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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Casca de amendoim atrasa o Desenvolvimento do Brasil

Fernando me contou que participou, em Mogi das Cruzes, de uma competição de natação onde estavam presentes alguns atletas da Universidade do Texas.

“Eu era um jovem ignorante e não sabia...”.

“Ao observar um americano comendo amendoim e colocando as cascas no bolso do blusão, eu pensei comigo mesmo: Este cara deve ser louco. Porque não joga no chão? Tá sujo, mesmo... tem até resto de sanduiche na arquibancada, que diferença faz uma casca de amendoim a mais?”.

“...Este evento marcou minha vida para sempre. Hoje, depois de 40 anos, ainda vejo o americano guardando as cascas no bolso do agasalho e depois da competição, jogando as na lata do lixo...”

“Aquela cena foi o meu despertar para o significado de cidadania. Acabou com minha arrogância tupiniquim... Senti-me cidadão de um país subdesenvolvido”.

Fernando, infelizmente, não mudamos muito! Continuamos um país de ignorantes que continuam jogando “cascas de amendoim no chão” por que todo mundo faz isto...

Se eles podem, porque eu também não posso?”.

Esta nossa visão subdesenvolvida de que uma “casca de amendoim” não significa nada perante o “lixo que vemos espalhado pelas nossas instituições” gera acontecimentos como jovens parando em vaga de idoso, políticos fraudando licitações como em Dourados, panetones do Arruda, Mensalão do PT, quebra do sigilo dos dados da Receita, gastos absurdos com horas-extras pelo Congresso, eleitor alienado votando em tiriricas...

Convivemos com tanto “lixo” que acreditamos que nos tornaremos um país desenvolvido, mesmo praticando o princípio que uma “casca de amendoim a mais, num chão sujo, não muda nada...”.

Acorda Brasil.

Tá na hora de remover o entulho criado pelo nosso próprio voto.

Não podemos continuar dormindo eternamente... O berço é esplendido, mas está poluído, imundo, nojento, por nossa causa...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

País desenvolvido é outra coisa...


O Brasil precisa crescer de forma consistente.

Muitos políticos e grande parte da população ficaram deslumbrados com a forma com que o Brasil passou pela crise. Apesar de estarmos melhor do que há 8 anos, não fizemos o que deveríamos ter feito. Continuamos cometendo os mesmos erros de sempre. Nos enganando.

Estamos longe de ser um país desenvolvido.

Para mim, desenvolvimento deve ser entendido por qualidade de vida.

Em vez de pouparmos para investir em educação e infraestrutura, gastamos mais e mais. A opção do governo (executivo e legislativo) é consumir hoje e pagar o preço da irresponsabilidade amanhã... Afinal, Deus é brasileiro, Lula é o cara e no fim dá tudo certo...

A visão de mundo do goleiro Bruno e as consequências das ações de seus valores distorcidos não podem ser vistas como um fato isolado. Nosso presidente da República, que deveria ser o guardião maior dos valores éticos, permite-se burlar o sistema eleitoral. Nossos políticos ("ficha limpa"?) agem irresponsavelmente aprovando aumento de despesas acima da receita. O cidadão educado acha que beber e dirigir, burlar a declaração do IR e comprar filme pirata ou mercadoria contrabandeada não é crime. O morador da favela acha que jogar garrafa PET no rio não é problema. O aluno acha que colar na escola não é um ato grave de desonestidade.

Infelizmente, tudo está ligado ao exemplo de nossos líderes e dirigentes.

Um pai que fuma não tem moral para proibir o filho de fumar.

Tudo é possível neste país. Ninguém se sente responsável ou culpado, pois o "problema" causado pelo outro é sempre maior que o meu. Nossa cultura da "permissividade", do "jeitinho", do "me engana que eu gosto", do "conchavo", de "uma mão lava a outra", de "não mexe comigo que eu não mexo com você" não vai levar ao desenvolvimento, a qualidade de vida.

Precisamos mudar! Como? Sendo o mudança que queremos ver.

Sobre o significado da foto acima:

Toda vez que viajo para o exterior sinto como nós, brasileiros, temos lição de casa para fazer.

Na Alemanha percebi que não havia garrafas PETs (de água e refrigerantes nas cestas de lixo das cidades que visitei). Encontrei cestos para coleta de lixo reciclável (papel, vidro, orgânico) mas, não para plástico. Depois descobri que quando você compra uma garrafa d'água de 500 ml por 1,75 euros, você está pagando 0,25 euros pelo vasilhame. Ao devolvê-lo você recebe seus 0,25 centavos de volta. Em muitos locais, você coloca a garrafa numa máquina, que lê, o código de barras da garrafa e emite um "vale"...

O significado por trás desta ação não é só financeiro. Retrata os valores desta sociedade para com o meio ambiente... E isto é só um pequeno exemplo...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Irresponsabilidade e Fantasia

Fernando me ligou a cobrar de São João do Carú. Estava indignado. Seu celular e sua carteira “sumiram” no segundo dia de jornada. Havia partido de Zé Doca e passaria por Santa Inês, Monção, Penalva e retornaria a Zé Doca. Seriam 16 dias de caminhada pelo Maranhão.

“... O grande culpado é o Sarney. Este homem é o símbolo do político que deve ser banido do Brasil. Um irresponsável, um...” (e outra dezena de adjetivos impublicáveis).

“E nossa carga tributária é praticamente a mesma da Holanda. Muito maior do que a dos Estados Unidos, Bélgica e Suíça... como pode? Estes políticos são incompetentes, safados, ...” e mais 2 minutos de atributos. Afinal, era eu quem estava pagando a conta... (Ligação internacional, via Embratel...)

“Venha caminhar por estas bandas pra você entender o que estou falando. Entender não, “sentir” é a palavra correta”.

Ele tinha razão.

Eu havia escolhido outra jornada. Pieterpad, 237 km de outro mundo, outra realidade. Estava a 3 dias do meu destino, quando ele me ligou para “trocar umas palavras”.

Diferentemente de Fernando, estou cansado da nossa realidade. Cansado da nossa pequenez mental, do nosso subdesenvolvimento, da vileza e incompetência de nossos gestores públicos (e Sarney é a bola da vez). Não quero mais enxergar nada disto. Já vi o bastante, já senti o bastante. Quero agora viver o sonho do que poderíamos ter sido (ou quem sabe seremos um dia, num futuro tão distante que não estarei vivo para ver).

Por isto escolhi caminhar na Holanda de van Gogh, em vez do Maranhão de Sarney.

Partimos de Peterburen com destino a Vorden. Uma trilha bem sinalizada e documentada. Você compra o livro-guia (somente em Holandês) que dá todo o trajeto, as opções de parada, o histórico de cada local, o endereço e telefone das famílias que hospedam os caminhantes em seus lares. Normalmente, casais de idosos, cujos filhos casaram e se mudaram, e seus quartos, agora vazios, se tornam fonte de renda adicional. Tudo legalizado, registrado e tornado público unicamente no livro guia desta trilha. Não se trata de Hostel ou B&D. São casas destinados exclusivamente às pessoas que fazem a Pieterpad.

Fantasia? Para nossa realidade e mentalidade, sim.

Numa cidadezinha chamada Ommen, eu e Marlene ficamos hospedados na residência de um casal super simpático. Nos entregou a chave para abrir (se necessário) a porta da sala que era trancada às 10 horas da noite (quando iam dormir). Antes disto, a porta ficava sempre aberta...

Numa outra casa, o proprietário era um motoqueiro “aposentado”. Sintonia total. Ligou para o filho, que morava a poucos quilometros dali, para trazer sua Harley modificada para eu dar uma volta...

Numa outra casa, ficamos no andar superior, onde havia 2 quartos, um banheiro, e no hall uma geladeira pequena com cerveja, vinho e refrigerante. Ao lado, uma mesinha bem arrumadinha, com vaso de flores, copos, talheres, muffins e chocolates, uma lista de preços e uma caixinha de moedas. Você pegava o que queria, pagava e, se precisasse havia moedas para o troco.

Que jornada! Que trilha maravilhosa! Que exemplo de organização e beleza, mantida pelo cidadão para o bem estar da coletividade.

O verdadeiro desenvolvimento social não é percebido pelo PIB, taxa de desemprego ou escolaridade. Segundo Fernando, o melhor é uma caminhada...

Será que um dia teremos a coragem de entregar as chaves de nossas casas para mochileiros desconhecidos?