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terça-feira, 2 de junho de 2026

Viver é Sentir


O vento no rosto

A chuva tocando na pele

O azul do céu se desdobrando

Novas paisagens a cada curva

O som... ah, o som da máquina

Vibrando promessas de liberdade


A estrada ficando para trás

6.284 km de redescoberta

Aos 63, o coração ainda jovem

Pulsando com a adrenalina do desconhecido


Campos floridos dançando ao vento

Lagos tranquilos espelhando nossos sorrisos

Estradas desertas que nos pertenciam

Só nós dois e a Nova Zelândia inteira


O triciclo, máquina fantástica

Carregando sonhos e dois aventureiros

Cada parada, um novo despertar

Cada amanhecer, uma página em branco


O silêncio das montanhas

O sussurro dos vales

A cumplicidade de quem divide

A mesma sede de viver


Um novo amanhã

Porque viver é isso:

Sentir que ainda há estradas

Esperando por nós

Montanari


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

RUMO AO SOL DA MEIA NOITE

 Décimo Nono Dia: Katrineholm

    O trajeto de Arkersund a Katrineholm foi também muito tranquilo. Boas estradas, céu azul e muito verde, aliás uma constante na Suécia. 


    Quando planejei a viagem pensei em parar 2 dias em Estocolmo. Eu iria direto de Vastervik a Estocolmo, sem desviar o caminho para Husquarvna e Arkesund.    Mas, isto me impediria de visitar a fábrica da motocicleta dos meus sonhos… 

    Então, preferi fazer um desvio a oeste para passar em Husqvarna e depois subir até Askersund e Katrineholm usando estradas secundárias.   Foi uma ótima decisão.


    Valeu pelo visual do trajeto, pela tranquilidade das estradas e principalmente por ter tido a oportunidade de visitar a antiga fábrica da Husqvarna, hoje transformada num belo museu… Não me arrependi.

    Katrineholm é uma cidade industrial com cerca de 20 mil habitantes. No passado, Ericsson e Scania representaram, por muito tempo, a força motriz da cidade. Hoje muitos dos moradores trabalham em Estocolmo cujo acesso de trem é relativamente fácil.

    Aproveitei o final de tarde para rodar pelos bairros da cidade. 

    O que senti? Que seria mais feliz se vivesse aqui. 

    Depois, lembrei de Walt Whitman:  


    Meu poeta disse que somos do tamanho do que vemos, e eu quero ver mais. Preciso ver mais para continuar existindo…

    Preciso me enriquecer com experiências, desenvolver minha imaginação, colecionar recordações enquanto ainda há tempo, porque um dia, não conseguirei mais viajar, nem sentir a alegria de viver, então por que continuar?

    E, só para me contrariar, meu poeta sussurra na minha mente:


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Capítulo 20  do meu ebook: 

Rumo ao Sol da Meia Noite

Relato dos 88 dias de uma viagem solitária de triciclo pela Europa para ver o Sol da Meia Noite no extremo norte da Noruega, mais precisamente em NORDKAPP.

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terça-feira, 10 de maio de 2022

SOL DA MEIA NOITE

 


Viajar só é preciso. 

O destino? 

Qualquer que seja este destino, esta jornada será sempre um encontro consigo mesmo. 

Foi o que aconteceu comigo quando, sentado lá em Nordkapp, no chão,  ouvindo as músicas que amo e vendo o sol da meia noite! 

Tive a oportunidade de refletir como foi importante para mim aquela viagem solitária de triciclo. 

Como me sentiria se nunca conseguisse realizá-la? 

Depois dos 65, a consciência da morte me afetou de forma muito profunda. Senti a necessidade de me libertar da rotina e dedicar o maior tempo possível para realizar aqueles sonhos sufocados pelos compromissos cotidianos: 

-Uma longa viagem solitária; 

-Percorrer o Caminho de Santiago novamente; 

-Ver a Aurora Boreal; 

-Visitar a Universidade de Uppsala na Suécia para apaziguar a mágoa de não ter utilizado a bolsa de estudos que ganhei após a conclusão do curso de graduação; 

-Escrever outro livro; 

-Brincar com meus netos. 

Quantas pendências ainda preciso eliminar para partir com serenidade?

Para um ateu, como eu, que reconhece o imenso valor de estar vivo, de possuir a capacidade de poder pensar, sentir e se emocionar, a responsabilidade de querer deixar de existir é enorme. 

Quando minha lista de sonhos a realizar for a zero, qual a razão para eu continuar vivendo? 

Reconheço que não vivo para servir outros. Sou escravo de mim mesmo. Sou prisioneiro de minhas necessidades e sonhos, mas de forma alguma, ficaria ou seria feliz causando sofrimento ou prejudicando outros. Meus valores morais guiam minhas ações. 

Minha vida só tem sentido se estiver enriquecendo meus sentimentos e experiências alinhada com minha visão de mundo. 

Olhando aquele espetáculo da natureza, senti que tenho, ainda, muito que crescer, aprender e viajar... 


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

ACONTECEU COMIGO!!!? Na Alemanha…uau?

 


Adoro a Alemanha. Em 2010, fiz de triciclo a turística Rota Romântica. Foram pouco mais de 400 km entre Würzburg e Füssen. 

As cidadezinhas medievais sempre me atraíram…

Minha parada favorita neste trajeto foi Rothenburg ob der Tauber. Passei 4 dias por lá. 

A cidade é linda, com ruas de paralelepípedo, casinhas lindas usando o método construtivo enxaimel, todas decoradas com flores e fachadas coloridas…um conto de fadas.

Rothenburg ob der Tauber em 1.170, em plena Idade Média e já tinha a praça central (Marktplatz), a Igreja de St. Jakob e o Castelo Staufer. 

Três quilômetros de muralhas e torres, construídas durante o século XIII, circundam a cidade… e é possível caminhar por elas.

Me hospedei no hotel Alte Brau­haus, por estar bem no centro e ter um bom estacionamento para o triciclo. O edifício foi no passado um antiga cervejaria, mas as acomodações eram ótimas.

No meu segundo dia, um sábado, desci para tomar o café da manhã. Todas as mesas estavam ocupadas. Um senhor, que estava sentado sozinho, acenou para que eu compartilhasse a mesa com ele. 

Seu nome era Asa Carter, um americano cinquentão, simpático disse que conhecer Rothenburg fazia parte da sua Bucket List (lista do que fazer antes de morrer). 

Acabamos ficando amigos. Tomamos muita cerveja juntos. 

Após tomarmos mais cervejas e Steinhaeger Schlichte do que deveríamos, na noite de segunda, numa mesa de bar, veio a surpreendente revelação. Ele me contou sua história. Asa Carter não era um turista comum. 

O filme "Fora da Lei" dirigido e estrelado por Clint Eastwood foi baseado em um de seus livros ("Gone to Texas") que escreveu com o pseudônimo de Forrest Carter.

“Por que você não usou o seu próprio nome?”, indaguei para meu colega.

"Meu verdadeiro nome, Asa Earl Carter, deixou de ser bem visto. Adotei Forrest Carter para fugir do meu passado. Deixei o bigode crescer mudei meu cabelo e de estado”, responde meu colega.

“O que aconteceu?” pergunto.

Ele sem muita papas na língua responde. "Fui líder da Ku Klux Klan, escrevi vários discursos anti-semitas e segregacionistas e, só muitos anos depois me tornei um romancista. Eu escrevi o discurso para a cerimônia de posse do governador George Wallace e a frase que ficou famosa: "Segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Acho que até vocês, no Brasil, ouviram comentários sobre este discurso."

Cheguei a concorrer nas primárias democratas para governador do Alabama com uma chapa segregacionista. Não tive sucesso. Mesmo assim, continuei atuando por bom tempo na KKK.

Como meu relacionamento com George Wallace se deteriorou muito por ele amolecer com a proposta segregacionista, me senti traído, então decidi abandonar o política, mudar de nome e me dedicar a escrever romances. O meu mais famoso best seller foi "The Rebel Outlaw: Josey Wales” (em tradução livre, “O bandido rebelde: Josey Wales”).

“Não nego que continuo sendo segregacionista. Os brancos são superiores aos negros e aos judeus. Jesus era branco. Duvido que no céu haja negros. Nem na última ceia havia negros. Deus é branco. Os Estados Unidos tem 50 estados e somente 6 estados conseguiram eleger um senador negro. 

Infelizmente, o problema é que o país está apodrecendo  e perdendo espaço para abortistas, defensores dos direitos humanos, feministas, judeus, defensores dos LGBT'S e para o lobby antiarmas. Não sei onde vamos parar…”

  “Sinto muito”, interrompi Carter, “você é um cara legal, mas de forma alguma compactuo com sua visão de mundo. 

A tendência, no futuro, é a humanidade reconhecer que todos têm os mesmos direitos, ninguém é superior a ninguém independente de credo, cor, nacionalidade, orientação sexual, afinal somos todos moradores do mesmo planeta. 

Nosso pensamento evoluí e continuará evoluindo neste sentido. As pandemias e catástrofes naturais, num primeiro momento dividirão a humanidade em grupos. Mas, com o tempo, perceberão que a sobrevivência de um grupo em detrimento de outros, a longo prazo causará o fim de todos. 

Evoluiremos para sobreviver.

Aristoteles falava que os asiáticos eram inteligentes e covardes, os loiros do Norte eram valentes, mas ignorantes. E que somente os gregos haviam sido agraciados pelos deuses com a inteligência e a valentia. Eram superiores.

Quem apoiaria uma afirmação destas hoje?

Na Idade Média, nas Universidades ainda era discutido se camponeses estavam aptos a conviver em sociedade pela dificuldade de se expressarem na língua das cidades. Eram bichos. Daí que surgiu (nas Universidades) o termo “bicho" que precisava passar por um trote (teste) para provar sua aptidão. 

Quem concorda, nos dias atuais, que os trabalhadores do campo não estão aptos a conviver nas cidades? 

A igreja católica adotou, por muito tempo, o pensamento de Tomás de Aquino sobre hierarquia. Do Senhor, descendo aos arcanjos e anjos, chegando aos sacerdotes e passando aos leigos poderosos para atingir as pessoas comuns. 

Desta forma Deus encontra-se além de todos os nossos sentidos e apenas por intermediários recebemos a sua ajuda. 

Contra esta visão de privilégios para os que estão mais próximos a Deus, surge Calvino, para quem a comunidade é mais importante do que a hierarquia eclesiástica.

Alguns séculos depois “Nós, o povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a justiça, assegurar a tranqüilidade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar geral, e garantir para nós e para os nossos descendentes os benefícios da Liberdade, promulgamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América…”

Como sociedade evoluímos muito até agora. Mas, ainda há grupos que vivem sob a régia de ideólogos autoritários do século passado. Abraçando uma cultura de relações de poder, de valorização familiar, favorável à religião, rejeitando costumes que consideram “contrários à natureza”, contrários aos movimentos de minorias como os feministas, LGBT, negros, indígenas e outros.

Você, Carter, não percebe que sua aceitação cega, sem questionamento, no que diz sua religião e na doutrinação que teve quando criança da superioridade da raça branca te impedem de aceitar fatos que contrariam seus pressupostos?. 

Você consegue entender como é limitante o seu modo de pensar? 

Sua visão de hierarquia de raças, sua crença em povos escolhidos por um suposto Deus, sua crença em vida pós-morte, tudo isto limita nossa responsabilidade, como humanos, com a continuidade da vida no planeta. 

E o pior, não valoriza o aqui e agora, banaliza o fato extraordinário de estarmos vivos, de pensarmos e sentirmos e glorifica uma suposta vida após a morte ao lado de um suposto criador.

Carter, você não enxerga que o seu nacionalismo irrestrito é semelhante ao fanatismo religioso? 

E que o seu nacionalismo contempla todos os cinco "sinais de alerta” de quando a religião se torna má, descritos por Kimball em seu livro When Religion Becomes Evil (em tradução livre, “Quando a religião se torna má”).  

Se você não os conhece, os 5 sinais são: 

1-afirmações de uma verdade absoluta, 

2-obediência cega, 

3-noção de que o mundo não é perfeito, mas no tempo certo Messias virá

4-os meios justificam os fins e 

5-a declaração de Guerra Santa.

Eu enxergo que a religião pode até dar uma contribuição para a vida política, mas, na maioria dos países, é uma influência negativa. Muitas vezes sendo hipócrita, arrogante e autoritária. Desperta impulsos, às vezes irracionais que podem causar estragos. E frequentemente gera intolerância à outras religiões e predisposição à violência. 

“Luiz, eu te ouvi atentamente”, comenta Carter, “agora, por favor, me escute e sem me interromper, OK? E aproveita para tomar outra cerveja com calma.

Não consigo provar a existência de Deus, mas há muitas razões para acreditar em Deus. A primeira é que nada que a ciência descobriu explica a existência do Universo. O Universo é tão perfeito e belo que sugerem que uma mente racional está por trás de tudo. Assim como a existência de seu iPod demonstra que existe alguém que o inventou, o mundo em toda sua complexidade aponta para a existência de um Criador, Deus. 

No que diz respeito à origem do mundo, a Bíblia diz que Deus o criou (Gênesis 1:1, João 1:3, Hebreus 11:3). O livro de Gênesis declara que a criação é boa e diz que Deus ficou satisfeito com sua obra. 

Numa coisa você tem razão, o mais importante é entender o   porquê. Por que Deus criou o homem?

São Tomás diz que o objeto de Deus ao criar foi Ele mesmo; Ele criou para manifestar sua própria bondade, poder e sabedoria e se agrada daquele reflexo de Si mesmo. 

Deus é a fonte, centro e objeto de toda a existência. Esta é, portanto, a razão suficiente para a existência do universo.

O homem tem que se conformar ao propósito supremo da criação e não discuti-la. 

A doutrina da Trindade é o ponto central da minha religião, o Cristianismo. Deus é uma relação de amor entre Pai, Filho e Espírito Santo. A essência de Deus é relacionamento.

O plano de Deus foi unir todos as pessoas de fé na terra e no céu através de seu Filho Jesus Cristo (vide Efésios 1: 9-10).

 Na minha visão a família é o base de tudo. Fomos criados para  nos relacionarmos com Deus, com nossa família e com as pessoas que pensam como nós.

Não dá para argumentar com infiéis, traidores, negros, defensores do aborto e do movimento LGBT. Só nós resta lidar com eles pela força.  Essas pessoas possuem crenças para as quais não há justificativa, e são impossíveis de serem toleradas por pessoas de bem. Elas estão contaminando e destruindo nossa sociedade. Nesta situação, a melhor alternativa para garantir nossa sobrevivência é atacá-las, enfraquecer sua base de sustentação. Isso parece criminoso, mas pode ser o único curso de ação disponível para nós, dado o que no que essas pessoas acreditam e defendem”.

Eu não conseguia acreditar o que estava ouvindo. Para dar um respiro antes de retornar ao assunto, eu disse que  precisava ir ao banheiro: “Muita cerveja, preciso dar um pulinho no toalete, volto logo…”.

Quando retornei à mesa só encontrei meu copo de cerveja e o que sobrara meu do Rothenburger Ritterrolle (um tipo de wraps de pão achatado que lembra um burrito). 

Não estava lá nem o copo de cerveja dele e nem o prato de Bierschinken wurst (linguiça de presunto) que ele estava comendo. Logo pensei: "Carter não gostou do meu comentário”.

Chamei o garçom e perguntei do meu companheiro. E ele me responde com um ar de espanto: “Me desculpe, ele saiu e disse que o senhor pagaria a conta.”.

Desconfiei do garçom, mas não disse nada. Agradeci, paguei a conta e voltei para o hotel. 

Chegando lá , pedi para a recepcionista ligar para o quarto de Asa Carter. Ela me informa que ninguém com esse nome estava hospedado lá. Pedi para tentar por Forrest Carter. 

“Senhor, não tem nenhum Carter neste hospedado neste hotel”.

Fui pesquisar na internet se havia existido Asa Carter.  Assustado descobri que Carter havia falecido em 1979…

Quem se passou por ele? 

E por quê? 

Quem foi Carter na vida real? 

Decidi pesquisar. Eu precisava entender o significado daquilo tudo. Afinal sou um ENFP e como tal, tenho a tendência de ver  todas as coisas como parte de um grande e misterioso quebra-cabeça chamado vida.

Tudo o que meu suposto colega, o desconhecido farsante, disse era verdade. Carter nasceu em 1925 e realmente escreveu o discurso contendo a famosa frase "Segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre", e concorreu nas primárias democratas para governador do Alabama em uma chapa segregacionista. 

Anos depois, sob o pseudônimo do suposto escritor Cherokee Forrest Carter, escreveu The Rebel Outlaw e The Education of Little Tree, livro premiado e best-seller que foi comercializado como um livro de memórias.

Eu tive a curiosidade de ler o livro “O Aprendizado de Pequena Árvore (em inglês, The Education of Little Tree) para tentar entender Carter um pouco melhor.

O livro conta a suposta infância do autor com os avós meio-cherokee (Vovô e Granma). Se passa nos anos 30, auge da Grande Depressão. Após ficar órfão, Pequena Árvore, nome indígena de Carter, foi morar com seus avós nas montanhas, nesse período de convivência com os índios Cherokees teve a oportunidade de conviver com a natureza aprender seus segredos, e mistérios.

A história se passa do quinto ao décimo ano de vida do menino, quando ele conhece seu novo lar em um vale remoto na montanha.

O livro é tocante, enche nossos corações de esperança. Traz a mensagem que devemos “recolher da natureza apenas o necessário para sua vida”. 

Forrest Carter relatando a sua infância, nos faz refletir sobre a nossa própria vida, o que é “necessário” para sermos verdadeiramente felizes?

A medida que lemos nos encontramos, escalamos montanhas, cruzamos rios e choramos por Pequena Árvore, por nós, pela vida…Conhecendo as coisas do mundo: que há religiões que dividem em vez de unir as pessoas, que há os que praticam o bem e os que permitem a maldade, que existe o “eu” e que existe o “outro”, e que podemos ser felizes, viver em paz, todos juntos. 

Somos um povo só, a terra é um mundo só. As injustiças cometidas com os índios Cherokee no inicio do século passado, relatadas pelo avô de Pequena Árvore, acontecem também hoje, com os índios, com a natureza. Somos levados a perceber que cometemos estas injustiças, assim como todos, sem exceção, pois estamos ligados na “teia” da vida.

O final comovente enche de lágrimas nossos olhos, mas antes, faz rir, pensar e fundamentalmente mexer com nosso jeito de olhar tudo ao redor, as pessoas, a natureza, os índios e nós mesmos.

Lendo o livro fiquei horrorizado como um segregacionista, líder da Ku Klux Kan, conseguiu ser tão maquiavélico a ponto de escrever “O Aprendizado de Pequena Árvore” somente para se lançar como romancista e criar uma nova vida como Forrest Carter, baseando-se em memórias familiares fantasiosas e fraudulentas, como ficou provado anos depois.

Nunca me esquecerei de Rothenburg ob der Tauber e do  meu colega misterioso.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Aconteceu comigo

 Em 2014, fiz uma viagem solitária de 80 dias pela Europa, num triciclo.



Relato aqui um dos inúmeros eventos que vivenciei.

No 22o dia saio de Alfta em direção a Asarna.

Optei por uma rota pouco usual: pegar a rodovia 296 em vez da 83. 

Queria passar pela zona rural, madeireira.  Valeu a pena?  Segundo o poeta:

"Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena”.

Muito verde, Num trecho fiquei mais de 1 hora sem ver uma alma viva! Nenhum carro cruzou comigo neste período e para complicar, a qualidade daquela estrada secundária tinha o padrão brasileiro de buracos…

Finalmente, vi uma placa, "Välkommen till Los”. 

Pensei comigo mesmo “graças a Deus, vou parar,  tomar um café quente e encher o tanque de gasolina, que já estava com menos de 1/4”.

Doce ilusão.

A cidadezinha tinha uma bonita igreja (fotografei), umas 20 casas, mas nenhum posto de gasolina …

Rodei mais uns 20 km e finalmente encontrei um posto. 

O interessante foi que, pouco depois que abasteci, um caminhão de 8 eixos carregado de toras de madeira parou na bomba de diesel do outro lado. O motorista desce. Era uma loira que parecia ter uns 20 poucos anos. Fiquei impressionado. Pensei comigo:  "Aqui é a Suécia mesmo. Uma pessoa tão jovem dirigindo um caminhão deste tamanho”. 

("Eta pensamento machista" sussurra Simone de Beauvoir no meu ouvido).

Acho que olhei demais. De repente, em voz alta, na frente de todo mundo, ela diz:

"Hey, grandpa. Where did you come from with this trike?”

Respondi: "Germany".

"Volkswagen engine?”

"No, Ford, 1,4 liters".

"Cool. Have a nice trip, grandpa”.

Ela me chamou de vovozinho!!! 

Ela disse isso para me humilhar? Se foi isso, ela foi muito educada. Poderia ter dito:  “Tá olhando o que, meu?”

Não estava interessado nela. Só estava confirmando que neste país não existe trabalho típico para homem ou mulher… 

Pelo trajeto vi mulher dirigindo trator, ônibus, taxi, mulher pintando muro… Muito antes dos americanos ou de nós, eles trabalharam para acabar a desigualdade de gênero no mercado de trabalho.

Finalmente, chego em Åsarna. 

E ESTE É O PONTO QUE INTERESSA E GOSTARIA DE CONTAR:

O Hotel "Big Moose" (que reservei no Brasil) estava fechado. Nenhum carro lá fora. Uma aviso colado na porta dizia para ligar para um determinado número. Liguei. 

DEPOIS DE UNS 10 MINUTOS APARECEU, DE CARRO, A ATENDENTE, ENTREGOU A CHAVE, COBROU E FOI EMBORA. SIMPLES ASSIM.

Eu era o único cliente hoje. Isto provavelmente não aconteceria no Brasil. Deixar um desconhecido SOZINHO no hotel com tantas bebidas no barzinho, TV e aparelho de DVD nos quartos…

Já no quarto, uma placa em inglês dizia que, na recepção não ficava ninguém a noite. Recomendava não esquecer de trancar a porta da recepção do hotel ao sair. 

Claro que o restaurante não funcionaria naquele dia. Rodei uns 2 quilômetros para encontrar um local para jantar. 

Comi salsicha de Fulan, típica da Suécia, com purê de batatas. Confesso que não gostei, mas era a melhor opção disponível.  

Na manhã seguinte, ao levantar pensei: 

“Dancei, vou ficar sem o café da manhã que estava incluso no preço!”.

Mas, um pouco antes da minha saída do hotel, chega a atendente. Ela trouxe uma bandeja com suco de laranja (aqueles em caixinha), café numa cafeteira, iogurte, pão e frios… 

Eu fui mesmo o único hóspede do hotel !!!

E a única pessoa que passou a noite no hotel.

UM DIA CHEGAREMOS A ESTE PONTO DE CONFIAR NAS PESSOAS ?


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Minha viagem foi artigo da REVISTA TRIKE ALEMÃ



Fiquei contente em receber pelo correio um exemplar da revista Trike Magazin Alemã.

Fizeram um artigo de 8 páginas sobre minha viagem ao Círculo Polar Ártico, mais precisamente a NordKapp, extremo norte da Noruega. 


Eu havia dado uma entrevista lá na Alemanha e passado o link do meu Face. Achei que não daria em nada, mas…
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Foram 80 dias, mais de 14.000 Km partindo da Alemanha, passando pela Dinamarca, Suécia, Finlândia, Noruega e de volta para Alemanha.
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Uma viagem dos sonhos… em um triciclo REWACO… a melhor maneira de pegar uma estrada…





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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Blue Sky by a Hungry Heart




Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que não se pode fechar cheio,
Todo os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos,  sonhando,
E tudo isso, que  é tanto,  é pouco para que eu quero.

Fernando Pessoa
Passagem das Horas
22/05/1916

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Pequeno vídeo - New Zeland trike tour

Nada melhor para sentir o que foi nossa viagem do que ver um pequeno vídeo.



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Nova Zelândia: O paraíso na Terra


Da mesma forma que existem empresas excepcionalmente boas para se trabalhar,
existem países excepcionalmente bons para se viver.

Eu tive a felicidade de trabalhar numa empresa top queme marcou muito. 
Deixou claro para mim o que é possível se conseguir em função de uma boa gestão.

Acabei de retornar da Nova Zelândia.
Dos mais de 30 países que conheço, este é o que mais me tocou.
Amei.
É o paraíso na Terra.

Sempre me pergunto:
Por que tanta diferença?
Por que algumas empresas são tão medíocres e outras tão excepcionais?
Por que alguns países são tão bons para se viver e outros tão medíocres.

A resposta, invariavelmente é sempre a mesma:
“Boas organizações são construções de seus participantes”. 
“Bons países não nasceram bons. Foram construídos pelos seus habitantes”.

A Nova Zelândia é um exemplo disto.
Nunca encontrei um povo tão amigável e tão preocupado em fazer bem as coisas.
Viajamos quase 6.000 km de triciclo.
Foram 26 dias rodando o país. 
Conhecemos a ilha Norte e a Ilha Sul. 
Cruzamos muitas vezes do leste para o oeste num zigzag aparentemente ilógico.
Ficamos hospedados em B&B excepcionalmente humanos, em bons hotéis e até num motel.

Em todos os contatos que tivemos, seja nos postos de gasolina, nos restaurantes, nos alojamentos e nas lojas sentimos (o verbo está correto: sentimos) o  profissionalismo e a atenção pessoal, personalizada, dada ao cliente.

Praticamente todas as estradas que percorremos são de mão dupla.
Pavimentação excelente.
O acostamento praticamente não existe:  30 cm.
Velocidade máxima nas estradas é de 100 km e nas cidades de 50 km.
Poucos pontos de ultrapassagem. 
Muitas e muitas vezes você encontra na estrada pontes onde passa 1 veículo por vez. 
Apesar disto, por incrível que pareça, EXISTE RESPEITO NO TRÂNSITO e muito menos acidentes do que aqui.

O IDH é alto. 
7o melhor do mundo.
O que significa: educação, saúde e alto padrão de vida. 

Por que eles conseguem essa performance tão alta?

Chegaremos lá algum dia?
Nunca!
Se continuarmos com políticos e líderes corruptos e incompetentes.  
Eleitos por nós!
Se continuarmos acreditando que não somos os responsáveis pelo país que vivemos!
Infelizmente continuamos dormindo em berço esplendido!

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