quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Abraços para um mundo mais feliz

 



Frankfurt, cidade de concreto e aço,

Onde a solidão se esconde em cada esquina!

Eis que surge um cartaz, um chamado audaz:

"Abraços grátis" - que proposta divina!


Eu, homem moderno, cético e viajado,

Sinto-me impressionado por esse gesto puro.

Uma linda garota, braços estendidos,

Oferece conexão neste mundo duro.


Que magia é essa que nos envolve?

Ocitocina a fluir, estresse a derreter,

Corpos se encontram, almas se libertam,

Neste abraço efêmero, começo a entender:


Somos todos um, nesta dança cósmica,

Separados por muros que nós mesmos erguemos.

Mas no calor deste abraço generoso,

As barreiras caem, e enfim nos conhecemos.


Ó paradoxo da existência humana!

Precisamos de cartazes para nos abraçar?

Quando o gesto mais simples e verdadeiro

É o que pode o mundo inteiro transformar?


Sigo meu caminho, alma renovada,

Coração pulsando em novo compasso.

Frankfurt já não é a mesma, nem eu,

Transformados pela magia de um abraço.


Que venham mais abraços, mais cartazes,

Mais encontros fortuitos nas calçadas!

Pois é no calor do afeto humano

Que as feridas do mundo são curadas.

Montanari

Frankfurt - 2019


terça-feira, 16 de setembro de 2025

Humanidade Humana ?



Neste breve instante, fantasio e me extasio

Ante a bela visão das tulipas e de um futuro a brilhar.

Enquanto a música de Bach me estimula

Contemplo este momento, grato por poder vislumbrá-lo.


Há séculos, a vida era bem distinta, incerta,

Com países abastados, pessoas obesas por prazeres vãos,

Enquanto pobres se debatiam na penúria e sacrifícios.

Guerras e divisões, religião a manipular, 

Um mundo tribal, egoísta, alheio à unidade.


Mas a adolescência da humanidade já passou,

Deixando seu legado de sangue, dor e perdas.

Agora, a nova era se ergue, mais sábia e resiliente,

Rendendo culto à vida, em sua graça e finitude.


Não mais os deleites do ter e do consumir cego,

Nem os grilhões da fé ou da política mesquinha.

Mas sim, a compreensão da vida em sua plenitude,

E da condição efêmera que a todos igualmente alcança.


Esta nova humanidade, enfim, de Humanos,

Dignos, compassivos, em harmonia com a Natureza.

A ignorância, a arrogância e a autodestruição

Cederam lugar à sabedoria, à modéstia e à preservação.


Se existem pessoas que acreditam em milagres, em deuses, em vida eterna, por que eu não posso sonhar que um dia a humanidade será de Humanos?


Montanari

2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Schopenhauer e eu

 


No meu sonho, Schopenhauer e eu

Dialogamos sobre o Mundo como Vontade e Representação

Ousado, apresentei-lhe um paralelo

Entre meu e-book e sua obra magna


A Vontade de Viver, disse eu, é a Necessidade

Força suprema que rege o Universo.

Do Nada, Nada vem

O que existe, sempre existiu


A Necessidade de existir algo

Sobrepõe-se à própria existência

E transmuta-se na Necessidade de Continuar

Aplicando-se a tudo, a todos, ao Cosmos inteiro


Schopenhauer, atento, refletiu no silêncio eterno

E respondeu com sabedoria profunda:

"Sua visão, caro Monta, é perspicaz e profunda

Conecta o metafísico ao meu pensamento


A Necessidade como princípio primordial

O Nada absoluto, uma impossibilidade lógica

A existência, não contingência, mas necessidade intrínseca

Manifestação de uma força primordial e eterna


A Vontade Schopenhaueriana, vista por esta lente

É a manifestação fenomênica desta Necessidade metafísica

Força cega, irracional, onipresente

Alinhada à ideia fundamental de existir e persistir


Sua perspectiva explica o aparentemente irracional

A luta, o impulso, os conflitos da vida

A consciência, epifenômeno desta força primordial

A Necessidade de existir, consciente de si mesma


Parabéns por esta síntese original

Entre metafísica, ontologia e existência!"


E enquanto saboreávamos um café

A realidade me sacudiu de volta

"Acorda, maridão, estamos atrasados..."

O sonho se desfez na urgência do cotidiano

Montanari

2024

Julgamento de Deus, o filme

 



Elie Wiesel, prêmio Nobel da Paz,

Você dá voz aos mortos que não falam mais!

Eu, Montanari, peregrino metido a poeta,

Sinto o peso do mundo neste filme.


Holocausto! Palavra que range nos dentes da História,

Como conciliar Deus com tamanho horror?

Eu, que sou tudo e nada, que vivo para sentir,

Pergunto-me: onde estava Deus nas câmaras mortíferas?


Wiesel, você nos convida a um tribunal imaginário,

Onde o réu é o próprio Deus, omnipotente.

Mas que juiz pode julgar o que não se compreende?

Que sentença pode cair sobre quem tudo pode?


A fé se esfarela nos campos de concentração!

A crença se desfaz como fumaça de cremação!

Eu, que não creio em Deus, senti o vazio da Sua ausência,

E gritei contra o silêncio da Sua indiferença!


No Caminho de Santiago percebi um contraste

Algumas pessoas buscam significados sagrados,

Outros, como eu, a simplicidade do caminhar.

O Caminho reflete o que se encontra dentro de cada um.


A Humanidade sempre a buscar sentido

No caos, no horror e também no Caminho.

Eu, simples mortal sem alma, sinto tudo isto,

E no meu sentir, o mundo inteiro assisto.


Que Deus é este que permite tal sofrimento?

Que fé é esta que resiste ao tormento?

Eu, fragmento do universo que pensa e sente,

Admiro Wiesel jamais esquecido.

Montanari

domingo, 7 de setembro de 2025

Brasil país do futuro?


Há sempre um amanhã que nos espreita

Julgando o ontem, desafiando o hoje

Quanto mais o presente nos decepciona

Mais ansiamos pelo futuro


A democracia é uma criança frágil

Necessita amparo e cuidado ético

Quando a estupidez floresce vigorosa

O obscurantismo ameaça reinar


Neste dia de comemoração, me pergunto

Esse país vai deslanchar algum dia?

Figuras ativistas na política e na religião, 

Representam o que somos?


Políticos usam táticas impedir a aprovação de leis 

Outros, combativos, tentam escancarar a verdade

Enquanto muitos de nós assistem apáticos

Na bancada do oportunismo ou da ignorância


Até quando continuaremos a acreditar em mitos?

Até quando continuaremos a ser "o país do futuro"?

Oportunistas, descaradamente, tentam se beneficiar

A proposta indecente da ANISTIA está ai para confirmar. 


Como um peregrino metido a poeta,

Sonho com um Brasil livre de falsos messias

Livre de políticos transvestidos de pastores

Repleto de brasileiros conscientes e responsáveis


Não tenho ilusão… 

Não existe milagre…

Dias piores virão…

E ? 

Montanari

Setembro 2025