dia Internacional Disto ou Daquilo.

“O que é câncer, vô?”

Ele, com sua costumeira paciência de Jó, me contou que era uma doença muito grave. 

“Lembra quando você ficou com a garganta inflamada, não conseguia comer nada, teve febre alta e ficou de cama e teve que tomar injeção para se curar?”

“Sim, foi muito ruim”.

“Então, essa doença é muito pior. Não tem injeção que faz a gente melhorar. Seu tio Teo está com câncer. Quando você fizer 10 anos, talvez ele não consiga ir ao seu aniversário. Ele fuma muito, por isto ficou doente…”.

Tive uma crise de choro que só mais tarde eu entendi o porquê.

Eu gostava muito do meu tio Teo (Teodoro). Ele e meu avô preenchiam um vazio afetivo que meu pai deixara. 

Depois de um chá com bolachas e muitas palavras de consolo, já deitado para dormir, meu avô me conta a "história feliz”. 

E lá foi ele me dizendo de uma linda terra distante chamada Japão, onde vivia um velhinho, chamado Hanasaka:

“Há muito anos, numa aldeia no alto de uma montanha morava um casal de velhinhos que não tinha filhos. Eles moravam sozinhos com seu cãozinho de pelos brancos, igual ao seu querido Bilu. Só que o deles se chamava 'Shirô', que em japonês quer dizer ‘Branco'.

Um dia, Hanasaka estava cuidando da sua horta e o Shirô não parava de latir tentando desenterrar algo com suas patinhas.

 O velhinho decidiu ajudar o cachorro. Pegou uma enxada para cavar com mais facilidade para achar um osso, pensou ele.  

Só que em vez de encontrar o osso de Shirô, o velhinho encontra um pote com moedas de ouro. 


O velhinho, que tinha bom coração, decidiu dividir com os vizinhos as moedas e assim deixar todos felizes. 

Um dos vizinhos, muito invejoso, disse que estava com medo de ficar em casa sozinho com as valiosas moedas de ouro que acabara de ganhar e pediu o cãozinho emprestado por uns dois dias.

Assim que ficou sozinho com Shirô, o vizinho colocou uma corda em volta do pescoço do cãozinho.

'Você vai ter que achar ouro para mim se quiser voltar para sua casa' gritava o vizinho ganancioso enquanto arrastava o cachorro pela redondeza com violência.

Já cansado pelos maus tratos, num determinado momento o cão para e começa a latir. 

O vizinho, pensando que havia achado ouro, mais do que depressa cavou um buraco naquele lugar. E em vez de ouro, achou lixo enterrado que fedia muito.  

Ficou com tanta raiva que deu uma enxadada na cabeça de Shirô que morreu imediatamente.

No dia seguinte, Hanasaka foi visitar o vizinho e descobriu que o acontecera. Chorando carregou o corpo do cãozinho até sua casa e enterrou seu querido companheiro no seu quintal. 

O casal visitava, todos os dias, o local que havia sido enterrado Shirô para depositar uma flor sobre a cova. Eles não conseguiam conter as lágrimas quando lá chegavam.

Na primavera, exatamente no dia 08 de abril, perceberam que uma árvore crescera exatamente sobre o túmulo do cãozinho. 'É um milagre, é o espírito de Shirô que se transformou nesta árvore para nos dizer para não ficarmos tristes', disse o velhinho a sua esposa.

Assim, todos os dias, alegremente eles visitam a árvore para desejar um bom dia ao espírito do seu cãozinho querido.


O tempo passou. 




O inverno chegou e uma forte rajada de vento gelado derrubou a árvore. A esposa do bom velhinho sugeriu trazerem o tronco da árvore para casa. 

Eles acreditavam que dentro do tronco estava o espírito de Shirô. 

"Vamos fazer um pilão com ele, assim podemos preparar a massa para o mochi (bolinho de arroz) que Shirô  tanto gostava", sugeriu a esposa. 

E assim fizeram.

Quando usaram o pilão pela primeira vez presenciaram um novo milagre: o arroz  socado havia se transformado em moedas de ouro. 

Mais uma vez, o bom velhinho decidiu compartilhar as moedas  de ouro com seus vizinhos. 

Ao saber do novo milagre, o vizinho invejoso, foi a casa de Hanasaka, chorando e se desculpando pelo que aconteceu no passado. Para se redimir pediu emprestado o pilão dizendo que iria fazer moedas e distribuir todas elas para a vizinhança, como demonstração de seu arrependimento. 

Na verdade, sua intenção era ficar com todas moedas e se mudar do vilarejo. 

Ao chegar em casa, começou a socar o arroz que em vez de se transformar em ouro, se transformou em uma pasta mal cheirosa. E quando mais socava mais mal cheirosa ficava.

Furioso, cortou o pilão em pedaços e ateou fogo. 

Quando Hanasaka foi buscar o pilão, só encontrou cinzas. Pacientemente, recolheu todas as cinzas  e dirigiu-se para sua casa. Ao passar pelo quintal uma forte rajada de vento espalhou um pouco da cinza sobre uma árvore morta que imediatamente começou a florecer.  De suas ramas, pouco a pouco, começar a surgir lindas flores de cerejeira até que todos os ramos ficaram repletos de flores e um forte perfume se dispersou pelo ar.

A noticia se espalhou pela aldeia e chegou até aos ouvidos dos samurais do reino.

O bom velhinho, carregando o pote com as cinzas, foi escoltado até a “Cidadela do Castelo” onde  moravam os samurais, os nobres e Daimyo, o senhor feudal do Japão. 

A pedido do soberano, o velhinho espalhou as cinzas pelas árvores da região e, para alegria e espanto de todos, brotaram novas e belas flores de sakurá. 

O nobre ficou tão satisfeito que recompensou regiamente o Hanasaka, e ordenou que todos do reino passassem a chama-lo de Hana-saka-Jijii, que significa “o velho que faz florescer as árvores”.

 Até hoje as flores da cerejeira, por sua beleza e brevidade, são consideradas a flor símbolo dos samurais”.


    “Que linda história. Vô, eu prometo para o senhor que vou conhecer o Japão quando for grande”. 

Meu avô saiu do quarto, sem dizer nada, e voltou com uma moeda de 20 centavos com furo na borda. 

Entregou a moeda e disse:

“Então, você precisa visitar o Parque Memorial da Paz numa cidade chamada Hiroshima e deixar esta moeda num dos vasos de flores do Memorial”.

Eu guardei aquela moeda por 53 anos, até cumprir minha promessa. 

Parque Memorial da Paz. 

E a Cúpula da Bomba Atômica (ruínas do Antigo Centro de Exposição Comercial da Prefeitura de Hiroshima).


Capítulo 1 do meu ebook: JAPÃO EM CONTOS


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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Capítulo 16 - O SONHO

 16-O sonho

ESTAING A SÉNERGUES via GR6 e GR65

23 de Abril - nublado/chuva intermitente - 12 graus

Bernardo sempre se preocupou com os detalhes de suas caminhadas, especialmente quando a trilha era compartilhada com amigos. 

Ao planejar a caminhada até Sénergues, ele refletiu longamente sobre a melhor rota a seguir. Embora a GR65 fosse o caminho tradicionalmente mais percorrido, a GR6 oferecia uma alternativa igualmente fascinante, com seus próprios encantos e desafios. 


    A preocupação com o joelho de Gabriel pesou na decisão de Bernardo. Em dias de chuva, devido as subidas e descidas íngremes, este trecho da GR65 era recomendada apenas para os mais experientes. 

Optar pela GR6, passando por Compuac, era prudente e, além disso, ainda preservava a promessa de belas vistas, com pouca presença de asfalto, que ambos os caminhos garantiam.

  Após caminharem 11,8 quilômetros, chegam a Compuac, um vilarejo acolhedor que parecia ter parado no tempo. 

Lá, encontraram um merecido descanso no Le Bristot, o único restaurante da cidade. Foi ali que conheceram Francesco, um peregrino italiano que, à primeira vista, causou a impressão de ser um padre franciscano devido aos seus trajes pouco usuais. No entanto, logo perceberam que Francesco era apenas um entusiasta da simplicidade e da vida de São Francisco.

Em ocasiões como essa, é comum os peregrinos trocarem experiências e informações sobre as trilhas, e não foi diferente dessa vez. Bernardo, Gabriel e Francesco conversaram animadamente como velhos conhecidos. 

Gabriel, sempre solícito, ofereceu a Francesco um COMPEED, um curativo tipo Band-Aid específico para bolhas, essencial para qualquer peregrino. Esse pequeno gesto marcou o início de uma nova amizade. 

Antes de se despedirem da cidade, fizeram uma visita ao único monumento histórico local: a imponente igreja do século XVII


    Os 14 km entre Compuac e Sénergues foi acompanhado por uma chuva intermitente, mas isso não foi suficiente para desfazer a alegria dos três peregrinos. O bom humor de Francesco iluminava o caminho, mantendo o espírito do grupo elevado apesar do clima.


Sénergues com uma população de 438 habitantes, oferece um vislumbre encantador da história e cultura francesas. No coração da cidade encontra-se o majestoso Castelo de Sénergues, datado do século XIII, que pertence à mesma família desde sua construção.

Este castelo, aberto ao público, permitiu que os 3 peregrinos fizessem uma viagem ao passado enquanto exploraram suas estruturas antigas e aprendem sobre as vidas de seus antigos moradores.

A torre do castelo erguida por volta de 1.385 por Aymeric de Senergues, servindo como um refúgio seguro para os habitantes durante a tumultuada época da Guerra dos Cem Anos, impressionou sobre maneira Francesco.  




Segundo Gabriel: "Esta estrutura simboliza a resistência e engenhosidade da época além de oferecer uma vista deslumbrante das paisagens do entorno. Amei!".

A igreja local, apesar de ser é um tesouro para os amantes da história e da arte sacra e abrigar relíquias que datam dos séculos XI e XIII, não impressionou Bernardo. Para amenizar a situação, Gabriel falou ao pé do ouvido de Francesco: “Não leve ao pé da letra o que Bernardo fala. Ele é uma pessoa extremamente cética, o que o leva a interpretar o mundo através de uma lente estritamente lógica e científica. Como ateu, não compartilha da mesma sensibilidade espiritual que muitos de nós encontramos em obras de arte religiosas.” 

Naquele fim de tarde, pouco antes de se hospedarem no albergue L'Ancien Post,   Gabriel sentiu que a escolha da variante GR6, além de acertada, havia enriquecido ainda mais a experiência da peregrinação, tanto que convidou Francesco para participar da sessão pingue-pongue após o jantar.

Pingue-Pongue 23/04 - O Sonho

Francesco é questionado porque está fazendo o Caminho. Sua resposta surpreendeu Bernardo positivamente:

"Às vezes, parece que a escuridão vai nos engolir de vez.  Tanto ódio, tanta maldade...  As bombas caindo, crianças chorando, casas destruídas...  O coração aperta, né?  A gente se pergunta se o sofrimento vai acabar algum dia.

Mas aí, vem uma força lá de dentro, uma fé inabalável, que sussurra: “Acredite no seu sonho!".  Um sonho de paz, de união, de amor.  Um sonho onde o ódio não tem vez, onde a maldade desaparece como fumaça ao vento.  Um sonho onde os sorrisos voltam a brilhar nos rostinhos inocentes das crianças, onde as casas ficam em silêncio, sem o estrondo das bombas.

No sonho não há fronteiras, não há religião.  Turbante ou quipá, véu ou nenhum véu...  Não importa!  A gente é tudo filho(a) do mesmo Pai,  criaturas amadas por Ele.  

  Cristo, Buda, Alá, Krishna, Oxum com  suas vozes se misturando em uma só melodia de paz. Cristãos, Budistas, Muçulmanos, Hindus, Candomblecistas... todos unidos… 

Imagine um coral celestial cantando aqui na Terra, um reino do céu que a gente constrói com as nossas mãos, com o nosso amor, com a nossa fé.

Eu tenho esse sonho! Por isso estou fazendo o Caminho vestido como um frade franciscano. As pessoas me olham com ar de surpresa, alguns me cumprimentam outros ignoram, mas não importa. Eu acredito que todos nós, no Caminho, estamos juntos plantando sementes de esperança, regando-as com compaixão e fé. 

Um dia esse sonho se tornará realidade.  

Porque o amor vai vencer.

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Capítulo 16 do meu ebook:


Peregrinação de pensamentos

Um ateu e um cristão

a caminho de santiago


Luiz Carlos Montanari

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R$ 15,00

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

A natureza da existência e a vida inteligente


Como ateu, apresento uma reflexão sobre a natureza da existência e o lugar da vida inteligente no cosmos:

O Universo, em sua vastidão infinita, não é uma criação, mas uma presença eterna. Ele existe em um estado de fluxo constante, onde nada é verdadeiramente criado ou destruído, apenas transformado. Esta dança cósmica de transformação é a essência da existência, um ballet eterno de energia e matéria em constante mudança.

Nós, seres vivos e conscientes, somos apenas um elo nesta cadeia infinita de transformações. Nossa existência não tem um propósito final além de ser um meio para a continuidade deste processo universal. Somos, ao mesmo tempo, produto e agentes desta transformação contínua.

A vida inteligente, como a conhecemos, é um resultado extraordinário deste processo cósmico. Surgimos de uma série improvável de eventos e transformações, uma confluência de fatores tão rara que beira o milagroso. Nosso planeta, um oásis de vida em um vasto deserto cósmico, é o palco deste fenômeno extraordinário.

No entanto, assim como surgimos, também podemos desaparecer. A mesma força que nos trouxe à existência pode nos levar de volta ao estado de matéria inanimada. Não há garantias na existência universal, apenas o fluxo constante da mudança.

Diante desta realidade, a vida inteligente deveria ser vista com um senso de reverência e admiração profundas. Somos testemunhas e participantes de um evento cósmico de extrema raridade. Nossa existência, fruto de uma probabilidade ínfima, é praticamente um milagre no sentido mais profundo da palavra.

Portanto, deveríamos cultivar uma apreciação quase religiosa pela vida em todas as suas formas. Cada manifestação de consciência, cada ser vivo, é uma joia rara no vasto oceano do cosmos. Venerar a vida não é apenas um ato de gratidão, mas um reconhecimento da nossa posição única e precária no grande esquema do universo.

Em suma, somos parte de um processo universal de transformação, testemunhas conscientes de um milagre cósmico, com a responsabilidade de honrar e preservar este fenômeno extraordinário que é a vida.

Montanari


terça-feira, 16 de julho de 2024

HOJE, A IGNORÂNCIA NÃO É UMA CASA INABITADA,


"HOJE, A IGNORÂNCIA NÃO É UMA CASA INABITADA, desprovida de ideias, mas uma edificação repleta de baboseiras desarticuladas, uma gosma de densidade pesada que ocupa todos os espaços…

…Os novos ignorantes foram abduzidos por uma argamassa de obscurantismo luminescente que os impede de saber de si, de duvidar do que veem, de repensar o mundo…

…O que temos agora é a ignorância fabricada por algoritmos e por tentáculos de silício. Uma ignorância que ocupa e vicia o hospedeiro…

Ao contrário do pensamento que liberta, a ignorância aprisiona e cega…

…AS NOVAS TECNOLOGIAS ALTERARAM EM DEFINITIVO A TEXTURA DA IGNORÂNCIA. Ela não é mais o que sempre foi, não é mais uma cabeça oca, e já não decorre da escassez de informação e de conhecimento. NA ERA DIGITAL, ELA DECORRE DO INVERSO: 

O EXCESSO DE DESINFORMAÇÃO, DE BUGIGANGAS DO ENTRETENIMENTO, DE QUINQUILHARIAS IMAGINÁRIAS E DE FANATISMOS VIRTUAIS."


Baseado no texto do prof. Eugênio Bucci


quarta-feira, 3 de julho de 2024

SEXALESCÊNCIA, HOMENS E MULHERES NASCIDOS ENTRE 1942 E 1962 - SEM PLANOS DE ENVELHECER.

 SEXALESCÊNCIA,  HOMENS E MULHERES NASCIDOS ENTRE 1942 E 1962 - SEM PLANOS DE ENVELHECER.



Circula nas redes sociais um artigo do DR. MANUEL POSSO ZUMÁRRAGA do qual surge um novo termo, a SEXALESCÊNCIA, para identificar um grupo de adultos com 60 anos ou mais. Descreve homens e mulheres que gerenciam as novas tecnologias, modernos, progressistas, ansiosos por desfrutar da vida, aprender, colaborar com a sociedade, viajar, conhecer novas pessoas e possuir seu destino, abdicando da identificação como idosos.

É UMA GERAÇÃO QUE EXPULSOU DA LÍNGUA AS PALAVRAS "SEXA, HEPTA OU OCTOGENÁRIO", 

PORQUE SIMPLESMENTE NÃO TEM ENTRE OS SEUS PLANOS ATUAIS A POSSIBILIDADE DE ENVELHECER. 

Trata-se de uma verdadeira novidade demográfica semelhante à aparição, na altura, da “adolescência”, que também foi uma nova faixa social que surgiu em meados do século XX.

Este novo grupo humano que hoje ronda os 60, 70 ou 80, levou uma vida razoavelmente satisfatória. São homens e mulheres independentes que trabalham há muito tempo e conseguiram mudar o significado assustador que tanta literatura deu ao conceito de trabalho durante décadas.

LONGE DOS ESCRITÓRIOS E CONSULTÓRIOS DE QUATRO PAREDES, MUITOS DELES PROCURARAM E ENCONTRARAM HÁ MUITO A ATIVIDADE QUE MAIS GOSTAVA e ganham a vida com isso.

Deve ser por isso que eles se sentem plenos; alguns nem sonham em se aposentar. AQUELES QUE JÁ SE APOSENTARAM DESFRUTAM PLENAMENTE DE CADA UM DOS SEUS DIAS SEM MEDO DO LAZER OU DA SOLIDÃO. Aproveitem o lazer, porque depois de anos de trabalho, educação de filhos, carências, revelos e acontecimentos fortuitos, vale bem olhar o mar com a mente vazia.

A mulher sexalescente por exemplo, conseguiu sobreviver ao desejo de poder que lhe deu o feminismo dos anos 60 e pôde parar para refletir o que realmente queria. Algumas foram morar sozinhas, outras estudaram carreiras que sempre foram masculinas, algumas estudaram uma carreira universitária juntamente com a dos filhos, outras escolheram ter filhos cedo, foram jornalistas, atletas ou criaram o seu próprio “eu”.

Mas algumas coisas já podem ser dadas como conhecidas, por exemplo, que não são pessoas detidas no tempo; pessoas de "sessenta, setenta ou oitenta", homens e mulheres, manipulam o computador como se tivessem feito toda a vida. Escrevem-se, e veem-se, com os filhos que estão longe e até esquecem do telefone antigo para contatar os amigos. Geralmente estão satisfeitos com o seu estado civil e se não estiverem, não se preocupam em mudá-lo.

Ao contrário dos jovens, os sexalescentes conhecem e ponderam todos os riscos. Ninguém começa a chorar quando perde: apenas reflete, toma nota, cultivam o seu próprio estilo... Eles não invejam a aparência de jovens astros do esporte, nem elas sonham em ter a figura de uma vedete. Em vez disso, eles sabem da importância de um olhar cúmplice, de uma frase inteligente ou de um sorriso iluminado pela experiência. Hoje os sexalescentes, como é seu costume, estão estreando uma idade que ainda NÃO TEM NOME, antes os dessa idade eram velhos, hoje estão plenos fisicamente e intelectualmente, lembram-se da juventude, mas com saudade benéfica e eles sabem disso.

Pessoas de 60, 70 e 80 anos hoje celebram o Sol todas as manhãs e sorriem para si mesmas com muita frequência... fazem planos com a própria vida, não com a vida dos outros.


segunda-feira, 17 de junho de 2024

Aborto é Crime !!!

 Palavra dos Patriotas !



quinta-feira, 6 de junho de 2024

A Mutação do Coronavírus - sinal da não existência de Deus"

EBOOK GRATUITO NA AMAZON.COM.BR DE 08/06 A 11/06/2024 

“A Mutação do Coronavírus - sinal da não existência de Deus" não é para todo leitor. 

Este ebook foi concebido para livres pensadores.
“Livres pensadores… estão dispostos a usar suas mentes sem preconceito e sem temer entender coisas que colidem com seus próprios costumes, privilégios ou crenças. Esse estado de espírito não é comum, mas é essencial para o pensamento correto. ”- Leo Tolstoy
Como disse, Gaston Bachelard: "Nada é fixo para aquele que alternadamente pensa e sonha”.
O texto do ebook é simples e direto. Não tem como objetivo mudar a convicção de ninguém, mas provocar reflexão sobre a nossa existência. 
Já vivi o bastante para saber que Carl Sagan estava certo quando disse: “Não é possível convencer um crente de coisa alguma, pois suas crenças não se baseiam em evidências; baseiam-se numa profunda necessidade de acreditar.” 
Em suma, este ebook foi escrito para aqueles que estão dispostos a usar suas mentes sem preconceito e sem o temor de REFLETIR sobre temas que contrariam suas próprias premissas e crenças.
Vale a pena ler.




sexta-feira, 18 de agosto de 2023

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Quadros na Parede

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Entre reis e plebeus,

Entre ditadores e seus admiradores,

Entre pastores e seus seguidores,

Entre eleitos e eleitores,

a desigualdade se alastra.

Poder como motivação, 

Privilégios como recompensa.

Desigualdade, a ferida que não ter cura.


Quadros na parede 

Riqueza ostentada 

Possuída por poucos

Admirada por muitos.

Não somos todos iguais 

Triste verdade.

Aos pobres, resta o reino dos céus.

Aos privilegiados, os prazeres terrenos.

Triste cenário de contrastes e dor.

Tudo noticiado, em cores, na TV…


Alguns acumulam riqueza 

Outros clamam por ajuda do Estado.

Populações são silenciadas por ditadores que perpetuam o mando.

Eleitores ingênuos se deixam enganar por fake news.

Fiéis adquirirem produtos “milagrosos” para a cura de doenças ou para conquistar o reino dos céus.


De qualquer forma os quadros na parede são lindos.

O que representam?

Quadros na parede!

Qualquer interpretação é devaneio…


Local da foto: 

Salão do Cavaleiro no Castelo de Weikersheim, Alemanha

Texto: Montanari, Quadros na parede.

quinta-feira, 16 de março de 2023

A ilusão da realidade; o real pode não ser bem aquilo que você pensa

 Neste artigo, o jornalista Rubens Macouff reflete sobre as certezas que as pessoas possuem e a percepção que elas tem da realidade vivida.


Redação Jornal Cidade Publicado em 16 abr, 2021

Rubens Macouff




Na versão judaico-cristã da história da criação do mundo, Adão e Eva estão em um jardim e uma serpente convence a moça, que em seguida convence seu parceiro a comer do fruto do conhecimento que Deus os havia proibido de provar. Você se lembra qual foi o primeiro sentimento que eles tiveram quando comeram do fruto do conhecimento?


Orgulho, alegria, excitação? Não. Sentiram vergonha. Vergonha da própria nudez. O mundo que vivemos depende da nossa interpretação, do chamado processo de significação, que por sua vez é feito com base no conhecimento que temos. Quanto menos conhecimento se tem, mais fácil é fazer uma interpretação. Sem muitas varáveis, é fácil ter certeza. É preto no branco.

Segundo a história bíblica, Adão e Eva estavam nus antes de comerem do fruto, mas só sentiram constrangimento por isso, após adquirirem um pouco mais de conhecimento. Note que a realidade em si não mudou. O que mudou foi a percepção que eles dois tinham sobre a realidade após adquirirem mais conhecimento. Certezas são mais confortáveis do que incertezas, não há dúvida disso. O problema é que quando adquirimos uma certeza, paramos de fazer perguntas e são justamente as perguntas, e não as respostas, que fazem a nossa sociedade avançar e nos fazem crescer como pessoas.

No fim das contas, as certezas servem como um refúgio.


Foto: A Queda do Homem, Ticiano, 1550. Foto: Portal Rubens Macouff/ Reprodução