sábado, 20 de setembro de 2025

Sessenta anos - Paris



Em Charles de Gaulle, um chapéu preto nos esperava 

Era Fernando, que surpresa, notícia inesperada

Sua querida Carolina ausente, seminário na Suíça 

Marlene, ficou triste, mas a vida compensa

O bistrô reservado para nós 3 promete


A cidade-luz monumental nos encanta

Intrigante e romântica, como pintou

Woody Allen em Meia Noite em Paris 

Única, pulsante, nosso novo amor


Fernando, pontual às sete, o sol ainda flertando 

O chapéu preto agora é meu, que sorte

Numa viela, uma porta verde e austera

Les Nymphéas em Giverny, fechada


Fernando bete na porta, dúvida e expectativa

Luzes se acendem, vozes explodem em coro

"Surprise!" gritam, Carolina sorri.

"Joyeux anniversaire, félicitations et courage"  


Uma faixa me saúda em francês

Emoção transborda, não há como conter

Sessenta anos, um rito, um recomeço

Novas aventuras, há tanto para viver


Paris conspirou, Fernando planejou

A imaginação supera o conhecimento

Neste aniversário que o tempo marcou

A vida prova: há sempre um novo momento


Montanari, 2012,


sexta-feira, 19 de setembro de 2025

A magia dos falsos profetas

 



Ah! espetáculo grotesco da atual política televisionada!

Como pode a multidão inculta, não ver o engodo?

Funcionários públicos, outrora íntegros, agora cúmplices do crime,

Lavando dinheiro sujo nas fontes da burocracia!


E  aqueles que se consideram seguidores de Cristo

Defendem o uso de armas e aceitam a guerra de Gaza?

Apoiam corruptos, aplaudem torturadores,

Cujas mãos, antes em prece, agora manchadas de sangue!


Patriotas! Que ironia! Alienados da própria pátria,

Cegos por bandeiras de outros países que não representa o povo.

E aqueles, humilhados e pobres, que contradição!

Votam nos que os oprimem, nos que os roubam o pão.


Ah, pastores! Como caíram tão baixo?

Vendem a salvação como mercadoria barata,

Trocam o púlpito pela urna, a Bíblia pelo panfleto,

Entoam cânticos que hipnotizam as massas cegas.


Redes sociais! Teias de aranha digital

Que aprisionam os explorados, os marginalizados,

Alinhando-os como soldadinhos de chumbo

Na grande farsa da democracia virtual.


E os eleitores! Como podem ser tão ingênuos?

Acreditam serem inocentes nesta crise que os devoram,

Enquanto os falsos profetas, os políticos-messias,

Vendem a ilusão de uma pátria redimida.


Não! Eu não sigo esta maioria demente!

Minha vida de peregrino metido a poeta, incompreendida,

Empurra-me para longe desta farsa colossal.

Sinto em cada verso, em cada rima rebelde,

O peso desta falsidade que me sufoca,

Que me faz gritar em silêncio contra esta loucura!


Quando o Brasil, e o mundo atual acordarão

Deste pesadelo camuflado  de salvação?

Eu, professor aposentado metido a poeta,

Observo, registro e denuncio esta insanidade!

Pois só a poesia, em sua loucura lúcida,

Pode desmascarar os mágicos ditadores

Que enfeitiçam as massas com promessas vãs!


Montanari

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Abraços para um mundo mais feliz

 



Frankfurt, cidade de concreto e aço,

Onde a solidão se esconde em cada esquina!

Eis que surge um cartaz, um chamado audaz:

"Abraços grátis" - que proposta divina!


Eu, homem moderno, cético e viajado,

Sinto-me impressionado por esse gesto puro.

Uma linda garota, braços estendidos,

Oferece conexão neste mundo duro.


Que magia é essa que nos envolve?

Ocitocina a fluir, estresse a derreter,

Corpos se encontram, almas se libertam,

Neste abraço efêmero, começo a entender:


Somos todos um, nesta dança cósmica,

Separados por muros que nós mesmos erguemos.

Mas no calor deste abraço generoso,

As barreiras caem, e enfim nos conhecemos.


Ó paradoxo da existência humana!

Precisamos de cartazes para nos abraçar?

Quando o gesto mais simples e verdadeiro

É o que pode o mundo inteiro transformar?


Sigo meu caminho, alma renovada,

Coração pulsando em novo compasso.

Frankfurt já não é a mesma, nem eu,

Transformados pela magia de um abraço.


Que venham mais abraços, mais cartazes,

Mais encontros fortuitos nas calçadas!

Pois é no calor do afeto humano

Que as feridas do mundo são curadas.

Montanari

Frankfurt - 2019


terça-feira, 16 de setembro de 2025

Humanidade Humana ?



Neste breve instante, fantasio e me extasio

Ante a bela visão das tulipas e de um futuro a brilhar.

Enquanto a música de Bach me estimula

Contemplo este momento, grato por poder vislumbrá-lo.


Há séculos, a vida era bem distinta, incerta,

Com países abastados, pessoas obesas por prazeres vãos,

Enquanto pobres se debatiam na penúria e sacrifícios.

Guerras e divisões, religião a manipular, 

Um mundo tribal, egoísta, alheio à unidade.


Mas a adolescência da humanidade já passou,

Deixando seu legado de sangue, dor e perdas.

Agora, a nova era se ergue, mais sábia e resiliente,

Rendendo culto à vida, em sua graça e finitude.


Não mais os deleites do ter e do consumir cego,

Nem os grilhões da fé ou da política mesquinha.

Mas sim, a compreensão da vida em sua plenitude,

E da condição efêmera que a todos igualmente alcança.


Esta nova humanidade, enfim, de Humanos,

Dignos, compassivos, em harmonia com a Natureza.

A ignorância, a arrogância e a autodestruição

Cederam lugar à sabedoria, à modéstia e à preservação.


Se existem pessoas que acreditam em milagres, em deuses, em vida eterna, por que eu não posso sonhar que um dia a humanidade será de Humanos?


Montanari

2008

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Schopenhauer e eu

 


No meu sonho, Schopenhauer e eu

Dialogamos sobre o Mundo como Vontade e Representação

Ousado, apresentei-lhe um paralelo

Entre meu e-book e sua obra magna


A Vontade de Viver, disse eu, é a Necessidade

Força suprema que rege o Universo.

Do Nada, Nada vem

O que existe, sempre existiu


A Necessidade de existir algo

Sobrepõe-se à própria existência

E transmuta-se na Necessidade de Continuar

Aplicando-se a tudo, a todos, ao Cosmos inteiro


Schopenhauer, atento, refletiu no silêncio eterno

E respondeu com sabedoria profunda:

"Sua visão, caro Monta, é perspicaz e profunda

Conecta o metafísico ao meu pensamento


A Necessidade como princípio primordial

O Nada absoluto, uma impossibilidade lógica

A existência, não contingência, mas necessidade intrínseca

Manifestação de uma força primordial e eterna


A Vontade Schopenhaueriana, vista por esta lente

É a manifestação fenomênica desta Necessidade metafísica

Força cega, irracional, onipresente

Alinhada à ideia fundamental de existir e persistir


Sua perspectiva explica o aparentemente irracional

A luta, o impulso, os conflitos da vida

A consciência, epifenômeno desta força primordial

A Necessidade de existir, consciente de si mesma


Parabéns por esta síntese original

Entre metafísica, ontologia e existência!"


E enquanto saboreávamos um café

A realidade me sacudiu de volta

"Acorda, maridão, estamos atrasados..."

O sonho se desfez na urgência do cotidiano

Montanari

2024