segunda-feira, 8 de junho de 2009

Números não refletem a realidade


...228 mortos no acidente do vôo AF 447...

...confrontos entre indígenas e o Exército no Peru podem ter deixado mais de 50 mortos...

...44 crianças mortas, todas com menos de quatro anos, no incêndio da creche na cidade de Hermosillo, México...

Os números estão nos tornando cada vez mais insensíveis.

228, 50, 44... O que representam?

Quando vemos a foto e conhecemos a história e os sonhos de uma única pessoa destas listas, percebemos como as estatísticas da violência urbana, das guerras e das catástrofes nos passam despercebidas.

Estes números viraram tão rotineiros que perderam o significado.

“A expectativa é que 500 mil pessoas deixem o Vale do Swat em decorrência dos conflitos entre o exército paquistanês e talibãs...”.

500.000 pessoas, 500.000 sorrisos...

Nada disso importa.

“O universo gira em torno de mim. Eu sou minha prioridade. Eu sou o centro de minhas preocupações. Se eu não sentir, não é importante...”

Autoconsciência? Consciência social? Vontade independente?

Que importa?

Somos todos "humanos com o lóbulo frontal desenvolvido" e filhos de deus... 
Será?

sábado, 30 de maio de 2009

Somos responsáveis pelas organizações que pertencemos


Neste final de semana me encontrei com Fernando. Ele gosta de falar e eu sei ouvir...

O papo girou em torno do porque algumas organizações são consideradas excelentes, enquanto outras são consideradas péssimas. Nas de primeira classe há comprometimento, proatividade e excelência, nas de segunda há indiferença, politicagem e mediocridade.

Fernando trabalha numa Instituição que classifica como “de excelente potencial, mas de péssimo desempenho”.  Até parece que ele estava falando do Brasil...

Depois de muitas idas e vindas (do garçom) chegamos a duas conclusões óbvias (mas, ignoradas pela maioria das pessoas):

1-      O maior responsável pela “Qualidade” de qualquer Instituição “são” seus participantes. Boas instituições são construções de seus participantes. Nenhuma organização é o que é, por acaso. Ela é fruto do trabalho intencional e consciente de seus membros! Isto vale para empresas, instituições de ensino e até países. Um bom exemplo é a Holanda: “Deus criou o mundo, nós (holandeses), a Holanda”.  Outro “bom” exemplo é nosso Senado...  A Holanda é um exemplo de ordem, beleza e limpeza, enquanto nosso Senado...

2-      O segundo maior responsável pela “Qualidade” de qualquer organização é a Liderança. O papel da liderança é alinhar, motivar e inspirar os participantes destas organizações. Seu trabalho é gerar mudanças (de melhoria). Sem uma liderança visionária a instituição percorre a trilha de mediocridade, da complacência e do individualismo destrutivo.

Enquanto nós, como membros, eleitores e cidadãos não nos conscientizarmos que vivemos e trabalhamos na organização, na cidade ou no país pelo qual somos responsáveis pela construção, nada vai melhorar. Enquanto continuarmos a colocar a culpa nos dirigentes que elegemos, nos chefes que toleramos e nos colegas que suportamos nada vai mudar.

Enquanto, as pessoas conscientes, éticas e portadoras de valores morais adequados continuarem se afastando das atividades de gestão, nosso país e nossas instituições continuarão a abrigar oportunistas e inescrupulosos.

Como diz Fernando: “Mudar é Preciso!”

terça-feira, 12 de maio de 2009


Eram 8 horas da noite em Whalley, uma cidadezinha inglesa próxima a Manchester, quando uma turma de adolescentes começou a chegar para comemorar o aniversário de Peter, o filho mais novo de meu amigo J.P. Cornell.

Fiquei pouco tempo, primeiro porque não havia sido convidado, e segundo porque estava de passagem por aquelas bandas e só havia parado para rever  um antigo colega de trabalho. Mas, fiquei o suficiente para presenciar um fato incrível e digno de nota.

Cada jovem que entrava, pegava um copo descartável (para tomar cerveja) e, antes de qualquer coisa, anotava seu nome no copo com uma caneta de ponta porosa!

Não acreditei no que vi. Perguntei pro Cornell, o que estava  acontecendo, e ele me respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo.  “Sinal dos novos tempos: muita cerveja, muito sexo e poluição mínima...”.

Será que está surgindo uma nova geração preocupada com o meio ambiente?

O que aconteceu em Whalley é o prenúncio de que MUDAR é possível!

Em várias escolas e instituições públicas da Europa existem cartazes com os dizeres: “MUDE. Você controla o clima. Reduza. Desligue. Recicle. Ande a pé.” 

O Parlamento Europeu elegeu as mudanças climáticas como prioridade e está investindo pesado na eduação ambiental  da nova geração.

Quanto tempo levará para chegar até nós?  Não sei, mas um dia a vida e o meio ambiente serão respeitados e cultuados neste país.

Nosso maior obstáculo é a mentalidade dos atuais políticos que estão se lixando para a opinião pública e dando exemplos deploráveis aos nossos futuros líderes de como maximizar o benefício pessoal se utilizando do sistema público.

Para mudar a situação temos que acrescentar “uma coisinha” no slogan adotado pelo meu amigo inglês: “Reduza. Desligue. Recicle. Ande a pé. Tome cerveja. Faça sexo.  MUDE . NÃO REELEJA NINGUÉM!”

terça-feira, 21 de abril de 2009

Nossos congressistas roubam e acham que têm direito...


Se fizermos o cálculo da “pegada ecológica” (vide: www.footprintnetwork.org/) de nossos congressistas veremos que, não só pelo episódio vergonhoso e indecente das passagens aéreas, pela generosa verba de auxílio moradia, pelo absurdo dos gastos tolerados com transporte, hospedagem e alimentação, eles estão roubando o direito de futuras gerações existirem.

Se todas as pessoas do nosso planeta Terra tivessem o padrão de consumo dos nossos congressistas, precisaríamos de 8,4 planetas Terras para sustentar este padrão!!!

Nós não precisamos de líderes irresponsáveis que legislam em causa própria.

Nós não precisamos de líderes que mostram continuamente para a população que a ética não faz parte de suas ações dentro e fora do congresso.

Nós não precisamos que líderes que não entendem que estão onde estão para SERVIREM o povo, e não para se servirem dele.

Nós não precisamos de líderes que perderam a capacidade de se indignarem com as mazelas de seus colegas.

A violência no Brasil tem como causa principal  o mau exemplo dado pelos seus líderes ao povo.   Quando olhamos para a África e analisamos os países mais pobres do mundo fica fácil entender como a falta de ética, a corrupção e o despreparo da liderança mantêm a miséria, a violência, a baixa qualidade de vida.

POLÍTICOS ACORDEM! TÁ NA HORA DE CRIAR VERGONHA... Essa mordomia com o dinheiro dos outros não vai durar para sempre!

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cerveja, corrupção e violência...


Neste sábado, em plena semana de Páscoa, tomando cerveja o assunto veio a tona...

A culpa é das “pessoas brancas de olhos azuis”, ou como nós brasileiros acreditamos, “dos outros”?

Fernando e Rita (nomes fictícios, amigos reais), ateus, amantes da música sacra, casados há quase 30 anos e sem filhos por opção consciente, têm opinião muito “focada”: “a culpa pelos problemas sociais no Brasil sempre foi dos gestores”.

Quem assume o papel de liderança ou de administrador de qualquer atividade pública deve ser cobrado com extremo rigor. Tolerância zero! Honestidade e boa vontade não são qualidades, são pré-requisitos.

Infelizmente, a maioria de nossos gestores não merece nossa complacência pois, ou trabalham em causa própria ou são incompetentes.  Veja alguns dados publicados pela Transparência Brasil (www.transparência.org.br ):

1-O custo por parlamentar no Brasil é de R$ 10,2 milhões por ano, 12 vezes maior do que o custo de um parlamentar na Espanha!

2-No Ceará uma pessoa comum precisaria trabalhar durante 1.770 anos, sem gastar um centavo, para gerar o equivalente ao patrimônio de seus senadores. Em Alagoas, esse tempo seria um pouquinho menor, 1.603 anos, e no Maranhão 751 anos (considerando somente os bens declarados...).

O povo brasileiro foi educado pelos gestores (e a igreja contribuiu) para ser tolerante  e complacente com autoridades... (você nunca ouviu a expressão “brasileiro é tão bonzinho”?)

Estamos conformados com a lentidão da justiça e aceitamos a explicação que é lenta porque faltam juízes... mesmo sabendo que o tem Brasil quase 3 vezes mais juízes por habitante do que o Chile (onde a Justiça é, apesar disto, muito mais rápida)*1.

Quando falamos da violência, tendemos a concordar que faltam policiais, mesmo sabendo que o Brasil tem mais policiais por habitante do que os EUA*2.

Quando falamos do futuro deste país lembramos dos péssimos indicadores de desempenho dos alunos das escolas públicas, mas não levamos a sério o projeto de lei do senador Cristovam Buarque  que propõe que os 64.810 ocupantes de cargos eleitorais (vereador, prefeito, deputado, etc.) sejam obrigados a colocar seus filhos na escola pública... 

(detalhes: http://www.senado.gov.br/sf/atividade/Materia/detalhes.asp?p_cod_mate=82166)

Quantos problemas deste país não poderiam ser discutidos e encaminhados numa roda de amigos, numa mesa de bar?  Entre o comentário sobre a barriga de um craque e a crise existencial de outro, a menção dramatizada de que 33% dos nossos senadores têm ocorrências nas Justiças estaduais e/ou nos Tribunais de Contas não passou em branco. Segundo Fernando e Rita, no Brasil, infelizmente, blogs, wikis e twiters perdem feio de um papo bem conduzido numa rodada de cerveja...

Será que estão certos? Só pesquisei os sites recomendados por eles e escrevi este texto influenciado pela conversa no bar... 

*1 e *2: mais detalhes vide “Por que não crescemos como outros países” de João Luiz Roth

quinta-feira, 26 de março de 2009

Construtoras, Castelos & Políticos


Alguém neste País acredita que não exista nenhuma relação entre construtoras e políticos?

Alguém acredita que não exista superfaturamento ou favorecimento a uma ou outra empresa, nas obras contratadas pelas prefeituras, governos estadual ou federal?

Alguém acredita que os serviços pagos pelas empresas públicas, neste País, sejam os mais baratos possíveis?

Quem pode aceitar um senado que tem 81 senadores e mais de 6.000 funcionários apadrinhados? Quem pode confiar num senado que não percebe quão absurdas são as nomeações de diretores, parentes e aspones?

Quem pode acreditar em políticos que elegeram como presidente do conselho de ética, um deputado com o histórico de José Araujo e, que ainda defende “penas alternativas” para evitar cassações?  

Meus Deus, ESTE PAÍS NÃO É SÉRIO MESMO. Os políticos já perderam o senso do ridículo. Como conseguem?

Apesar de tudo, ao contrário do que muitos pensam, Brasil tem jeito!

Não seremos eternamente conhecidos no exterior como o País do carnaval, do futebol, das prostitutas, da violência e da corrupção. Temos muita gente boa e bem intencionada, que não perdeu a capacidade de se indignar e que não aceita o status quo.

Essas pessoas precisam, cada vez mais, se manifestar, se expor e assumir cargos públicos.

Os meios de comunicação são as armas da democracia. Vamos usá-las! 

segunda-feira, 16 de março de 2009

Bônus e o privilégio da minoria


O que está acontecendo na seguradora americana AIG tem alguma semelhança com o que acontece aqui no Brasil em muitas instituições?

Será que é MORALMENTE ACEITÁVEL uma minoria se beneficiar, em detrimento de uma grande maioria?

Será que é MORALMENTE ACEITÁVEL saber de alguma coisa e fazer que não temos nada com isto?

Como a Diretoria da AIG, que realizou 61 Bilhões de dólares de prejuízo no quarto trimestre de 2008, não tem vergonha de tentar explicar o pagamento (hoje) de 165 milhões de dólares de bônus para um pequeno grupo de funcionários?

Justificativa?

A empresa precisa reter os melhores talentos para poder se recuperar...

Qual deve ser a reação do povo?

Boicotar os produtos da empresa? Protestar publicamente? Cobrar a demissão de toda a diretoria?

Nossos políticos falaram recentemente em aumentar o próprio salário, pagaram horas-extras nos meses de recesso... O que é isto, senão mais um exemplo da prática usual de privilegiar uma minoria em detrimento de uma grande maioria? Isto é uma prática tão comum, que nem achamos indecente!

Só vejo uma maneira de eliminarmos as injustiças geradas por gestores corruptos, antiéticos e imorais: o uso da informação como forma de pressão coletiva, quer seja para não permitir a reeleição de políticos sem-vergonha ou para boicotar produtos e empresas antiéticas.

Na “Era Digital”, preservar a imagem é questão de sobrevivência: “Pisou na bola, a informação se torna pública”!

O lema: “Consumidor (Eleitor, Cidadão) informado, jamais será vencido” se tornará uma realidade em nosso País e o grande público irá se manifestar...

Até lá, “coragem colega” e “boca no trombone digital”!

domingo, 8 de março de 2009

08 de Março, Dia Internacional da Mulher, reflexão e desilusão

O arcebispo de Olinda e Recife, Jose Cardoso Sobrinho, considera o aborto um crime mais grave do que o estupro de uma menina de 9 anos.  Segundo ele, os médicos que realizaram “este crime" (aborto legal) merecem ser excomungados (pena máxima aplicada pela igreja), enquanto que o padrasto,  o estuprador,  merece o perdão, pois se “arrependeu” dos 3 anos de abuso...  

Será que, pelo fato da violência sexual contra menores ser “um crime menor” e bastar “o arrependimento sincero” para se obter o “perdão da igreja”, que muitos padres que praticaram abusos sexuais contra crianças estão ainda na ativa? (protegidos pelo expediente do "arrependimento & perdão")

Segundo  o New York Times, em 2007, a arquidiocese de Los Angeles aceitou pagar 660 milhões de dólares a mais de 500 vítimas de abusos sexuais cometidos por padres desse bispado, uma soma significativa no escândalo de pedofilia que atinge desde 2002 o clero dos Estados Unidos.

Em 2004 a diocese de Orange (Califórnia) pagou 100 milhões de dólares para encerrar 90 processos e, em 2005, a também californiana Oakland entregou 56 milhões a suas 56 vítimas.

Em 2006 a diocese de Convington (Kentucky) pagou 84 milhões de dólares a 350 vítimas de abusos.

Será que não já não passou da hora da igreja católica rever seus conceitos, permitir o casamento de padres, incentivar mulheres no exercício do sacerdócio e abandonar práticas da Idade Média?

A Igreja existe para servir, ou se serve para continuar a existir?

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Muitas, algumas ou nenhuma lágrima: uma questão de escolha!


Max de Pree disse que devemos deixar “uma herança” por onde passamos.

Por herança, ele se referia a nossa marca pessoal, nossos valores, nossas ações e atitudes que influenciam outros de maneira positiva (tanto na vida pessoal como profissional).

A morte de alguém sempre me fez refletir sobre este “dever” de tentar deixar “uma herança” para não sermos esquecidos.

Três casos recentes. Três situações diferentes. O mesmo questionamento: Se eu pudesse voltar no tempo, tentaria ser uma pessoa diferente?

Acácia, Margarida e Hortência se foram.

Acácia, amada e popular, viveu e morreu cercada por muitas pessoas. Seus 42 pares de sapatos e as dezenas de bolsas foram doados. Sensação estranha esta de sentir como vivemos acreditando que precisamos de tantas coisas... Carrego comigo todos os meus bens?

Margarida, respeitada e tolerada, viveu e morreu cercada por algumas poucas pessoas da família. Trabalhava para se manter ocupada. Não tinha tempo para olhar, ver e sentir o céu estrelado ou a beleza de uma tarde chuvosa. Inutilidades?

Hortência, incompreendida e impopular, viveu e morreu sozinha. Seu corpo foi descoberto uma semana após sua morte. Amigos? Se estou feliz e alinhado com meus valores, o que importa o resto do mundo?

Não dá para avaliar a grandiosidade de uma vida pela morte.

Cada um é único e fruto de suas possibilidades e, principalmente escolhas.

Não vai fazer a menor diferença para mim, quando eu me for, muitas ou nenhuma lágrima... mas, neste momento, enquanto vivo, os sorrisos e abraços são importantes !

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Eutanásia, Aborto e o Futuro


Liberdade é um conceito moderno e incompreendido por muitos.

Num futuro, não muito distante (estarei vivo para presenciar?), todas as atuais amarras religiosas, políticas e sociais que nos impedem de viver livremente, na sua plenitude, cairão por terra.

A sociedade será menos hipócrita e ignorante.

As religiões não mais serão necessárias e desaparecerão.

O bairrismo, o territorialismo e o conceito primitivo de nação serão sobrepujados pelo conceito mais amplo de “Ser Humano”.

Deixaremos de adorar símbolos, que tentam representar a grandiosidade que é viver, para simplesmente vivermos e sentirmos, livremente, como uma parte privilegiada deste universo (que somos) que tem consciência de sua existência fugaz.

Esta ânsia primitiva de querer marcar território, de possuir, de consumir deixará de ser a força motriz que move a sociedade, deixará de ser a expressão motivadora da existência humana.

O ser (o sentir, o viver, o ver, o entender) prevalecerá ao ter.

Discussões sobre a eutanásia, como no recente caso da italiana Eluana, que foi obrigada a ficar 17 anos vivendo em estado vegetativo, contra sua vontade, não mais existirão.

Casos como da americana, Terri Schiavo, 15 anos presa a equipamentos, enquanto recursos judiciais iam e vinham, e um grupo de pessoas se achava com autoridade moral para decidir se ela teria ou não o direito de uma “boa morte, morte doce, morte sem dor nem sofrimento” (eutanásia) serão lembrados como exemplo da ignorância e hipocrisia de uma época.

Todas as pessoas terão o direito de decidir sobre suas vidas e como desejam morrer. O sistema funcionará para assegurar as liberdades de escolhas.

O aborto será legalizado e embora raro, será aceito sem ressalvas.

Como temos muito a caminhar e aprender!

Como sociedade ainda não aprendemos a respeitar a vida e não entendemos o significado da sua grandiosidade.  

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Comportamento de viciado?


Muitas Instituições se comportam como um viciado.

O mecanismo básico de defesa (a qualquer vício) é a negação.

“Renunciar por quê?”... “Não tenho nada a esconder”... “Não tenho dinheiro no exterior”...

“Minha fortuna foi construída honestamente”... “Fazemos jus ao nosso salário”...

Quantas vezes ouvimos isto de nossos políticos?

A hipocrisia, o isolamento, a falta de percepção da realidade são maneiras comuns de viciados responderem a crise.

Mentem para si mesmos, pois não querem admitir seus desvios.

A hipocrisia toma conta do ambiente, pois ninguém expõe, com franqueza, o que pensa.

A busca frenética por mais “poder”, mais “dinheiro”, mais “tempo” (a satisfação está lá fora) é mecanismo de fuga de um viciado.

Não admitindo seus problemas, nunca conseguirão resolvê-los.

A ilusão de que tudo está sob controle acaba deteriorando a ética.

Eventos grotescos, altamente repugnantes não são Institucionalmente tratados de forma adequada.

Pelo fato de, neste País, termos ignorantes demais, esta falta de consciência, de valores e de ética na política é aceita como “normal”.

E o problema se arrasta...

A única saída para recuperar uma Instituição com comportamento de viciado é a avaliação externa.

Por esta razão, a imprensa e a população consciente precisam explicitar “o vício”: Comunicação é essencial!

Água mole em pedra dura...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quantos planetas Terra são necessários para sustentar nosso estilo de vida?


Ontem estive em São Paulo num shopping center classe A.

Almocei comida mexicana, tomei um expresso numa livraria enquanto folheava 3 livros que havia separado para comprar. Felizmente,  só comprei 1 (pouco antes de chegar ao caixa, devolvi os outros 2). Por muito pouco, não troquei meu celular, que funciona muito bem e tem só 1 ano e alguns meses de uso. Uma de minhas lojas prediletas  anunciava descontos de até 70%. Entrei, e com muito pesar, me contive. “Só” levei 2 garrafas de um cabernet sauvignon chileno e 1 malbec argentino...  Antes de voltar para casa, de carro é claro, passei numa badalada cafeteria para tomar um frapuccino (venti!). Sem falar que durante a perigrinação entrei duas vezes numa loja de informática para namorar um laptop em carcaça de alumínio, bateria retangular (o supra-sumo da tecnologia), que num futuro próximo, desejo que substitua meu core2duo comprado há menos de 1 ano...

Como o consumo exerce um fascínio descabido nas pessoas...

Sempre que saio para fazer compras, procuro lembrar da minha “pegada ecológica” (ecological footprint). Esta medição me alerta “quantos planetas Terra seriam necessários, se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo padrão de vida que eu levo”.

Todos deveriam calcular sua “pegada ecológica”. Para os interessados:

http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/calculators/

Apesar de toda a miséria dos países africanos e do baixo consumo dos países em desenvolvimento, nós , em 1 ano, consumimos recursos (e geramos resíduos) que a Terra leva 1,3 anos para produzir (e absorver).

Se todos os habitantes do planeta adotassem o estilo de vida americano,  seriam necessários quase 5 planetas Terra...

A veneração do consumo está muito errada, mas não temos consciência disto!

Não é a tôa que todos os filmes que retratam o futuro mostram o caos, a devastação, a decadência da humanidade: Nossas expectativas se realizam antés em nossas mentes...

Como não estarei aqui daqui a 50 anos, devo me preocupar?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os pastores, os necessitados e os indiferentes


Um dia destes acordo de madrugada  sem sono e ligo a TV.

Vejo um pastor, um fazedor de milagres, a falar. Com todo o poder a ele conferido, aperta a mão de pessoas humildes para curá-las e livrá-las do “mal”...

Meio adormecido ousei concluir que quanto maior a carência, maior a necessidade, mais os profetas aparecem. Quanto maior a ignorância, mais os ‘salvadores’ prosperam.

Tem sido assim na religião e na política.

Profetas e políticos enriquecem, fiéis e partidários esperançosos permanecem na miséria.

Enquanto isto, uma elite ausente faz que nada vê. (São tantos os problemas deste país que  a manipulação do povo pela fé, é o menor deles).

Tetos caem e continuarão caindo.

O tempo passa e a vida nos “condomínios” continua como se todos os eventos não fossem interagir no futuro. (Lá fora é outro mundo, eu não tenho nada com isto!).

Sei que tudo isto faz parte do processo de desenvolvimento.

A ignorância não durará para sempre.

Através da Educação, os fiéis se tornarão mais descrentes e os partidários mais apartidários, e esses “pregadores da salvação” não mais conseguirão (com tanta facilidade) comprar casas em Miami... 

Quanta energia e esforço coletivo perdido. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Eu, você, Einstein e o cheque especial ecológico


“A explosão da bomba atômica é a menor das 3 explosões que marcarão o futuro da humanidade”. Esta frase, dita por Einstein para Abbé Pierre, um sacerdote católico francês serve para refletirmos sobre como devemos agir com relação ao “consumo” e ao uso da informação.

Segundo Einstein, “a segunda explosão será a demográfica, a explosão da vida. Nada poderá pará-la. Os progressos da medicina reduzirão a mortalidade infantil muito mais depressa do que vai diminuir a natalidade. Vamos ver explodir algumas partes da Terra. E o equilíbrio do planeta vai ser comprometido”.

Finalmente, “a terceira, a explosão do conhecimento. Instantaneamente, todas as noticias serão conhecidas. Os pobres vão começar a sofrer por sofrerem. Um dirigente que conseguir por a mão sobre os meios de informação será capaz por meio de qualquer noticia falsa, fazer erguer mil milhões de humanos contra outros mil milhões."

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008 foi o "dia da superação", o "earth overshoot day" do ano. A data em que a população humana esgotou os recursos produzidos em um ano pela camada viva que envolve a Terra - a biosfera ou ecosfera. Desde então, estamos além do que o planeta nos oferece - sua biocapacidade. Traduzindo, estamos NEGATIVOS NO CHEQUE ESPECIAL ECOLÓGICO: estamos consumindo mais do que a Terra é capaz de produzir. COMPROVADAMENTE.

Um relatório emitido recentemente pela WWF e Global Footprint Network mostra que daqui a 50 anos a humanidade vai precisar de 2 vezes mais do que nosso planeta pode fornecer.

Hoje, o planeta leva 1,3 anos para “produzir” o que foi “consumido” em 1 ano, “ecologicamente” falando. Este comportamento levará ao término dos ativos ecológicos do planeta, a sangria dos recursos do planeta, como florestas, oceanos e terra agricuturável, afetando perigosamente a econômica.

Alguns países já consomem muito mais do que podem produzir “ecologicamente”  falando. Veja quantos planetas seriam necessários se o padrão de consumo, de todas as pessoas da Terra, fosse como a dos países abaixo:

Estados Unidos: 5,4 Planetas Terra

Canadá:               4,2 Planetas Terra

Inglaterra:             3,1 Planetas Terra

Em 1971, o ecologista Paul R. Ehrlich, publicou o best-seller "La Bombe P". Nele, denunciou a "proliferação humana", que compara a um "câncer": "carros demais, fábricas demais, detergentes demais, pesticidas demais... óxido de carbono demais. A causa é sempre a mesma: gente demais na Terra".

Felizmente, a taxa de crescimento populacional reduziu dramaticamente dos anos 70 para cá, mas, não resolveu o “X” da questão.

O relatório, Perspectivas do Meio Ambiente para 2030, publicado em 2008 pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é assustador:  aquecimento de 1,7 a 2,4 graus centígrados em 2050. Seca, tempestades, inundações, destruição das infraestruturas. Empobrecimento dos  ecossistemas. O crescimento do "estresse hídrico" para 3 bilhões de pessoas - uma água mal distribuída e maior poluição do ar.

Especialistas da OCDE afirmaram: "A população não representa um problema em si. As pressões exercidas sobre os recursos naturais e o meio ambiente não vêm do número de habitantes, mas de seus hábitos de consumo".

Qual a saída? O que cada um de nós pode fazer?

Usar a 3ª bomba de Einstein, “O poder da informação”, para o “bem” do Planeta.

Só assim evitaremos a violência como meio de resolução de conflitos.

Só assim evitaremos o consumo irresponsável causado por uma população excessiva.

Precisamos fazer nossa parte: Consumo e Informação responsáveis.

MUDAR É POSSÍVEL !

Coragem!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Redução da idade penal


O assunto é complexo e polemico, mas precisa ser tratado. Não fazer nada ou manter a situação atual não é aceitável.

A pobreza, a falta de empregos, a concentração urbana, a baixa qualidade de vida, a falta de perspectivas, a sensação de impunidade e a falta de confiança na liderança dos políticos deste País são, provavelmente, os maiores alavancadores da criminalidade.

Conseguiremos esperar o País crescer economica e politicamente para propiciar uma melhor distribuição de renda e então sentirmos uma redução no número de crimes praticados por menores? Conseguiremos esperar que nossos políticos e líderes expressem seus valores em ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população e não só deles ou dos seus grupos de interesse? Podemos esperar até que a educação e valores transmitidos pelos pais se tornem tão sólidos que os menores não sejam seduzidos pelas promessas de facilidades do mundo do crime?

A resposta é não. Precisamos acelerar o processo.

Infelizmente, estamos num estágio de desenvolvimento coletivo tão rudimentar que as diferenças entre liberdade e licença, entre “o certo” e “o errado”, entre o legal e o ilegal precisam ser “estimuladas”.

No estágio de desenvolvimento social que nos encontramos, alguém em sã consciência acredita que somente com campanhas educativas os motoristas respeitariam a velocidade máxima nas estradas? Ou o uso do sinto de segurança? Ou “se beber, não dirija” ?

Quantos crimes graves são cometidos por menores estimulados pelo fato que não serem legalmente responsabilizados?

Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca, países defensores dos direitos humanos, estabelecem a idade penal em 15 anos. Nestes países a qualidade de vida é muito maior e a justiça funciona muito mais eficientemente do que aqui. Consequência: o número de menores de 18 anos presos é extremamente baixo. Boas condições de vida e a sensação que o crime não compensa asseguram estes resultados.

E nós? Quando seremos uma Suécia? Está correto considerar um jovem de 16 ou 17 anos que comete um assassinato como um “menor”, um “irresponsável”?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os novos 10 mandamentos


1-  1- Se esforce para ser considerado (a) uma pessoa legal e divertida.  (Nos relacionamentos, não conseguir enxergar os outros é sinal de mediocridade e inferioridade no desenvolvimento pessoal).

2-  2-Você tem liberdade para fazer o que quiser desde que não prejudique outras pessoas, a natureza ou a sociedade.

3-  3-Se beber, não dirija.

4-  4-Não fume nem consuma drogas.

5-  5-Não coma em excesso e faça exercícios regularmente. (Malhar melhora a auto-estima e reduz o custo social agregado pela redução da qualidade de vida).

6-  6-Recicle e consuma menos supérfluos. (Economize água e energias. O preço pelo consumo irresponsável é sempre pago com juros pelas próximas gerações).

7-  7-Não tenha mais do que 2 filhos seus. (Tem gente demais neste planeta).

8-  8-Não fique alheio ao que acontece ao seu redor. Participe. Nunca se omita.

9- 9-Não siga nenhuma religião, partido político ou mandamento se, de alguma forma, prejudicar alguém. (Os fins não justificam os meios).

1010- Ignore completamente os babacas. (Babacas não adotam valores adequados para uma vida em harmonia com o meio ambiente e com a sociedade. Estão num estágio de subdesenvolvido “Humano”. Cuidado, a ignorância é a maior ameaça ao desenvolvimento da humanidade).