quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Eutanásia, Aborto e o Futuro


Liberdade é um conceito moderno e incompreendido por muitos.

Num futuro, não muito distante (estarei vivo para presenciar?), todas as atuais amarras religiosas, políticas e sociais que nos impedem de viver livremente, na sua plenitude, cairão por terra.

A sociedade será menos hipócrita e ignorante.

As religiões não mais serão necessárias e desaparecerão.

O bairrismo, o territorialismo e o conceito primitivo de nação serão sobrepujados pelo conceito mais amplo de “Ser Humano”.

Deixaremos de adorar símbolos, que tentam representar a grandiosidade que é viver, para simplesmente vivermos e sentirmos, livremente, como uma parte privilegiada deste universo (que somos) que tem consciência de sua existência fugaz.

Esta ânsia primitiva de querer marcar território, de possuir, de consumir deixará de ser a força motriz que move a sociedade, deixará de ser a expressão motivadora da existência humana.

O ser (o sentir, o viver, o ver, o entender) prevalecerá ao ter.

Discussões sobre a eutanásia, como no recente caso da italiana Eluana, que foi obrigada a ficar 17 anos vivendo em estado vegetativo, contra sua vontade, não mais existirão.

Casos como da americana, Terri Schiavo, 15 anos presa a equipamentos, enquanto recursos judiciais iam e vinham, e um grupo de pessoas se achava com autoridade moral para decidir se ela teria ou não o direito de uma “boa morte, morte doce, morte sem dor nem sofrimento” (eutanásia) serão lembrados como exemplo da ignorância e hipocrisia de uma época.

Todas as pessoas terão o direito de decidir sobre suas vidas e como desejam morrer. O sistema funcionará para assegurar as liberdades de escolhas.

O aborto será legalizado e embora raro, será aceito sem ressalvas.

Como temos muito a caminhar e aprender!

Como sociedade ainda não aprendemos a respeitar a vida e não entendemos o significado da sua grandiosidade.  

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Comportamento de viciado?


Muitas Instituições se comportam como um viciado.

O mecanismo básico de defesa (a qualquer vício) é a negação.

“Renunciar por quê?”... “Não tenho nada a esconder”... “Não tenho dinheiro no exterior”...

“Minha fortuna foi construída honestamente”... “Fazemos jus ao nosso salário”...

Quantas vezes ouvimos isto de nossos políticos?

A hipocrisia, o isolamento, a falta de percepção da realidade são maneiras comuns de viciados responderem a crise.

Mentem para si mesmos, pois não querem admitir seus desvios.

A hipocrisia toma conta do ambiente, pois ninguém expõe, com franqueza, o que pensa.

A busca frenética por mais “poder”, mais “dinheiro”, mais “tempo” (a satisfação está lá fora) é mecanismo de fuga de um viciado.

Não admitindo seus problemas, nunca conseguirão resolvê-los.

A ilusão de que tudo está sob controle acaba deteriorando a ética.

Eventos grotescos, altamente repugnantes não são Institucionalmente tratados de forma adequada.

Pelo fato de, neste País, termos ignorantes demais, esta falta de consciência, de valores e de ética na política é aceita como “normal”.

E o problema se arrasta...

A única saída para recuperar uma Instituição com comportamento de viciado é a avaliação externa.

Por esta razão, a imprensa e a população consciente precisam explicitar “o vício”: Comunicação é essencial!

Água mole em pedra dura...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quantos planetas Terra são necessários para sustentar nosso estilo de vida?


Ontem estive em São Paulo num shopping center classe A.

Almocei comida mexicana, tomei um expresso numa livraria enquanto folheava 3 livros que havia separado para comprar. Felizmente,  só comprei 1 (pouco antes de chegar ao caixa, devolvi os outros 2). Por muito pouco, não troquei meu celular, que funciona muito bem e tem só 1 ano e alguns meses de uso. Uma de minhas lojas prediletas  anunciava descontos de até 70%. Entrei, e com muito pesar, me contive. “Só” levei 2 garrafas de um cabernet sauvignon chileno e 1 malbec argentino...  Antes de voltar para casa, de carro é claro, passei numa badalada cafeteria para tomar um frapuccino (venti!). Sem falar que durante a perigrinação entrei duas vezes numa loja de informática para namorar um laptop em carcaça de alumínio, bateria retangular (o supra-sumo da tecnologia), que num futuro próximo, desejo que substitua meu core2duo comprado há menos de 1 ano...

Como o consumo exerce um fascínio descabido nas pessoas...

Sempre que saio para fazer compras, procuro lembrar da minha “pegada ecológica” (ecological footprint). Esta medição me alerta “quantos planetas Terra seriam necessários, se todos os habitantes da Terra tivessem o mesmo padrão de vida que eu levo”.

Todos deveriam calcular sua “pegada ecológica”. Para os interessados:

http://www.footprintnetwork.org/en/index.php/GFN/page/calculators/

Apesar de toda a miséria dos países africanos e do baixo consumo dos países em desenvolvimento, nós , em 1 ano, consumimos recursos (e geramos resíduos) que a Terra leva 1,3 anos para produzir (e absorver).

Se todos os habitantes do planeta adotassem o estilo de vida americano,  seriam necessários quase 5 planetas Terra...

A veneração do consumo está muito errada, mas não temos consciência disto!

Não é a tôa que todos os filmes que retratam o futuro mostram o caos, a devastação, a decadência da humanidade: Nossas expectativas se realizam antés em nossas mentes...

Como não estarei aqui daqui a 50 anos, devo me preocupar?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os pastores, os necessitados e os indiferentes


Um dia destes acordo de madrugada  sem sono e ligo a TV.

Vejo um pastor, um fazedor de milagres, a falar. Com todo o poder a ele conferido, aperta a mão de pessoas humildes para curá-las e livrá-las do “mal”...

Meio adormecido ousei concluir que quanto maior a carência, maior a necessidade, mais os profetas aparecem. Quanto maior a ignorância, mais os ‘salvadores’ prosperam.

Tem sido assim na religião e na política.

Profetas e políticos enriquecem, fiéis e partidários esperançosos permanecem na miséria.

Enquanto isto, uma elite ausente faz que nada vê. (São tantos os problemas deste país que  a manipulação do povo pela fé, é o menor deles).

Tetos caem e continuarão caindo.

O tempo passa e a vida nos “condomínios” continua como se todos os eventos não fossem interagir no futuro. (Lá fora é outro mundo, eu não tenho nada com isto!).

Sei que tudo isto faz parte do processo de desenvolvimento.

A ignorância não durará para sempre.

Através da Educação, os fiéis se tornarão mais descrentes e os partidários mais apartidários, e esses “pregadores da salvação” não mais conseguirão (com tanta facilidade) comprar casas em Miami... 

Quanta energia e esforço coletivo perdido. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Eu, você, Einstein e o cheque especial ecológico


“A explosão da bomba atômica é a menor das 3 explosões que marcarão o futuro da humanidade”. Esta frase, dita por Einstein para Abbé Pierre, um sacerdote católico francês serve para refletirmos sobre como devemos agir com relação ao “consumo” e ao uso da informação.

Segundo Einstein, “a segunda explosão será a demográfica, a explosão da vida. Nada poderá pará-la. Os progressos da medicina reduzirão a mortalidade infantil muito mais depressa do que vai diminuir a natalidade. Vamos ver explodir algumas partes da Terra. E o equilíbrio do planeta vai ser comprometido”.

Finalmente, “a terceira, a explosão do conhecimento. Instantaneamente, todas as noticias serão conhecidas. Os pobres vão começar a sofrer por sofrerem. Um dirigente que conseguir por a mão sobre os meios de informação será capaz por meio de qualquer noticia falsa, fazer erguer mil milhões de humanos contra outros mil milhões."

Terça-feira, 23 de Setembro de 2008 foi o "dia da superação", o "earth overshoot day" do ano. A data em que a população humana esgotou os recursos produzidos em um ano pela camada viva que envolve a Terra - a biosfera ou ecosfera. Desde então, estamos além do que o planeta nos oferece - sua biocapacidade. Traduzindo, estamos NEGATIVOS NO CHEQUE ESPECIAL ECOLÓGICO: estamos consumindo mais do que a Terra é capaz de produzir. COMPROVADAMENTE.

Um relatório emitido recentemente pela WWF e Global Footprint Network mostra que daqui a 50 anos a humanidade vai precisar de 2 vezes mais do que nosso planeta pode fornecer.

Hoje, o planeta leva 1,3 anos para “produzir” o que foi “consumido” em 1 ano, “ecologicamente” falando. Este comportamento levará ao término dos ativos ecológicos do planeta, a sangria dos recursos do planeta, como florestas, oceanos e terra agricuturável, afetando perigosamente a econômica.

Alguns países já consomem muito mais do que podem produzir “ecologicamente”  falando. Veja quantos planetas seriam necessários se o padrão de consumo, de todas as pessoas da Terra, fosse como a dos países abaixo:

Estados Unidos: 5,4 Planetas Terra

Canadá:               4,2 Planetas Terra

Inglaterra:             3,1 Planetas Terra

Em 1971, o ecologista Paul R. Ehrlich, publicou o best-seller "La Bombe P". Nele, denunciou a "proliferação humana", que compara a um "câncer": "carros demais, fábricas demais, detergentes demais, pesticidas demais... óxido de carbono demais. A causa é sempre a mesma: gente demais na Terra".

Felizmente, a taxa de crescimento populacional reduziu dramaticamente dos anos 70 para cá, mas, não resolveu o “X” da questão.

O relatório, Perspectivas do Meio Ambiente para 2030, publicado em 2008 pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é assustador:  aquecimento de 1,7 a 2,4 graus centígrados em 2050. Seca, tempestades, inundações, destruição das infraestruturas. Empobrecimento dos  ecossistemas. O crescimento do "estresse hídrico" para 3 bilhões de pessoas - uma água mal distribuída e maior poluição do ar.

Especialistas da OCDE afirmaram: "A população não representa um problema em si. As pressões exercidas sobre os recursos naturais e o meio ambiente não vêm do número de habitantes, mas de seus hábitos de consumo".

Qual a saída? O que cada um de nós pode fazer?

Usar a 3ª bomba de Einstein, “O poder da informação”, para o “bem” do Planeta.

Só assim evitaremos a violência como meio de resolução de conflitos.

Só assim evitaremos o consumo irresponsável causado por uma população excessiva.

Precisamos fazer nossa parte: Consumo e Informação responsáveis.

MUDAR É POSSÍVEL !

Coragem!

domingo, 11 de janeiro de 2009

Redução da idade penal


O assunto é complexo e polemico, mas precisa ser tratado. Não fazer nada ou manter a situação atual não é aceitável.

A pobreza, a falta de empregos, a concentração urbana, a baixa qualidade de vida, a falta de perspectivas, a sensação de impunidade e a falta de confiança na liderança dos políticos deste País são, provavelmente, os maiores alavancadores da criminalidade.

Conseguiremos esperar o País crescer economica e politicamente para propiciar uma melhor distribuição de renda e então sentirmos uma redução no número de crimes praticados por menores? Conseguiremos esperar que nossos políticos e líderes expressem seus valores em ações voltadas para a melhoria da qualidade de vida da população e não só deles ou dos seus grupos de interesse? Podemos esperar até que a educação e valores transmitidos pelos pais se tornem tão sólidos que os menores não sejam seduzidos pelas promessas de facilidades do mundo do crime?

A resposta é não. Precisamos acelerar o processo.

Infelizmente, estamos num estágio de desenvolvimento coletivo tão rudimentar que as diferenças entre liberdade e licença, entre “o certo” e “o errado”, entre o legal e o ilegal precisam ser “estimuladas”.

No estágio de desenvolvimento social que nos encontramos, alguém em sã consciência acredita que somente com campanhas educativas os motoristas respeitariam a velocidade máxima nas estradas? Ou o uso do sinto de segurança? Ou “se beber, não dirija” ?

Quantos crimes graves são cometidos por menores estimulados pelo fato que não serem legalmente responsabilizados?

Suécia, Finlândia, Noruega e Dinamarca, países defensores dos direitos humanos, estabelecem a idade penal em 15 anos. Nestes países a qualidade de vida é muito maior e a justiça funciona muito mais eficientemente do que aqui. Consequência: o número de menores de 18 anos presos é extremamente baixo. Boas condições de vida e a sensação que o crime não compensa asseguram estes resultados.

E nós? Quando seremos uma Suécia? Está correto considerar um jovem de 16 ou 17 anos que comete um assassinato como um “menor”, um “irresponsável”?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os novos 10 mandamentos


1-  1- Se esforce para ser considerado (a) uma pessoa legal e divertida.  (Nos relacionamentos, não conseguir enxergar os outros é sinal de mediocridade e inferioridade no desenvolvimento pessoal).

2-  2-Você tem liberdade para fazer o que quiser desde que não prejudique outras pessoas, a natureza ou a sociedade.

3-  3-Se beber, não dirija.

4-  4-Não fume nem consuma drogas.

5-  5-Não coma em excesso e faça exercícios regularmente. (Malhar melhora a auto-estima e reduz o custo social agregado pela redução da qualidade de vida).

6-  6-Recicle e consuma menos supérfluos. (Economize água e energias. O preço pelo consumo irresponsável é sempre pago com juros pelas próximas gerações).

7-  7-Não tenha mais do que 2 filhos seus. (Tem gente demais neste planeta).

8-  8-Não fique alheio ao que acontece ao seu redor. Participe. Nunca se omita.

9- 9-Não siga nenhuma religião, partido político ou mandamento se, de alguma forma, prejudicar alguém. (Os fins não justificam os meios).

1010- Ignore completamente os babacas. (Babacas não adotam valores adequados para uma vida em harmonia com o meio ambiente e com a sociedade. Estão num estágio de subdesenvolvido “Humano”. Cuidado, a ignorância é a maior ameaça ao desenvolvimento da humanidade).

sábado, 13 de dezembro de 2008

Menos políticos, mais professores

Que vergonha senhores deputados!!! Como tiveram coragem de aprovar proposta tão indecente? Aumento de 7.554 vereadores. Pra quê?

Este País tem político demais.

Tem muita gente incompetente fazendo nada e vivendo com o dinheiro do povo.  Vereador de Campo Grande (MS) ganha, de salário, R$ 9.500,00 por mês. Metade dos professores deste País ganham menos do que R$ 950,00 reais por mês.

O que é melhor, mais 10 professores ou mais 1 vereador?

O que é melhor, mais 100 professores ou mais 1 deputado?

Espero que os senadores tenham vergonha na cara e não aprovem mais esta estupidez.

Deputado Pompeo de Mattos PDT-RS, nota zero para sua proposta. 

Como você consegue se olhar no espelho?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Centenário do fim do pensamento tribal


New Keukenhof –  05/04/2408

Caminhando pelo parque, admirando as tulipas ao som de Stoiewisk sentimos o significado desta data histórica...

E pensar que há poucos séculos atrás a vida era bem diferente.

Países ricos com mais de dois terços da população de obesos e barrigudos, não por problemas genéticos, mas por problemas culturais, por apego a valores decadentes, egoístas e centrados no consumismo e individualismo.  Países pobres com grande parte da população de viciados, subnutridos e ignorantes. Convicções religiosas levavam a guerras, ou a alienação ou a exploração da população. Ignorância, fé religiosa, falta de visão sistêmica era cultuada e mantida como instrumento de manipulação por vários credos e governos.  

A humanidade era tribal, cultuava deuses diferentes, doutrinas políticas diferentes e identidades nacionais diferentes. Os interesses eram “nacionais”, “regionais”, “partidários” e segregados por agrupamentos religiosos diferentes...  

Os sonhadores da época se perguntavam:

Quantos torcedores mais serão mortos por policiais despreparados? Quantas crianças mais serão violentadas e mortas por animais considerados e julgados como humanos? Quantas pessoas mais serão vítimas de motoristas bêbados e irresponsáveis? Quantas pessoas mais morrerão de câncer de pulmão por ignorância e irresponsabilidade social? Quantos crimes mais ficarão impunes por sistemas judiciários obsoletos, leis medíocres, políticos inconseqüentes e demagogos? Quantas mortes mais causadas por menores viciados em crack continuarão impunes? Quantos negros mais morrerão pela fome ou pela AIDS na África até que se perceba? Quantos mais morrerão em nome de um deus justo, misericordioso e todo poderoso? Quanto mais serão mortos em nome de interesses nacionais? Quantas gerações de “poetas” e “sonhadores” serão necessárias para mudar o “stuts quo”?

A adolescência da humanidade, caracterizada pela ignorância, arrogância, egoísmo e enorme poder de autodestruição, não durou muito.

O amadurecimento custou caro: bilhões de vidas e centenas de anos para reconstrução da nova civilização.

A luta pela sobrevivência do pouco que restou privilegiou o fim do culto a deuses mesquinhos, egoístas e injustos; contribuiu para o fim da cultura do ter, do consumismo e individualismo institucional; e o mais importante, marcou o surgimento de uma população resiliente de adoradores da vida, marcou o fim dos barrigudos, dos subnutridos, dos viciados, dos políticos corruptos e das religiões.

Se existem pessoas que acreditam em milagres, em deus, em vida eterna, por que eu não posso acreditar que um dia a humanidade será de Humanos?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Servir ou se Servir

O sistema de bônus dos presidentes das empresas de capital aberto dá MUITO que pensar.

Em 2006, John Mack, CEO da Morgan Stanley, recebeu US$ 40,2 milhões de bônus.

Em 2007, Lloyd Blankfein, CEO da Goldman Sachs, recebeu quase 70 US$ milhões.

Simplesmente por assumir o comando da Merrill Lynch, o novo CEO, John Thain, recebeu em dinheiro, um bônus de US$ 15 milhões.

Richard Fuld, CEO da Lehman Brothers, recebeu em 2007, U$35 milhões de bônus e, no ano seguinte, por sua gestão irresponsável levou a falência uma empresa de 158 anos!!!

Todas estas empresas têm algo em comum: resultado desastroso em 2008 (que desencadeou uma avalanche na economia mundial).

A quem estes CEO´s estão servindo? A empresa que lideram, seus milhares de acionistas ou a si mesmos?

Tanto se fala de “Líder Servidor” e “Liderar é Servir” que um confronto com a realidade nos induz a acreditar que os autores destes livros de administração moderna são mais poetas do que qualquer outra coisa.

Como o sistema pode permitir falhas tão grandes e premiar com recompensas enormes fracassos anunciados?

Será que não aprendemos que “there is no free lunch?”. Alguém sempre vai pagar a conta. Cedo ou tarde. Com mais ou menos juros!

Estes fatos se referem a empresas privadas que ficaram em evidência nos últimos meses por gestão incompetente, mas, será que é diferente a gestão de instituições municipais, estaduais e federais, especialmente em países do 3º mundo, incluindo o nosso?

Quando vemos, na TV, notícias sobre celulares nas cadeias públicas, desvio de verba na área da saúde, venda de carteira de motorista, políticos envolvidos em escândalos, questionamento sobre enriquecimento ilícito, superfaturamento de obras, não estamos recebendo mais uma confirmação de falha no sistema? No sistema que permite, que não pune e que, até recompensa líderes incompetentes que se servem das instituições em benefício próprio?

Como mudar isto, se até nossos representantes, que fazem e gerenciam as leis, que estão para servir a comunidade, se servem do sistema em benefício próprio em detrimento de outros?

Quanto mais eu conheço o mundo e as pessoas, mais eu vejo como estamos atrasados no nosso desenvolvimento (humano). Mais eu vejo como não se pode ganhar, em detrimento de outros.  A conta vem com juros!  Mais eu vejo que os escritores da administração moderna não são poetas, mas visionários. Mais eu tenho a certeza que o futuro depende das novas gerações. Quantas gerações? Eu não sei, mas, tenho a certeza que o número de pessoas conscientes está aumentando. Quando atingirá a massa crítica? Não dá para estimar.

Quanto mais jovens fizerem seus MBA´s e estudarem “os poetas” da administração moderna que pregam a relação ganha-ganha, o respeito às pessoas, que pregam que “liderar é servir” e “fazer os outros crescerem”, que pregam que todo líder deve deixar como legado, entidades éticas e auto-sustentáveis, mais chances teremos de mudarmos o sistema distorcido e injusto atual.

Até lá vamos continuar vendo e lendo notícias que confirmam que a regra da liderança é: “servir-se” e não “servir”!

Coragem!

sábado, 29 de novembro de 2008

Aquecimento global? O que eu tenho com isto? Não posso fazer nada!

Saber que vou perder uma das mãos amanhã, me causa mais stress do saber que vou perder um dos braços daqui há 1 ano.

É da natureza humana o foco no presente.

O prazer do hábito de fumar tem mais peso do que a probabilidade de sofrer, num futuro distante, as consequências de um câncer.

Nosso modelo,  baseado no consumo excessivo e supérfluo, na destruição dos recursos naturais,  é muito mais relevante, aos nossos olhos, do que um provável caos no clima daqui há 50 anos.

Se posso ter um veículo SUV que faz 6 Km/l por que trocar por um carro pequeno, sem status, que faz 15Km/l?

Se posso ir de carro até a padaria, por que iria a pé?

Se posso trocar “de graça” meu celular a cada 9 meses, por que não fazê-lo?

Por que consertar a sola do sapato, se posso comprar outro par?

Por que tenho que sacrificar meus “direitos”, se daqui há 50 anos, muito provavelmente, não estarei vivo (para sentir as consequências negativas de meu estilo de vida)?

Infelizmente, muitos de nós, ainda está num estágio muito primário de desenvolvimento ,  por falta de capacidade intelectual ou por problemas culturais. Não temos consciência de que a Vida Inteligente é uma ocorrência extremamente rara e frágil no universo... Não é um evento trivial e permanente, como acreditamos.

É um privilégio estar aqui, ver, sentir e poder refletir. É um privilégio tão magnífico, que o respeito às condições pró-vida deveria a ser prioridade número 1 de todos nós.

“Agir hoje de forma coletiva, pensando no amanhã” será o próximo estágio da evolução humana.  Neste estágio veremos mudanças no atual comportamento individualista, mudanças no atual estilo de vida consumista e mudanças nos pressupostos religiosos.

Não dá para sustentar as condições para nossa existência fazendo as mesmas coisas que estamos fazendo.

Meu caro Fernando, pensei sobre o que você disse ontem:  O que eu tenho com isto? Não posso fazer nada”.  Tomei a liberdade de deixar resgistrado aqui alguns trechos de nossa conversa, para você refletir melhor. Quem sabe, um dia a ficha cai, espero...

Veja esta apresentação (não interprete ao pé da letra, pense na mensagem) : http://br.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Ajudar faz bem!

Em 1992, um grupo de alunos do curso de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Chicago, fundou o que chamaram “Giving Something Back”, uma entidade preocupada em engajar alunos, deste curso, em atividades de serviço comunitário e voluntariado. A proposta era “doar algo para a comunidade como forma de retribuição pelo privilégio de estudarem nesta Universidade”.

Esta entidade tem hoje mais de 20 projetos e 200 membros ativos.

Os projetos vão desde, arrecadar fundos para financiar bolsas de estudo, ajudar na construção de casas para trabalhadores de baixa renda, preparar jantares para famílias pobres com pessoas internadas em hospitais, visitar e doar brinquedos para crianças carentes hospitalizadas, dar palestras para alunos de escolas de comunidades pobres entre outros.

O trabalho está muito bem estruturado e acontece ao longo do ano todo.  Sou testemunha que funciona e muito bem: Um colega de classe, em 1996 deu uma palestra interessante numa escola pública da periferia pobre de Chicago. Ele contou a história da sua vida. Como conseguiu, trabalhando "part-time" num cassino, se formar e concluir o mestrado. A intenção era mostrar para aqueles alunos que, apesar do ambiente que viviam, era possível ficar livre das drogas, se graduar e conquistar um excelente emprego.

Nossos alunos, principalmente os das Universidades Públicas, deveriam seguir este exemplo.

Num país como o nosso é um privilégio estudar numa escola pública (sustentada pela comunidade). Principalmente, porque, na maioria das vezes, os alunos destas universidades têm um padrão social e econômico acima da média nacional.

Infelizmente, nem tragédias como a de Santa Catarina despertam a consciência de muitos brasileiros para a necessidade de agir, prestar serviço comunitário, ser voluntário... 

Assistir pela TV e chorar com as imagens da tragédia não é o suficiente. Estas lágrimas não tornam ninguém mais humano!

Ajudar faz bem e é necessário para se construir um País desenvolvido.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Sistema de cotas e a incompetência política

Neste final de semana, 450 mil jovens prestaram o vestibular da FUVEST.

Bom momento para refletirmos sobre a incompetência de nossos políticos que permitiram que nossa educação chegasse nesta situação lastimável em que se encontra.

A avaliação de nossos jovens do ensino médio, em testes de Matemática e Ciências, comparada com jovens de outros países é simplesmente uma vergonha.

Como vamos garantir o futuro do país sem mão de obra qualificada?

A Intel deixou de implantar uma fábrica de "chip" de computador no Brasil, porque não dispúnhamos de mão de obra qualificada. Quantas oportunidades vamos perder no futuro, em função da qualidade do estudante que estamos formando hoje?

Qual a porcentagem de alunos da escola pública que consegue entrar numa universidade de 1ª linha? Para resolver este problema, a proposta de nossos políticos é instituir um sistema de cotas!

A causa raiz do problema das minorias não terem acesso a escolas de 1ª linha está na péssima qualidade do ensino público fundamental e básico. Os investimentos em educação deveriam ser focados na melhoria do ensino, na qualificação e melhor remuneração dos professores, na disponibilidade de tecnologias para tornar as aulas mais atraentes.

Que preocupação temos com o futuro deste país aceitando a situação atual de nossas escolas?

Como podemos aceitar que alunos sejam promovidos sem ao menos saber ler e escrever?

Não podemos ficar passivos com o fato de que a cada ano menos jovens se interessam pela carreira do magistério.  Seja porque é mal remunerada ou porque não a consideram uma atividade nobre.

O sistema de cotas é uma distorção, uma aberração, um “quebra-galho eleitoreiro” para desviar nossa atenção da causa raiz do problema: gestão irresponsável da educação. Não dá para continuarmos aceitando medidas paliativas.

A área educacional precisa de uma reforma urgente. Precisamos partir da visão correta de que a riqueza deste país dependerá, no futuro, do conhecimento e da tecnologia. Precisamos entender que a formação adequada dos jovens trabalhadores do amanhã leva décadas para ser consolidada. Precisamos eleger a educação como nossa prioridade número um, porque o crescimento e a qualidade de vida neste país dependem disto. Mães e pais deveriam participar mais ativamente da vida escolar de seus filhos e lutar por melhorias.

Professores e educadores deveriam trabalhar intensamente para que toda a sociedade aceite como meta estarmos entre os 10 primeiros colocados no ranking internacional de desempenho em Matemática, Ciências e Leitura dos alunos do ensino médio. Tendo uma meta clara e aceita por todos e enxergando nossa vergonhosa classificação, quem sabe políticos, educadores e pais se mobilizassem para mudar a situação atual.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Dia do Perdão?

Hoje fiz  compras numa grande loja de materiais de construção. Na hora de pagar, uma atendente simpática me perguntou se eu poderia assinar a “petição” para criação do Dia do Perdão.

Li e vi que a proposta era da família Ota que teve seu filho, Ives Ota, de 8 anos assassinado pelos sequestradores, ex-seguranças do pai...

Recordei na hora que o pai havia perdoado os sequestradores e inclusive havia visitado um deles na prisão.

NÃO ASSINEI.

Respeito a atitide e as convicções religiosas do sr. Ota.  Eu jamais perdoria um assassino.

Existem pessoas que estão num nível tão primitivo que não merecem ser considerados seres humanos. Eles não têm respeito algum pela vida. Não conseguem entender que a vida é uma coisa tão preciosa, tão rara, que deveria ser adorada.

São tão primitivos e nocivos à sociedade que não merecem perdão. Não podemos tratar os desiguais como iguais.

Se queremos que valores ligados a vida e ao respeito pelo próximo façam parte da nossa cultura, desvios não podem ser tolerados ou perdoados, pelo contrário, devem ser punidos consistentemente.

Um dos grandes problemas da nossa cultura é o “jeitinho”, a tolerância, a excessiva complacência com desvios. Tolerância zero ao crime, seja ele praticado por um viciado em craque, um banqueiro milionário ou político carismático. As regras do jogo são clara e para todos. A punição, infelizmente, não. Porque perdoamos

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Banheiro público: indicador para avaliar desenvolvimento


Tive a oportunidade de visitar muitas empresas.
Para validar minhas conclusões sobre a Qualidade da Gestão, desenvolvi o que considerava na época, 2 excelentes indicadores : o "Banheiro" e o "Restaurante".
Reconheço que há 20 ou mesmo 10 anos atrás, estes indicadores eram muito mais relevantes para refletir a "Mentalidade Gerencial". 
Boas empresas ofereciam banheiros e restaurantes dignos para os funcionários da base da pirâmide ("peãozada"). 
Felizmente, evoluímos muito.
Já não encontramos, com tanta frequência, contrastes gritantes entre banheiros (e restaurantes) do "staff" e da "operação".
Se eu fosse criar um indicador hoje para avaliar a Qualidade da Gestão, eu usaria o "sorriso". Sim, o "sorriso". Nas empresas "bem" administradas, os colaboradores são mais felizes, sorriem mais... Bem, este é tema para outra reflexão...
Estou pensando agora como os banheiros públicos refletem o estágio de desenvolvimento de um povo. 
Em Julho,  estive em Jasper, o maior Parque Nacional do Canadá e constatei a preocupação dos usuários do banheiro público, que fica na principal avenida da cidade, em deixá-lo nas mesmas boas condições que o encontraram. Vi usuários secando a pia, depois de lavar o rosto e as mãos (como normalmente fazemos nos banheiros dos aviões). 
Essa atitude me fez refletir como precisamos evoluir no trato do coletivo.
Depredamos escolas, orelhões, elevadores, pontos de ônibus, bancos de praça entre tantas outras coisas de uso comum... jogamos lixo nas ruas pelas janelas dos carros com tanta naturalidade... 
Não aprendemos a enxergar outros. 
Estamos ainda na primeira infância do crescimento social...
Será que daqui há 20 anos estarei comentando como o respeito e a gestão do coletivo tiveram um evolução impressionante?
 



segunda-feira, 17 de novembro de 2008

País de cabra macho e morte nas Casas Bahia


As notícias de violência me chocam cada vez mais.
Sinal do envelhecimento ou do despertar?
Fiquei horrorizado com o crime que aconteceu dentro de uma das lojas das Casas Bahia na zona sul de São Paulo.
Quanta estupidez, quanta falta de sensibilidade para o valor da vida humana.
Preconceito, falta de preparo, ignorância, valorização do machismo na nossa cultura...
Subdesenvolvimento... triste retrato de nosso País.
Este crime aconteceu dentro das Casas Bahia, mas poderia ter acontecido em qualquer outro estabelecimento sob "a guarda" de vigilantes armados. 
Ou alguém tem a ilusão de achar que isto foi um acontecimento isolado?
Enquanto no Japão ocorre um crime, por arma de fogo, a cada semana. No Brasil, ocorre um a cada 20 minutos !!!
Nosso subdesenvolvimento não é econômico, mas cultural. 
Nossos valores estão completamente distorcidos.
Na Política, nas Instituições Públicas e Religiosas  faltam líderes íntegros, confiáveis que tenham moral para indicar um caminho, servir de guia, servir de inspiração... 
Vivemos num País onde levar vantagem em tudo é uma qualidade. "Cada um para si e Deus para todos" é um lema tão aceito quanto "rouba, mas faz"...  
Um país que perdeu a oportunidade de banir, via plebiscito, a posse de armas, por pura ignorância.
Um País, onde você pode votar para presidente aos 16 anos, mas se comete dezenas de crimes bárbaros, não pode ser julgado como adulto, pois é menor...
Quando será que a minoria consciente vai começar a se manifestar e fazer pressão para que este estado de coisas mude?


sábado, 15 de novembro de 2008

Meu avô Caetano e a crise mundial


Meu avô Caetano morreu de câncer quando eu tinha 15 anos. Fumava muito...
Era pedreiro. "Sem ambições", dizia meu pai.
"O velho poderia ter muita coisa, ganhar muito mais, ser outra coisa,  mas não tem ambição... vê se não me sai igual  a ele..."
Na época eu não entendia meu avô, mas gostava muito dele. 
Lembro de uma ocasião que estávamos passeando por um laranjal numa fazenda de Americana e eu tive a coragem de perguntar porque meu pai falava tanto que ele se contentava com pouco, que não tinha ambição, que era um péssimo exemplo para os netos. Meu avô, sorriu pra mim, me deu umas polkans que acabara de colher e falou: "Vou te contar um segredo: A gente tem muito mais do que precisa".  Imediatamente concluí  que meu avô era rico e não queria que ninguém soubesse para evitar brigas dos parentes por causa de dinheiro. Achei ( erroneamente ) que as coisas faziam sentido. Como podia, meu avô tão inteligente ser um pedreiro? Falar com todo mundo, sobre tudo com tanta tranquilidade, se não soubesse alguma coisa que ninguém sabia? Ai perguntei onde guardava a riqueza dele, pois, ninguém desconfiava de nada. A resposta só fui entender muitos anos depois de sua morte: "Carrego comigo todos os meus bens".  
Interessante que ouvindo um repórter da CNN falar que a crise atual se deve a redução do consumo nos Estados Unidos e China, imediatamente lembrei do meu avô: "Temos demais, consumimos demais." 
Será que o velho enxergava tão a frente e via  que caminhávamos para um sistema que não conseguiria se sustentar indefinidamente? 
Será que iniciamos a fase inicial de mudança do modelo baseado no consumo como sustentáculo do "way of life"? 
Será que estamos começando a enxergar que o modelo baseado no consumo desenfreado de recursos naturais, matéria-primas e energias não-renováveis é o grande responsável por toda a crise econômica atual? (e quem sabe, pela condição miserável que vive grande parte da humanidade?).
Não.
Acho que não.
Mais provável que meu avô vá continuar sendo considerado um homem sem ambições, que sua frase predileta: "Carrego comigo todos os meus bens", significa somente que é um pobretão.
E a Bolsa vai continuar oscilando até que alguém descubra um jeito do consumo voltar a crescer.



quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Líderes, Obama e o Brasil


Tem muita gente que, pela posição hierárquica em sua organização, se considera um líder.
Mas, na verdade não o é.
Para ser considerado Líder, precisa obrigatoriamente de uma coisa: ter seguidores voluntários.
Estamos cansados de ver políticos, gestores e diretores arrogantes (e "humildes" também) que se enganam pois,  acreditam piamente serem líderes. 
Pobres coitados. 
Assim que perderem a autoridade formal, perdem o status de "líder" (que nunca tiveram).
Aqueles que acompanharam a eleição americana, os discursos de OBAMA, suas idéias e propostas consegue reconhecer um verdadeiro líder.
Nosso país é a m.... que é, pois falta liderança.
Faltam políticos, de princípios,  que acreditem piamente na sua visão e consigam mobilizar as pessoas para a situação sonhada.
Líderar é alinhar as pessoas, é motivar, é inspirar rumo ao novo.
Você pode me perguntar, o que pode uma única pessoa fazer por uma sociedade gigante?
A resposta é simples: "Criar uma idéia mobilizadora".
Obama conseguiu isto no seu discurso que virou uma música lindíssima e tema de sua campanha: "Yes, we can".

"...Sim, nós podemos ter justiça e igualdade.
Sim, nós podemos ter oportunidade e prosperidade.
Sim, nós podemos cicatrizar esta nação.
Sim, nós podemos reparar este mundo.
Sim, nós podemos..."

Quando, neste nosso País, teremos a oportunidade de encontrar um político que conseguirá mobilizar milhões de pessoas em torno de uma visão que norteará todas as suas ações?