segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Efeito Rebanho



Na vastidão das redes sociais, Carlota viaja

Seus olhos buscam, ávidos, sinais

De pertencimento, de normalidade

Na multidão de posts e WhatsApp 


O instinto primitivo de seguir o grupo

Pulsa em cada clique, em cada curtida.

A aceitação social, tão almejada

Dita os rumos de sua vida.


Milhões de visualizações a seduzem

Como outrora os bailes de 15 anos

A popularidade, sua nova medida da verdade

Substitui a razão, tão frágil e sutil


Carlota compartilha sem questionar

Participa de manifestações que não compreende

O medo de ficar à margem a consome

E sua individualidade aos poucos sucumbe


A multidão decide o que importa

O popular supera o profundo

Carlota, perdida nesse novo mundo

Prefere ser aceita a estar certa


Assim, aos poucos, sua consciência se dobra

À pressão esmagadora do efeito manada.

Acampando na frente do quartel de Brasilia

Sente-se finalmente uma mulher empoderada.

Montanari 

Janeiro 2023


sábado, 25 de outubro de 2025

SER e ESTAR




Na madrugada, desperto

Pés descalços sobre o chão frio

Caminho para a sala vazia

O silêncio, meu companheiro


Sento-me numa poltrona velha

Olhos vagam pelo céu noturno

Estrelas distantes, luzes cintilam

Alguma mensagem ou só o cosmos infinito?


Sonolência mistura-se à curiosidade

Busco significados onde não existem

Sou apenas um peregrino sem sono

Diante da vastidão do universo


O frio avança pelo meu corpo

Lembra-me de minha pequenez

Não há mistérios a desvendar

Só a simplicidade do ser e estar


Na solidão da noite, compreendo:

Sou parte deste mundo, nada mais

As estrelas brilham sem propósito

Como eu, simplesmente existem


O universo não guarda segredos

Apenas é, em sua plenitude

E eu, sentado nesta poltrona desconfortável

Sou testemunha dessa verdade nua.


Montanari

Maio 2025

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Ode a Bach, o Divino

Notas celestiais emanam do ar,

Eu, ateu confesso, sinto-me tremer.

Bach, mestre supremo, arquiteto de sons,

Ergue catedrais sonoras onde antes havia vazio.


A Paixão Segundo São Mateus ecoa,

E o universo parece se reordenar.

Que ironia! Um ateu vislumbra o divino

Nas harmonias tecidas por mãos mortais.


Teólogos e filósofos, em vão buscaram,

O que Bach revela em cada compasso.

A prova da existência do indescritível

Jaz nas partituras, não nos tratados.


O primeiro acorde, um Big Bang musical,

Lágrimas brotam, involuntárias.

Serei eu testemunha de um milagre sonoro?

Ou é esta a face oculta do cosmos se revelando?


O auditório alemão, em silêncio sepulcral,

Absorve cada nota como comunhão sagrada.

Nem censura, nem aplauso - apenas devoção.

A música de Bach, um evangelho sem palavras.


Beethoven disse: "Bach é Bach".

Eu digo: Bach é o pulsar do universo.

Herege ou crente, pouco importa -

Diante de sua música, todos nos curvamos.


Sem Bach, a vida seria um ruído sem sentido,

Um caos sem harmonia, uma sinfonia inacabada.

Eu, ateu apaixonado, encontro minha religião

Nos concertos e cantatas do mestre de Leipzig.


Que divindade é esta que nasce do som?

Que fé é esta que brota de minhas dúvidas?

Bach, tu és o paradoxo divino,

O deus que um ateu pode adorar sem culpa.

Montanari

05/04/2025

terça-feira, 14 de outubro de 2025

"O Dragão da Corrupção: Um Chamado à Ação Cívica"

 



No domingo, 13 de outubro, o bispo de Santo André, Dom Pedro Carlos Cipollini, proferiu um discurso impactante no Santuário Nossa Senhora Aparecida. Sua mensagem contra a corrupção e a ganância, metaforicamente descrita como um "dragão que devora as pessoas", ressoou entre os fiéis presentes, incluindo um prefeito de SBC que fora temporariamente afastado por suspeitas de corrupção.


O bispo enfatizou que a corrupção corrói as estruturas do país, afetando toda a sociedade. Ele destacou o paradoxo de um Brasil rico em recursos, mas assolado pela desigualdade social devido à corrupção sistêmica.


Embora a fala do bispo tenha sido oportuna, é crucial reconhecer que a mudança real requer MUITO mais do que orações. É imperativo que os cidadãos assumam a responsabilidade pelo futuro do país. A verdadeira transformação virá através da educação, do engajamento cívico e da rejeição veemente de práticas corruptas e políticos desonestos.


Para combater efetivamente o "dragão da corrupção", é necessário um eleitorado informado, crítico e ativo. Isso inclui votar conscientemente, baseando-se em propostas concretas, e não em afiliações religiosas ou desinformação, como acontece muito em nosso país. Apenas através da participação cidadã consciente e da exigência de integridade de nossos líderes poderemos construir um Brasil mais justo e próspero.

Montanari

Outubro 2025


segunda-feira, 13 de outubro de 2025

O Desafio da Paz Desarmada

 


"Precisamos de uma paz desarmada."

Assim nos fala a sabedoria do papa Leão XIV.

Uma verdade cortante para o nosso tempo,

engasgado em conflitos, tenso e armado.


A paz verdadeira não se apoia no medo,

não se constrói sobre pilhas de poderio.

Ela se ergue na confiança mútua,

no respeito inegociável à dignidade humana.


É preciso uma rendição radical,

uma paz desarmada e desarmante.

Não basta soltar as armas das mãos.

É imperioso desarmar o espírito,

silenciar a retórica de ódio

que nos envenena a alma.


Indivíduos e nações,

somos chamados ao diálogo construtivo,

a priorizar a justiça para todos,

transcendendo credos e afiliações fugazes.


O Fracasso da Razão! 

Guerra e conflito são a mais clara falência da razão humana.

O espelho quebrado de nossa incapacidade

de resolver disputas de forma civilizada.


Russell e Einstein nos gritaram a escolha:

ou renunciamos à guerra,

ou arriscamos a própria extinção.


Vejam Gaza, o retrato devastador da brutalidade.

Mais de sessenta e sete mil almas silenciadas,

vinte e duas mil crianças perdidas.

Feridos em massa, sequelas permanentes.

A fome como arma, 

atingindo noventa por cento de um povo,

é o abismo da desumanização.


Chegou a hora da Revolução!

Revolução da Consciência!


A voz de Cristo clama por um desafio:

amor incondicional, não-retaliação.

Embainha a espada, diz ele a Pedro.

Uma alternativa poderosa à fúria do mundo.


Para combater a cultura da guerra,

urge uma revolução pacífica da consciência.

Nas democracias, 

o voto carrega o peso da mudança.


Comprometer-se a não votar em

Políticos que apoiam a morte,

Políticos que financiam guerras,

quem lucra com os arsenais.


Parece utopia? Talvez.

Mesmo os supostos Cristãos falham em ouvir a paz.

Mas o esforço deve ser persistente, coletivo.

Somente assim,

com esforço firme e não violento,

o ideal da paz desarmada

poderá ser mais que um sonho distante,

poderá ser uma realidade tangível para nós.


MONTANARI

outubro 2025