domingo, 14 de fevereiro de 2010

Arruda e a Longa Jornada


O primeiro passo foi dado.

O Brasil tem um longo caminho a frente para se tornar país de primeiro mundo.

Não devemos nos enganar com discursos nacionalistas de políticos demagogos. Nosso presidente disse certa vez que o Brasil tem sistema de saúde pública de primeiro mundo...

A popularidade do presidente, aqui dentro e lá fora, não muda a realidade. Temos problemas gravíssimos na saúde, na educação, na segurança e principalmente na política.

O Brasil nunca poderá ser considerado um país de primeiro mundo se continuar sendo o país do jeitinho, dos conchavos e da tolerância com a corrupção.

A prisão de Arruda é o primeiro passo de uma longa jornada. Além dele, muitos outros precisam ir para a cadeia para deixarmos de sentir vergonha de nossos políticos.

A população precisa acordar e entender que nunca existirá um "salvador da pátria", um "líder heróico" que mudará a situação do país de um dia para outro.

Boas organizações (Países incluídos) são construções de seus participantes.

Este trabalho de construção precisa ser feito com atitudes do nosso dia-a-dia, não só exigindo o que é certo, mas também fazendo o que é certo.

Precisamos acabar com a tolerância ao "jeitinho brasileiro".

No caso de candidatos a cargos públicos, se houver suspeita de corrupção ou se este candidato responder a qualquer processo na justiça, não é digno de voto. Tolerância zero. Esta decisão deveria fazer parte da cultura da nossa população. Não precisamos de mais leis dizendo quem pode ou não pode se candidatar. Precisamos incentivar as pessoas a rejeitarem candidatos com qualquer problema com a justiça. Candidato para ter nosso voto tem que ter ficha limpa. Se for pego, filmado ou processado, pode esquecer, nunca mais receberá voto de ninguém!

Só assim deixaremos de ter Malufs, Arrudas, Dirceus, Sarneys, anões, pianistas, manipuladores e ladrões nos representando por mais de um mandato.

Este país nunca se tornará um país de primeiro mundo se continuarmos tolerando a mediocridade na política e sendo medíocres em nossos ações cotidianas.

Gandhi, sabiamente disse: "Quem não dá o melhor de si, está roubando".

O primeiro passo foi dado com a prisão de Arruda.

Vamos continuar.

Participe da jornada para um Brasil desenvolvido.

Incentive todos os seus colegas a não votarem em candidato com problemas na justiça. Sem perdão. Tolerância zero.

A JUSTIÇA PODE PERDOAR. ELEITOR NÃO.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A Selva e o Reencontro com a Humanidade


Sábado, 6 de fevereiro, 6 horas da manhã, eu ainda dormia quando o interfone tocou. Era o Fernando. “E ai cara? Como vai? Que saudades. Vamos tomar café juntos no Frans da Portugal? Preciso conversar com você. Pegue o seu triciclo. Estou te esperando aqui em baixo com o meu. Vê se desce logo cara.”

O que será desta vez?

Fernando acabara de voltar de um treinamento de sobrevivência na selva. Ficara uma semana em Manaus, incomunicável. Pensei que iria falar sobre o curso...

Quando me viu, me abraçou longamente e com muita emoção. Estava irradiante, entusiasmado e feliz como eu nunca vira antes.

Quando chegamos ao Frans, outro abraço emocionado.

Me conta como foi o treinamento?

“Foi legal, você precisa fazer. Cara, como estou feliz em te ver. Sabia que você é o irmão que eu nunca tive? Você é meu melhor amigo” ( E outro abraço. Confesso que fiquei constrangido pelos olhares das outras pessoas, mas Fernando não estava nem ai).

Do treinamento não vou falar nada. Só vou te deixar estar foto. Tô aqui, o primeiro da corda, mostrando a fotografia. Estava quase desmaiando de cansado. No verso tem a senha da minha conta no Santander. Só vou usar o Bradesco. Aqui tem uma procuração. Quero que você cuide do meu apto e do meu carro. Venda quando for o momento. Vou para São João do Caru. Não sei quanto tempo vou ficar por lá ou se vou voltar. Possa ajudar muitas pessoas por lá.

Fernando, você não está muito emotivo por causa do treinamento? Será que é o momento de tomar uma decisão destas?

“Cara, nunca me senti tão feliz na minha vida. Tô alegre, tenho vontade de abraçar todo mundo. Tenho o maior prazer em cumprimentar as pessoas com um sorriso, de conversar, de ajudar... Me sinto livre, leve, capaz de fazer as coisas sem amarras, sem máscaras, ser eu mesmo. Me sinto como uma criança feliz, sem preconceitos. Tenho você, meu irmão, meu triciclo e meu sonho de fazer a diferença naquele fim de mundo. É pra lá que eu vou, sem lenço e documento, eu vou...”

Outro abraço prolongado,e lágrimas... e lá se foi Fernando sem capacete, gritando: “eu te amo cara, eu me amo, quero que todo mundo seja feliz como eu...”

Eu fiquei paralisado, boquiaberto, tentando entender o que aconteceu sob o olhar curioso da atendente e de 4 clientes do café.

O que será que aconteceu naquele treinamento? Será que as privações por que passou o fizeram enxergar sua vida de um outro ângulo? Será que as dificuldades e desafios o fizeram se abrir e expor o seu eu superior? Será que os desafios que enfrentou o fizeram sentir a necessidade de ajudar os outros?

Será que ele não percebeu que ele viveu uma semana intensa, num ambiente “controlado” onde as pessoas poderiam ser elas mesmas e “aqui fora” a realidade é outra?

Fernando me disse muitas vezes: “O homem sensato se adapta ao mundo. O insensato adapta o mundo a si mesmo.”

Tenho certeza que o treinamento o ajudou a se libertar das mascáras, das amarras que estes anos de convivência com pessoas infelizes, amargas, egoístas e sem perspectivas o forçaram a usar como proteção. Tenho certeza que Fernando deveria ter problemas pessoais, escondidos dos outros e dele mesmo. O treinamento, não sei como, expos para ele mesmo seu eu inferior. Fernando se transformou e assumiu a criança pura que sempre existiu dentro dele.

Meu irmão, não sei quanto tempo você ficará longe mas, se voltar, você sabe que encontrará o grande amigo e admirador de sempre. Vá em frente sem medo, siga seu coração. Você é um exemplo de pureza, de dignidade e de bondade que deveríamos encontrar em todos os seres humanos.

Será que existe selva suficiente para treinar e despertar toda essa gente alienada à vida e a felicidade de estar aqui?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Olhos azuis, Corrupção e o Poder do Contexto


Em 1968, após a morte de Martin Luther King, a professora Jane Elliot de Riceville (uma cidadezinha do interior de Iowa, cuja população na sua maioria era branca e cristã) realizou um experimento interessante com seus alunos da 3a série.

Ela afirmou para a classe que os alunos de olhos azuis eram superiores, mais inteligentes e melhores que os de olhos castanhos. Estabeleceu privilégios para as crianças de olhos azuis, como por exemplo ficar mais tempo no recreio e ter exclusividade no uso dos brinquedos do playground, ao mesmo tempo passou a ser mais rigorosa com as crianças de olhos castanhos. Identificou as de olhos castanhos com um grande colar de tecido colorido para serem vistos de longe. Determinou que estas crianças não poderiam mais brincar com as de olhos azuis.

Na sala de aula usou todas as oportunidades para reforçar que as crianças de olhos azuis eram melhores, mais inteligentes e mais comportadas.

O que aconteceu?

As crianças de olhos azuis passaram a se sentir superiores e começaram a menosprezar as crianças de olhos castanhos. Uma das meninas, que usava óculos, no dia seguinte foi à escola sem eles para realçar seus olhos azuis...

A visão estereotipada da realidade é extremamente danosa à sociedade.

Durante o nazismo um ministro luterano disse: “Quando eles se voltaram contra os judeus, eu não era judeu e não fiz nada. Quando se voltaram contra os homossexuais, eu não era homossexual e não fiz nada. Quando se voltaram contra os ciganos, eu não era cigano e não fiz nada. Quando se voltaram contra mim, não havia ninguém para me defender...”.

Interessante que este comportamento de “a injustiça não está acontecendo contra mim, vou ficar na minha” foi observada no experimento.

As pessoas normalmente escolhem as situações que aceitarão ou rejeitarão. Elas podem mudar a situação por suas ações, influenciar outros na sua esfera social, e transformar o ambiente de muitas maneiras.

Somos agentes ativos com certa capacidade de influenciar o curso dos eventos que afetarão nossas vidas e moldar nossos destinos. Nosso comportamento e o da própria sociedade são afetados por fatores biológicos, mas principalmente por práticas e valores culturais. O ímpeto de adotar certo tipo de comportamento não vem de certo tipo e indivíduo, e sim de uma característica do ambiente.

O Poder do Contexto afirma que o comportamento é uma função do contexto social.

Atualmente, sabe-se que as situações sociais (regras, cargos, pressão do grupo, identidade grupal, presença de autoridade, símbolos de poder, pressão de tempo, estereótipos, semântica) exercem muito mais poder sobre as ações humanas do que tem sido reconhecido pelo público em geral.

Hartshorne e May constataram que a honestidade não é um traço fundamental de caráter. Honestidade sofre uma considerável influência da situação.

Sob a ótica desta teoria não devemos olhar o indivíduo como aquele que detém o controle exclusivo de seu comportamento, que age com vontade própria e, portanto é o único responsável por toda e qualquer ação sua. A realidade é menos romântica do que gostaríamos!

Fazendo um paralelo, posso inferir que o comportamento de nossos políticos de Brasília se parece com o das crianças de olhos azuis, durante o experimento!

O ambiente externo, “a sala de aula Brasília” está tão impregnada de práticas e valores que estimula nossos políticos a acreditarem que são “superiores, diferentes e especiais”.

Não vêem nada de errado em colocar dinheiro na meia ou na cueca. Acreditam que vamos engolir mentiras deslavadas como “compra de panetones” ou “não ter dinheiro no exterior” ou que seus bens patrimoniais cresceram enormemente por serem “bons empreendedores”...

Quem tem o direito de julgá-los? A final são políticos e “têm olhos azuis”.

Precisam de foro privilegiado!

E a população? Vai continuar tendo o mesmo comportamento complacente e alienado do ministro luterano?

A própria teoria do Contexto dá a solução:

PARA SE CRIAR UM MOVIMENTO CONTAGIANTE (e mudar esta situação) É PRECISO CRIAR VÁRIOS PEQUENOS MOVIMENTOS.

A internet é o mecanismo para o alastramento de novas idéias e informações, de uma pessoa ou pequenos grupos, para toda a sociedade. Só assim atingiremos massa crítica suficiente para abolir o preconceito, a corrupção, eliminar estereótipos e pressionar entidades a adotarem práticas éticas em seus ambientes.

O Brasil tem salvação!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Boas organizações são criações de seus participantes

Foram 13 dias caminhando.

Partimos de Pieterburen até chegarmos a Vorden. Fizemos 232 Km da trilha “Pieterpad”, que cruza a Holanda de Norte a Sul.

Todos as noites dormíamos em casas de famílias que destinam um ou dois quartos para quem faz esta trilha (tipo Bread & Breakfast para caminhantes). São acomodações cadastradas que você encontra no Guia de 163 páginas publicado pela Nivon. (infelizmente disponível somente em Holandês).

Na Holanda existem 40 Trilhas oficiais de Longa Distância (Lange Afstande Wandelpad, abreviação: LAW), sinalizadas, com guias ilustrados onde você encontra mapa por trecho, informações de cada região, endereço de acomodação etc.

Uma das maravilhas do primeiro mundo...

Caminhar na Holanda é uma maravilha: O país é plano, praticamente 30% fica abaixo do nível do mar. As trilhas são bem sinalizadas, mas você pode se perder se não ficar atento, principalmente nos pontos onde diferentes trilhas se cruzam. É muito seguro, as pessoas são atenciosas, a paisagem é linda, mesmo quando você cruza cidades. O ponto alto é a acomodação. Você dormirá, na maioria das vezes, em casas de aposentados cujos filhos se casaram e um ou dois quartos ficaram disponíveis. Eles adaptam a casa para receber “peregrinos”. O café da manhã é sempre muito bom e mais uma oportunidade de interação.

Em Hellendorn ficamos hospedados na casa de um casal supersimpático. Ele, nos “velhos” tempos era motoqueiro e adorava viajar. Eu disse que tinha um triciclo. Foi o começo de um longo papo que resultou num telefonema para o filho, que morava numa cidade vizinha, trazer sua moto para eu dar uma volta...

Em Schoonloo, quando cruzávamos uma fazenda, vi um avião da segunda guerra estacionado em frente de um casarão. Parei para conversar com o dono. Além de café com bolo, ganhei o direito de entrar no cockpit do avião tirar uma foto...

Numa outra cidade, fomos convidados a subir no telhado da casa para apreciar a vista da cidade...

Renda per capita, por si só, não é um bom indicador da qualidade de vida. Desenvolvimento de um povo e qualidade de vida de sua população incluem valores não mensuráveis como respeito e confiança no ser humano, cultura, amor ao trabalho, dignidade nas relações.

Em uma das casas que ficamos hospedados, ouvi um ditado que teve um impacto muito grande na minha maneira de ver as Instituições:

“Deus criou o mundo, nós, os Holandeses, criamos a Holanda”.

Ele tem toda razão.

Boas empresas (como ‘bons’ países) não acontecem por acaso.

São criações de seus participantes.

Parabéns a todas instituições cujos participantes, intencionalmente, trabalham para criar um ambiente melhor. Este é o caminho.

Participar. Sentir-se responsável.

Algumas fotos da nossa jornada: http://www.youtube.com/watch?v=ZIuSggOWnMg

domingo, 10 de janeiro de 2010

Falta Político com “P” maiúsculo no Brasil ou Arrudas e Andorinhas


Nunca vi tamanha cara de Pau... Como esse Arruda consegue?

Pedir perdão para ser “perdoado”?

Por que seus colegas não fazem a mesma coisa que a maçonaria de Brasília fez?

Não dá para perdoar. FORA!

Um cara de pau destes não pode ser membro de nenhuma instituição que se diga digna de respeito.

Como consegue ter amigos e apoiadores?

Infelizmente, nossas instituições têm muitos arrudas, dirceus, sarneys, malufs, anões, mensaleiros e complacentes com a mediocridade, com a incompetência e com a corrupção...

O ambiente é o fator determinante do nosso comportamento. (O Poder do Contexto - George P. Fletcher)

O ambiente de Brasília está tão contaminado que nossos políticos perderam completamente o senso de realidade.

Precisamos de gente nova no poder, sangue novo, pessoas sem ligações com os partidos atuais. Precisamos de pessoas bem intencionadas, pragmáticas, coerentes, com visão sistêmica e moderna, pessoas não vinculadas a dogmas de esquerda ou de direita, sem vínculos com seitas religiosas ou “nacionalismos idiotas”...

Pessoas evoluídas que sabem que não dá para se ganhar em detrimento de outros. O mundo é sistêmico. Recursos são limitados. Para continuarmos desfrutando o privilégio de estar aqui precisamos de uma nova mentalidade no poder.

Esta mudança acontecerá!

É inevitável.

O mundo converge para uma sociedade mais justa, mais digna, menos corrupta e menos desigual (apesar dos ‘ups and downs’ e da apatia de muitos).

A tecnologia está ajudando.

Cada vez mais, a informação de qualidade estará disponível e sem censura (apesar dos políticos retrógados, corruptos e manipuladores).

Vamos melhorar e os arrudas se tornarão políticos em extinção.

Todo processo de mudança começa com uma crença.

Segundo meu avô Caetano, uma andorinha só faz verão!

O que pode uma só pessoa fazer por uma sociedade gigante?

Segundo Ortega e Gasset “Produzir uma idéia mobilizadora”

Coragem!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Quando eu não estiver mais aqui, quem vai cuidar deles?


31 de Dezembro. Faltavam poucas horas para a virada do ano quando Walter iniciou uma discussão sobre a responsabilidade de ser pai e ter dependentes:

“Quando eu não estiver mais aqui, quem vai cuidar deles?”

Walter gerou muito polêmica com esta frase.

O que começou com uma preocupação sua, pessoal, virou uma discussão sobre o futuro e a continuidade da existência da humanidade...

“A maior herança que um pai pode deixar para seu filho é uma boa educação”.

Concordo. Nos dias atuais, boa educação é condição sine qua non para uma vida digna.

“Educar custa muito caro, muito caro”.

“A maioria dos pais não faz, e nunca pensou em fazer, um planejamento financeiro para prover educação de seus filhos. Na verdade, não planejam nada. Vão levando suas vidas... Simplesmente existem. Se movimentam como uma samambaia ao sabor dos ventos, inconsequentes e ignorantes bem intencionados como o Esteves sem metafífica, da Tabacaria de Fernando Pessoa.

“A maioria dos pais são ignorantes para entender que seu filho não é seu bichinho de estimação ou seu presente dos céus, e que seu filho não é ‘seu’... Filho é uma responsabilidade para com a espécie humana que nem todos têm a condição de assumir, apesar de ter direito...”

É verdade, esta responsabilidade vai ficar cada vez maior...

“A população da Terra está crescendo tanto que, um dia, mais cedo do que você imagina, este direito será questionado e ´regulamentado´... miseráveis, drogados não...”

Tá parecendo Gattaca...

“Luiz, não seja hipócrita. Final de ano. Este é o melhor momento para rever seus pressupostos...”

“Até quando você acha que a humanidade continuará existindo se não reconhecer que os recursos são limitados?”

“Preocupado com que vestir? Por que? Olhai para os lírios do campo...”

“Preocupado com o que comer? Por que? Olhai para as aves do céu...”

“Crecer e multiplicar... Até quando?”

domingo, 20 de dezembro de 2009

AVATAR, O AQUECIMENTO GLOBAL E A REVOLUÇÃO


Duas horas da manhã o telefone tocou.

Acordei assustado, o que aconteceu? Pensei imediatamente em meus filhos.

Era o Fernando que acabará de assistir AVATAR e queria discutir o filme...

“Cara, eu tava dormindo... Não dá pra esperar até amanhã?”

Fernando estava tão entusiasmado que precisava falar...

Luiz, este filme é uma lição de respeito à vida. Você precisa assistir. Fala da nossa ignorância em perceber a NATUREZA como um sistema interligado, equilibrado e interdependente.

Fala do privilégio de viver neste planeta e de sermos ignorantes por não perceber como estar aqui é sim, um verdadeiro milagre. Mostra como deveríamos usar sabiamente os recursos do planeta.

Avatar é uma sinalização da necessidade de que a humanidade dê fim em todas as religiões, que a humanidade dê fim ao bairrismo territorial, dê fim na primitiva e brutalesca mentalidade militar...

Avatar, com o encanto do 3D em forma de diversão, nos leva a refletir como a visão limitada do militarismo, da ciência, das religiões e do capitalismo afetou nossa percepção da Natureza, da maravilha que é estar vivo e poder sentir o universo que nos rodeia. Um Universo que não foi criado para nós, mas do qual fazemos parte e temos o privilégio de poder senti-lo...

Avatar tem mensagens que, infelizmente, muitos não estão preparados para entender. Ainda...

É necessário livrar nossa mente e nosso coração de todos os pressupostos obsoletos que cegam nossa percepção. Não basta ser cego para não ver.

O processo de amadurecimento da nossa espécie é longo e difícil. Temos, ainda, que passar por muitas provas e, sobreviver!

Mas, vejo que é possível. A tecnologia está ajudando...

Você está acompanhando as discussões sobre o aquecimento global. Já viu a quantidade de vídeos excepcionalmente inteligentes no Youtube?

UMA REVOLUÇÃO MUNDIAL TEVE INÍCIO.

Os líderes e políticos de plantão, em breve, perceberão a força desta mobilização...

O clamor por mudança vai crescer e crescer... A resposta da Natureza, às nossas ações inconsequentes, vai acelerar esta mobilização.

Você sentirá isto quando assistir Avatar. Aqui vai acontecer também...

Viva a tecnologia da informação, ela vai despertar o mundo...

Já me despertou, Fernando!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A hipocrisia e o aquecimento global


Fernando retornou totalmente transtornado após 3 meses na Índia.

Estava muito chato, pessimista e rabugento. Mesmo após 3 cervejas, eu não consegui conversar sobre sua aventura na Índia...

O que seria um reencontro animado virou um monólogo desconexo:

A Terra não suporta mais tanta gente...”

“Se você tivesse visto o que vi, sentido o que eu senti...”

“Não temos saída...”

“Copenhagen é uma piada, palco para autopromoção... Ninguém quer discutir o que realmente é importante...”

“Você já recalculou sua ‘pegada ecológica?”

Sim, deu 5,6 ! (minha única fala de todo o encontro...)

“Você se julga especial? Acha que tem mais direitos que os outros? Você não percebe que está roubando o direito de que outros usufruam o Planeta?”

Ah! (nem tive a oportunidade de questionar...)

“Se todas as pessoas do mundo tivessem o seu padrão de vida (comida, roupa, carro, viagens, eletricidade, etc.) seriam necessários recursos de 5,6 Planetas Terras...

E só temos um...”

“Este embate entre Americanos e Chineses sobre redução da emissão gases é piada. É um “me engana que eu gosto”. É “historinha para desviar atenção” do problema maior...”

“MATEMATICAMENTE, FISICAMENTE, ECOLOGICAMENTE É IMPOSSÍVEL TODAS AS PESSOAS DO PLANETA TEREM UM PADRÃO DE VIDA DIGNO, um padrão de consumo como o seu, como o meu, como o desse pessoal aqui da pizzaria...”

A população vai crescer mais 2 bilhões nestes próximos 40 anos... A China e a Índia farão de tudo para aumentar o padrão de consumo (a pegada ecológica) de seus habitantes... mais consumo de recursos naturais, mais sucata, mais emissão de gases...

“Se não mudarmos radicalmente e voluntariamente nosso padrão de consumo, se não mudarmos radicalmente a velocidade do crescimento populacional, a Natureza se encarregará de fazer isto por nós...”

ATÉ QUANDO A POPULAÇÃO CONTINUARÁ SENDO ENGANADA?

“A ignorância religiosa, a hipocrisia demagógica dos políticos e a mesquinharia humana são tão poderosas que impedem as pessoas de perceberem a realidade...”

Pensei comigo mesmo: A ignorância é uma benção!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Panetone, O Paciente Terminal e o Dia Internacional Contra Corrupção


Que país é este que não se rebela contra a corrupção?

Nestes 10 anos não progredimos nada!

Nossa nota é 3,7.

Estamos muito distante da Nova Zelândia (9,4), da Dinamarca (9,3) e mesmo do Chile (6,7).

Continuamos vergonhosamente reprovados!!!

Até quando seremos presenteados com tamanha baixaria de nossos políticos?

O maior estrago que a corrupção faz no Brasil é deixar pessoas de bem com sintomas de pacientes terminais: simplesmente perdem as esperanças, desistem de lutar, não acreditam na recuperação.

Não podemos permitir que o povo Brasileiro perca a capacidade de se indignar com as injustiças e com a corrupção.

João Ubaldo disse uma vez: O BRASIL NÃO TEM POVO, TEM PLATÉIA.

Eu acredito no poder desta nova geração, na geração dos internautas, twiterers, youtubes...

Eles não deixarão isto se tornar uma realidade.

Parabéns para esses jovens que mostraram a cara em Brasília, que se rebelaram contra esta arruda maldita que impregna nossa política, que cheira mal, que enoja e intoxica até panetones.

Parabéns para aqueles que manifestam o repúdio a este comportamento de político de 3ª categoria que usa o sistema para a manutenção da bandidagem e do enriquecimento ilícito.

Pai que não paga a pensão de filho vai prá cadeia. Muito justo !

Político que desvia milhões, que favorece o enriquecimento de amigos em detrimento de milhares de cidadãos, em vez de ter imunidade parlamentar e proteção dos pares deveria também ir para cadeia.

Por que este privilégio? Bandido é bandido.

Até quando vamos tolerar a incompetência e autoproteção de nossos representantes?

CORRUPÇÃO DEVE, SIM, SE TORNAR UM CRIME HEDIONDO.

Político para ganhar meu voto tem que defender esta bandeira!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Vandalismo nas escolas públicas e a liberdade

Assistindo ontem uma reportagem sobre vandalismo em uma escola pública de São Paulo lembrei-me de um livro que li quando estava no colégio: “Summerhill - Liberdade sem medo”.

Summerhill é um internato na Inglaterra para crianças dos 5 aos 16 anos. Normalmente, frequentado por crianças com problemas de comportamento, com dificuldades para se ajustarem às escolas tradicionais.

A crença fundamental desta escola é que liberdade funciona e que, para as pessoas serem felizes elas precisam ser livres para escolherem o próprio caminho.

Por consequência, o sistema de gestão desta escola é bem diferente das usuais. As regras do jogo são definidas pela comunidade. Professores, alunos e funcionários votam, com pesos iguais, nas assembléias semanais para resolver todos os tipos de problemas.

Os alunos têm liberdade de escolher se assistem às aulas ou não. Têm liberdade de escolher o que comer (se quiserem comer só doces nas refeições, tudo bem!).

Eles têm tem liberdade, mas não licença para fazer o que quiserem!

Liberdade e licença são coisas muito diferentes.

Liberdade não significa que não há regras, responsabilidades ou punições.

Por exemplo, o grupo pode punir, até com a expulsão, um aluno que atrapalha o andamento da classe... Liberdade sim, licença para interferir no direito de outro, não!

Esta escola funciona desde 1921. Seu objetivo é formar pessoas felizes, não engenheiros ou médicos ou mecânicos frustrados!

Quando me lembro da imagem de destruição da escola paulista vejo que nós, educadores, perdemos o foco principal. Deveríamos trabalhar para formar pessoas felizes, cidadãos conscientes e, principalmente não sobrecarregar os alunos com conteúdos direcionados para o vestibular...

Deveríamos focar nosso esforço em cidadania, ecologia, esportes, artes, gestão participativa...

Não damos aos alunos opção de escolha, pois o sistema não nos dá opção de escolha!

Fiquei revoltado, comigo mesmo, com a conclusão que tirei assim que vi, pela primeira vez, a imagem de destruição provocada por estas crianças:

Muitos pais não deveriam ter o direito de ter filhos. Não têm responsabilidade nem competência para criá-los”.

Muitos pais só conhecem o caminho do castigo para obter “obediência” (que chamam “educação”).

Seus filhos nunca aprenderão a ser proativos. São condicionados a reagir.

A grande maioria de crianças criadas nestes lares reproduzirá, na vida adulta, um comportamento destrutivo ou fará parte de uma massa amorfa, sem vontade, sem brilho que passa pela vida sem acrescentar nada à sociedade.

As crianças deveriam aprender, desde pequenos, que a conta de suas escolhas sempre virá com juros (a receber ou a pagar). Infelizmente, a grande maioria não tem a oportunidade de ter opções.

O meio em que vivem os induzem às escolhas...

Desde episódio, agora mais calmo, tiro a conclusão que o Brasil convive com 2 problemas sociais muito graves, e juntos se tornaram uma verdadeira bomba relógio:

1-Muitos professores desmotivados por causa dos baixos salários, das péssimas condições de trabalho e da falta de reconhecimento

2-Muitos pais perdidos, sem valores morais para deixar um legado para seus filhos.

Consequências se a bomba não for desarmada:

O Brasil continuará sendo o país do futuro, o país que acredita e espera o salvador da pátria, o país dos Sarneys, dos Malufs, da lei de Gerson, dos espertos, dos flanelinhas, das propinas, dos motoristas alcoolizados, dos analfabetos funcionais...

sábado, 21 de novembro de 2009

Obina, o pai que se jogou com o filho do 18º andar e a Inteligência Emocional


O episódio que evolveu a saída de Obina do Palmeiras e o do pai que se jogou com o filho do 18º andar diz muito sobre a Inteligência Emocional.

Segundo Goleman, a inteligência emocional evolve 4 dimensões:

1- Perceber-se emocionalmente

2- Controlar as próprias emoções

3- Perceber os outros

4- Administrar relacionamentos

Harvard tem um estudo que concluiu que os melhores alunos não são os melhores executivos.

O QE, coeficiente de inteligência emocional, é mais importante que o QI, coeficiente de inteligência.

Existem centenas de pesquisas científicas mostrando a importância da inteligência emocional para a performance financeira das empresas, para o bom relacionamento no trabalho e no casamento.

A emoção tem primazia sobre a razão...

No caso de Obina, a falta de controle de suas emoções e a falha em perceber como suas emoções afetam o seu próprio desempenho prejudicaram não só o seu time, mas a sua própria chance de ter sucesso. Para atingir seu potencial e ter sucesso não basta ser bom no que faz.

Obina pode ser o melhor jogador do mundo. Se não conseguir se conhecer emocionalmente e se manter sob controle, nunca passará de mais um potencial desperdiçado...

Infelizmente, existem muitos Obinas por ai...

As dezenas de casos de violência, por motivos fúteis, que vemos diariamente na TV são causadas principalmente pela “ignorância emocional”. Problemas causados por pessoas primitivas, subdesenvolvidas emocionalmente.

Pessoas que não evoluíram apresentam comportamento pré-histórico... Podem ter curso superior, dinheiro e status, mas reagem como nossos ancestrais, mais animais do que humanos...

O verdadeiro desenvolvimento social só acontecerá quando as pessoas crescerem emocionalmente. Este crescimento depende de muitos fatores. Felizmentente, todos dependem da vontade e disposição pessoal.

Ao contrário do QI, que é nato, o QE é desenvolvido. E o processo de desenvolvimento começa com uma jornada interior:

· Como você vê sua vida?

· Quais os valores são realmente importantes para você?

· Como devo atuar frente ao meio em que vivo?

· Com quais princípios éticos devo construir minha vida?

· Quais pressupostos devo ter, desenvolver ou abandonar?

· Quais habilidades devo desenvolver?

Infelizmente, tem muita gente com um QI tão baixo que não consegue refletir.

Ai não tem jeito...

domingo, 15 de novembro de 2009

A era da irresponsabilidade e a convergência mundial


O escândalo do anúncio dos bônus milionários para os CEO´s de empresas americanas quando estas anunciavam prejuízos bilionários foi o prenúncio do fim da era da irresponsabilidade.

Uma era onde diretores administravam suas organizações em função dos seus polpudos bônus.

Pelo bônus vale a pena correr todos os riscos. Afinal, o dinheiro é dos acionistas.

Acertando, bônus. Errando? Pensão milionária...

À medida que estes benefícios desproporcionais tornarem-se público, à medida que a população deixar de ser platéia e passar a participar, as desigualdades diminuirão.

Não dá para poucos continuarem ganhando em detrimento de muitos. O sistema não se sustenta com tanto desequilíbrio.

A convergência para um mundo mais justo, mais digno, mais ético é uma questão de sobrevivência.

Basta olhar para a história da humanidade... O progresso é inevitável.

Aqueles que se beneficiam do “status quo” fazem de tudo para atrasar o progresso.

A idéia é “se servir’ das organizações (sejam elas públicas ou privadas) o máximo que podem.

Que responsabilidade têm estes “afortunados” para com a coletividade?

Que penalidade sofrem por não cumprirem seu papel?

Até quando acharemos aceitável um diretor irresponsável afundar uma empresa e receber uma pensão de milhões de dólares?

Liderar é servir!

Max de Pree disse que um bom líder deixa 2 coisas por onde passa:

1º Herança.

2º Ativos

Por Herança, ele quer dizer seus valores que norteiam a organização.

Por ativos, ele quer dizer resultados positivos, processos melhores, uma empresa saudável.

O fim da era da irresponsabilidade começou com a queda do muro de Berlin, tornou-se pública com o escândalo dos bônus de Wall Street e culminará com o degelo total do Pólo Norte.

Infelizmente, o preço a pagar pelo amadurecimento será muito alto...

O auto-engano, a religião e a convergência mundial

A religião do futuro será a ecologia.

Igrejas caça-níqueis ficarão vazias.

Deuses serão abandonados.

Falsos profetas, vendedores de curas milagrosas, cairão no ostracismo.

A era do auto-engano chegará ao fim.

O estrago provocado pela reação da natureza despertará a humanidade. Abrirá os olhos dos crentes tapados. Proverá significado para os perdidos. Ampliará a visão limitada dos segregacionistas.

A percepção da irreversibilidade das catástrofes naturais, das secas, das chuvas, do degelo dos pólos, do aumento do nível dos oceanos será a prova inquestionável do primitivismo e a pequenez da mentalidade humana.

A certeza da iminência do fim despertará a consciência para a vida.

A reação da natureza ao excesso de consumo humano será o estopim para o realinhamento dos nossos valores.

Infelizmente, o preço do amadurecimento será muito alto.

Apesar de antever as consequências da irresponsabilidade, promessas vazias de redução dos níveis de emissão de CO2 continuarão a ser feitas por muitos anos mais.

O consumo continuará sendo o estilo de vida dominante.

A mudança do comportamento não interessa a ninguém.

O futuro, mesmo que provável, não tem a força e o encanto do presente imediato.

Mas, este futuro chegará...

domingo, 1 de novembro de 2009

O preconceito e o desenvolvimento


Não se iluda. O futuro será bem diferente.

Daqui a 50 anos, cenas atuais da violência urbana do Rio serão vistas com a mesma rupgnância que sentimos hoje quando vemos cenas passadas dos campos de concentração.

A consciência humana evolui exponencialmente.

Cinquenta anos atrás, o negro americano era totalmente discriminado, não frequentava a mesma escola do branco, nem poderia compartilhar com um branco do mesmo banco num ônibus.

Hoje, o presidente americano é negro.

A falta de ética, a corrupção na política, o comportamento vergonhoso de nossos senadores, a alienação da população com relação ao meio ambiente e a falta de cidadania serão vistas, no futuro, como vemos hoje, o primitivismo que imperava no velho oeste americano.

A cena da universitária que saiu da sala de aula da Uniban de São Bernardo do Campo, escoltada por policiais e hostilizada por centenas de alunos, é a manifestação deste subdesenvolvimento que ainda reina em nosso país.

Este comportamento primário, machista, esta falta de respeito ao “diferente” retrata bem a nossa consciência coletiva subdesenvolvida...

Infelizmente, estes universitários não se manifestam, com a mesma paixão, contra a corrupção, contra a pobreza, contra a mediocridade...

Mas, tudo isto vai passar.

A adolescência da consciência coletiva não vai durar para sempre. Mesmo no Brasil da lei de Gerson, no Brasil do jeitinho, no Brasil do “isto não é problema meu”...

Vamos amadurecer como sociedade!

Nossa cultura é o maior obstáculo a aceleração do crescimento.

Infelizmente, nossas universidades continuam dando provas que não entenderam que seu papel mais importante é o de desenvolver líderes capazes de inspirar jovens na construção de uma sociedade mais justa, mais humana e mais digna.

Por isto, outros caminham. Nós engatinhamos...

domingo, 25 de outubro de 2009

O usuário é culpado

Nunca vi o Walter tão exaltado.

Neste sábado falei com ele no Skype.

Me disse que, lá em Chicago, os últimos acontecimentos no Rio foram muito comentados. A derrubada do helicóptero pelos traficantes e as 40 mortes da semana reforçaram o sentimento da publicidade enganosa apresentada em Copenhague (que culminou com a escolha do Brasil como sede dos jogos Olímpicos de 2016).

“A realidade é bem diferente...”

“A propaganda está muito mais próxima do sonho do presidente Lula do que da realidade...”

“O Rio merecia ganhar? A situação em 2016 será diferente?”

Walter acredita que há muita hipocrisia na mídia por mostrar somente um lado do problema. “O usuário não tem responsabilidade alguma?”

Artistas, cantores, usuários da zona sul são apresentados em programas de televisão com muita complacência, como vítimas ou como heróis que enfrentaram o problema após anos de dependência...

“Se você comprar material roubado você é considerado receptador, criminoso. Se você comprar drogas de um traficante assassino, você é classificado “doente”, “dependente”. Faz sentido?”.

Se a justiça não permite punir o usuário, a mídia poderia ser menos tolerante.

Walter é radical neste tema.

“Se você tem um amigo usuário (mesmo eventual) você tem um amigo igualmente criminoso, que tem sangue nas mãos, que ajuda o traficante a apertar o gatilho.

Seu amigo alimenta a violência irresponsavelmente.

Se afaste dele...”

Grande Walter, você tem razão.

Somos muito tolerantes com desvios de conduta. Somos muito tolerantes com a incompetência de nossos dirigentes. Somos muito tolerantes com a mediocridade, somos muito tolerantes com a baixa performance.

Por isto elegemos e reelegemos corruptos, admiramos demagogos e achamos que tudo vai bem...

Afinal de contas, Deus é brasileiro, no final tudo dá certo...