terça-feira, 20 de março de 2012

Carolina está viva e mora em Paris

Passava das 11hs da noite quando liguei meu celular apos sair da sala de aula.

Tinha uma mensagem de Fernando: “Urgente. Me liga hoje. Qualquer hora. Carolina está viva e mora em Paris”.

- Que aconteceu? Só estou ligando agora porque você pediu!

- Ah! Qui est ce? Qui est ce?(com certeza ele estava dormindo, afinal eram mais de 3 hs da madrugada em Paris).

- Sou eu. Montanari. Você pediu para eu ligar urgente.

- Oi, Monta. Você não vai acreditar. Fui participar de um seminário na Panthéon-Assas e uma das palestrantes era a Carolina! Casou quando veio estudar e ficou por aqui. Tem 1 filho de 25 anos, Jean-Luc, porra-loca igual ao pai. Você e a Marlene vão amar...

- Legal!

- Legal, que nada. É fantástico! Jean-Luc tem uma moto Voxan Nefertiti e o pai uma Harley 1200. Peguei a Harley emprestada. Parto amanhã com Jean pra Bélgica. Vou conhecer Brugges, volto dia 30. Falei de você e seus planos de fazer a Europa de triciclo. Estamos esperando vocês aqui, no final do mês...(uma pequena pausa e a paulada) pra gente refazer os seus planos de julho. Nós já...

- O que? Você está sonhando? Final do mês... refazer meu plano... Eu ...

- Calma. Já está tudo acertado. Fizemos a reserva prá você e a Marlene. Vocês embarcam dia 31, sábado pela Air-France, vôo AF0457. Já paguei. Vou te enviar o e-ticket por email amanhã cedo. Reservamos um hotel perto do apto da Carolina.

- O que?

- Tem mais. O Jean, o pai e a Carolina vão em Julho para os Estados Unidos fazer a Rota 66. Decidi que vou com eles. Queremos que vocês façam parte do grupo. Já pagamos a reserva de vocês, $3.200! O resto é por sua conta. Veja os tours guiados no site da Eaglerider . Jean é um porra loca. Esta família é demais. Vocês vão adorar! Estamos esperando vocês para detalhar nosso roteiro. Você pode esquecer a rota Fussen-Wurzburg na Alemanha. Vamos para os...

- Fernando. Num tá certo! O que deu em você. Caramba, assim...

- Tranqüilo. Pega sua passagem. Vem prá cá e a gente conversa. Preciso descansar. Amanhã saio cedo. Bonsoir, mon ami! ( e desligou).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Menos! Não se leve tão a sério...

Acabo de receber um tweet de Fernando:

“Estou na França. Vim aqui pra assistir “Meia noite em Paris” de Woody Allen...vou te ligar no Skype. Não fuja.”

“O tempo está maravilhoso, do jeito que gosto: Céu nublado e uns 10 graus... excelente para caminhar...Vem prá cá você também...”

“Ta louco, tenho que trabalhar...”

“Menos... não se leve tão a sério... Você já parou pra pensar que a vida não é só trabalho? Depois do que aconteceu comigo, lá no Maranhão, eu mudei. E como mudei...

Se alguém me pergunta o que eu faço, não fico aborrecendo o outro com detalhes da minha vida pessoal. Eu fazia muito disso. Uma vez, durante um vôo pro Nordeste cheguei a ficar mais de uma hora falando, sem parar, sobre meu trabalho com uma senhora que sentou-se ao meu lado e fez a besteira de perguntar o que eu fazia e porque estava indo pro Maranhão...

Eu era meu trabalho! Não tinha identidade. Não tinha tempo para nada. Vivia estressado. Só sabia falar, com eloqüência, sobre o que fazia, as dificuldades que enfrentava e meus desafios... Eu não era ninguém fora do trabalho...

Hoje, eu aprendi que o segredo de viver bem, o segredo para ficar mais energizado e menos estressado com o trabalho é desfrutar pequenos momentos todos os dias!

Sentar na varanda e tomar um copo de vinho olhando pro céu, tomar um cafezinho com calma, dar uma caminhada tranqüilo, sentar numa poltrona e só ouvir música com fone de ouvido sem fazer absolutamente nada, ir ao cinema no meio da semana...

Sair da rotina, TODA A SEMANA, é muito importante para carregar as baterias...

Quer ser produtivo e mais eficiente? Pare e relaxe. Curta pequenas coisas todos os dias, sem pensar nas coisas que tem que fazer... desfrute aquele momento!

Monta, preciso desligar. Manda um abração prá sua mãe. Ela faz aniversário dia 14, certo?”

Escutar, nunca foi o forte do Fernando!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O moleque, o velho e o circo


15 de fevereiro de 2034.

Faz calor em Oeiras. Muito calor, apesar de ser 4 horas da madrugada...

Um dos nossos personagens, um garoto de 12 anos dorme um sono intranqüilo. Menos pela temperatura e mais pela ansiedade da aventura que o espera amanhã: ir a cidade para ver o circo! Afinal, foram meses e meses de espera e de trabalho duro para juntar algum dinheiro. Tudo para realizar este sonho que segundo seu avô, seu único companheiro naquela casa de barro, era uma extravagância.

Moleque, como era chamado, conseguiu juntar 10 R$ em oito meses de trabalho. Quanto esforço! Seu avô estava orgulhoso da determinação do moleque... e não era para menos, com tanto dinheiro o garoto poderia comprar um par de sandálias novas que tanto precisava e ainda sobrava uns trocados para uma rapadura de 2 kilos... mas, não! O garoto insistia que tinha juntado o dinheiro para ir ao circo, comprar pipoca e ver o mágico de Zós...

Naquele momento, nada tinha mais VALOR para ele do que este passeio. “Será que os velhos nunca foram crianças e não sabem que diversão é muito mais importante que sapato e comida?”

Enfim, amanhece. O avô acorda, senta à beira da cama e pensativo passa a observar o neto dormindo... são quase seis horas, logo os dois se porão a caminhar: “hoje é um dia de festas”...

Vô, apesar de seus 82 anos, ainda era perfeitamente lúcido. Conseguia se lembrar de muita coisa do antes... Ele vivia contando antigas estórias... lembrou-se, naquele momento, que estudou um conceito que conseguiria explicar esta necessidade de querer coisas que, na verdade, não são essenciais... “Ah, se ainda tivesse os livros de Marketing... eu gostava tanto do prof. Cosenza... que saudades da minha turma do mestrado... que pessoal criativo! Será que sobreviveram?... Ah, sim... o ponto de partida está baseado nos desejos e nas necessidades humanas... o desejo das pessoas por coisas que podem comprar vai gerar uma DEMANDA... Mas, por que alguém prefere comprar um ingresso de circo a uma sandália? ... ai entra o conceito de UTILIDADE... Cada coisa tem uma capacidade diferente de satisfazer as necessidades humanas...

O velho ainda viajava em seus pensamentos quando, de repente, escuta uma voz lá longe chamando: “Vô, vô, tá na hora, precisamos ir, o Sr. tá me escutando?...”

Aos poucos o velho volta a si, e descobre que tem uma missão importante a fazer: ensinar seu neto aquilo que ainda conseguia se lembrar do passado... E isso começaria imediatamente!

Naquele deserto, no meio do nada, seguem felizes um velho e um moleque, cada qual por uma motivação diferente...

Se alguém estivesse por perto escutaria, pelas quase 4 horas de caminhada, o velho discorrendo sobre a distorção dos valores humanos para criação de demandas artificiais... sobre o consumo desenfreado... sobre a famosa mensagem de Victor Lebow... sobre a “percepção de obsolescência das coisas” induzida pela propaganda que nos obriga a trocar coisas mesmo quando ainda são funcionais... sustentabilidade ... superpopulação... e o preço que a humanidade pagou por tudo isto...

“Moleque, milagres não existem. Tudo tem limite. Tudo tem um preço. O segredo está nas escolhas que fazemos, coletivamente...”

E esta foi a história de um velho que sobreviveu às conseqüências do consumo irresponsável...

“Por que razão que se perceba,

Não há de ser esta história mais verdadeira

que tudo quanto os homens de marketing pensam

e tudo quanto as escolas ensinam?”

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

De repente acordei…


Os pingos da chuva batiam na janela ritmados como no 2o movimento do concerto Inverno de Vivaldi.

De repente acordei...

Sonhei que eu gerenciava uma empresa na qual os funcionários eram felizes. Uma empresa onde se via que o sorriso no chão da fábrica era natural e espontâneo.

Uma empresa onde os funcionários tinham orgulho de trabalhar, eram ouvidos, respeitados e se sentiam responsáveis pela manutenção do espírito de cooperação.

Manda quem pode, obedece quem tem juízo” NÃO se aplicava a nossa realidade.

A gestão participativa era praticada. As pessoas se respeitavam.

A empresa era estruturada com base em Equipes, em Equipes Auto-Geridas, não em deptos. O espírito de equipe fazia toda a diferença!!!

A relação ganha-ganha imperava.

Toda contribuição era reconhecida e recompensada. Ganhei uma camiseta do PSV Eindhoven de um operador que, como reconhecimento, fora premiado com uma viagem à Holanda...

Inúmeras viagens, prêmios em dinheiro, inclusive carros eram distribuídos em função das melhorias efetuadas pelas equipes.

A participação nos resultados não era um “me engana que eu gosto”.

Vários gestores do exterior, inclusive sindicalistas da Inglaterra, vieram conhecer como nossa empresa conseguia ser tão especial.

O segredo era o comprometimento e o envolvimento dos funcionários alimentados pela fé que todos, inclusive a liderança, tinham no modelo de gestão!

A auto-gestão funciona! Só depende de maturidade...

Continua chovendo...

Como um sonho pode retratar a realidade?



quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

...e Deus foi ao inferno para se encontrar.

“Vamos para Itú? Vai fazer sol o dia inteiro neste domingo?”

“De triciclo?” perguntou Marlene?

“Claro!”

E lá fomos nós.

Quando chegamos, Fernando já estava lá em baixo para nos receber. Apontou com as duas mãos para o Azul do Céu como estivesse fazendo um agradecimento aos deuses e acenou, como estivesse nos apresentando o Verde do seu Condomínio de luxo. “A jornada é o propósito! E tem gente que procura um significado, um porquê da jornada... Percorrer o caminho é um Privilégio. Conseguir ver e sentir é a Recompensa e, isto é tudo o que importa... Vocês, de triciclo, vivenciaram uma verdade metafísica... Me encontrar aqui não foi o propósito de terem vindo!”

“E tem gente que vai longe para se encontrar”. Retruquei.

“Você tem razão, eu...” tentou responder Fernando.

“E assim que vocês se cumprimentam, depois de tanto tempo sem se verem?” Interrompeu Marlene, pensando que eu me referia ao fato de Fernando ter acabado de voltar de São João do Carú, onde fazia trabalho voluntário e que minha afirmação o ofendera.

Olhei para Fernando que me abraçando sussurrou: “Gustav Van Doorn...”

Com este gesto, Fernando demonstrou que havia entendido que minha afirmação se referia ao texto do belga Van Doorn: “Deus foi ao inferno para se encontrar”. Neste texto, o professor, relata a experiência maravilhosa que é ver, sentir e compreender quão remota é a possibilidade da existência de vida inteligente. Este é “o” milagre. Fruto do acaso. Não há Criador, nem criação intencional. Somos parte de um Todo que é, em essência, a negação do Nada Absoluto. A Força que move o Universo é a Necessidade de Ser... Segundo o autor, as religiões, a certeza da existência de um Deus, a convicção que a vida humana tenha um propósito e a crença na vida pós-morte são necessárias nesta fase do desenvolvimento da humanidade. “Estamos na infância... Não nos demos conta, ainda, de quão espetacular é o fato de estarmos aqui e podermos ver e sentir... Nossa jornada justifica a nossa existência... O ódio, a inveja, o patriotismo, a ambição desmedida, os cultos religiosos, as guerras, a devastação da natureza são alguns dos sinais da falta de amadurecimento... Quando formos evoluídos entenderemos que percorrer o Caminho (viver) é “o” privilégio... passaremos a adorar e a venerar a Vida... mas, até lá Deus (simbolizando a humanidade) precisará ir até o inferno para se encontrar...”.

“Estava com saudades de nossos papos. Vamos entrar...”

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crianças pobres tornam-se adultos pobres?

A igualdade de oportunidades entre gerações é igual para pobres e ricos?

Esta “igualdade” varia entre os países?

Para responder a estas perguntas, Miles Corak, em 2006, publicou no Institute for the Study of Labor (IZA) (Alemanha), um artigo de 67 páginas intitulado: “Do Poor Children Become Poor Adults? Lessons from a Cross Country Comparison of Generational Earnings Mobility”.

Nos Estados Unidos, 50% das crianças nascidas de família de baixa renda tornam-se adultos de baixa renda.

No Brasil, segundo este estudo, a mobilidade é ainda menor: 55% das crianças de famílias pobres tendem a permanecer pobres!

No Peru, quase 65%...

Se olharmos a Noruega e a Dinamarca, em somente 15% dos casos, a riqueza ou pobreza dos pais afeta a condição futura dos filhos.

A igualdade de oportunidades entre gerações varia muito entre os países.

A pesquisa constatou que quanto maior a desigualdade social no país (medido pelo coeficiente de Gini) maior a chance das crianças pobres permanecerem na pobreza.

A pesquisa também mostrou que esta diferença de oportunidade entre os países se deve, em grande parte, à Qualidade da Educação fornecida a sua população (principalmente, a do ensino fundamental).

O problema não está no MONTANTE gasto pelo Estado com Educação, mas na estrutura do sistema e no desenvolvimento das capacidades cognitivas das crianças que lhes permitam aproveitar as oportunidades disponíveis. O Estado é responsável ! Educação de Qualidade é vital para a redução da desigualdade social e econômica.

E a família? Qual sua responsabilidade neste fenômeno?

Quais fatores levam crianças nascidas em famílias ricas tornarem-se adultos ricos e crianças nascidas em famílias pobres continuarem pobres?

Crianças pequenas recebem, de seu ambiente, estímulos que influenciam o seu desenvolvimento neural e isto definirá os limites das suas capacidades. As crianças criadas em famílias da faixa sócio-econômica mais alta são mais susceptíveis de serem expostas a um ambiente estimulante e colocadas num caminho mais vantajoso na vida com respeito à saúde, ao desenvolvimento cognitivo e às habilidades sociais.

Se o cérebro não recebe a estimulação ambiental necessária em certos períodos críticos, a janela de oportunidade se fecha e o desenvolvimento deixa de ocorrer.

A mensagem que tiro deste paper pode ser resumida em:

A ignorância perpetua a pobreza.

Quanto maior a desigualdade social num País, maiores as chances das crianças pobres tornarem-se adultos pobres.

A educação infantil é crucial para quebrar o círculo vicioso: pai pobre, filho pobre.

Quanto mais estimulante o ambiente familiar, maiores as chances da criança desenvolver-se e aproveitar as oportunidades para seu crescimento sócio-econômico.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Bill Gates, o controle populacional e a emissão de CO2

Monta, você viu como Bill Gates está sendo criticado por causa da sua fórmula matemática que explica como reduzir o aquecimento global via redução da emissão de CO2?

Sem me dar a chance de responder, Fernando dispara a comentar:

A emissão de CO2 depende de 4 fatores:

CO2 = P x S x E x C

P= PESSOAS

S= SERVIÇOS

E = ENERGIA POR SERVIÇO

C = CO2 POR UNIDADE DE ENERGIA

P significa pessoas. Hoje somos 6.8 bilhões. Quanto maior a população, maior o consumo de energia, maior emissão de CO2...

S significa serviços. Todo mundo, principalmente, os mais pobres, desfrutarão de melhores serviços no futuro (TV´s, computadores, telefones celulares, viagens de férias, roupas da moda, jantares em restaurantes etc).

E significa energia. Todo serviço consome algum tipo de energia.

C significa CO2. Cada tipo de energia tem agregado a si maior ou menor emissão de CO2.

Após uma pausa para respirar, Fernando lança a pergunta:

O que fazer para reduzir DRAMATICAMENTE a emissão de CO2?

Eu sabia que ele não queria ouvir minha resposta. Logo em seguida dispara:

Esterilização voluntária via vacinação? Quem sabe, em vez de chegarmos aos 9 bilhões (nosso limite, segundo alguns), a humanidade possa se estabilizar nos 8 bilhões... Limitar a taxa de crescimento populacional parece impraticável. Trabalhar nesta variável da fórmula (P) é importante, mas não reduzirá significativamente a emissão de CO2. Entretanto, ALGO PRECISA SER FEITO.

Provavelmente, a humanidade chegará ao ponto de regulamentar o direito que as pessoas tem de desfrutarem determinados serviços. Via educação e pesadas taxas, quem sabe, o consumo de água em garrafas PET´s e as viagens aéreas sejam reduzidos. O próprio Bill Gates tem um jato particular de 21 milhões de dólares e uma mansão de 6.000 metros quadrados... Trabalhar nesta variável da fórmula (S) é importante, mas também, não é a solução para reduzir significativamente o aquecimento global.

Já que não dá para reduzir significativamente o número de pessoas (P) e os serviços que consomem (S) é necessário que estes serviços sejam cada vez mais “limpos” no sentido de consumirem menos energia (E) para serem produzidos. A humanidade precisará ser muito mais eficiente, gerar menos resíduos, desperdiçar menos matéria prima. Consumir menos energia por serviço.

No Brasil, por exemplo, a construção civil é um absurdo. Estima-se que o desperdício chegue a 20%. De cada 100 casas, outras 20 poderiam ser construídas. Nossas ruas e avenidas são “asfaltadas” com freqüência, porque não foram bem feitas da primeira vez... Nosso modismo consumista nos induz a trocar de aparelho celular todo ano... Nossas roupas e sapatos são descartados muito cedo. Temos políticos demais, consomem muito e produzem pouco. Cada grama de energia precisa gerar um serviço útil!

E finalmente, chegamos ao C, emissão de CO2 por tipo de energia. Em vez de apostar todas as fichas no pré-sal, deveríamos considerar a energia solar e eólica.

A devastação de nossas matas para produzir carvão ou para virar pasto (para transformar a energia vegetal em animal) são exemplos da utilização inadequada da Energia.

Monta, eu não entendo. Por que em vez de malharem Bill Gates, estas pessoas não aproveitam sua popularidade e sua fórmula didática para conscientizar a população que a emissão de CO2 é alarmante e insustentável?

Você não acha que estou certo?

Puxa vida, eu não tinha visto como está chovendo. Foi legal conversar com você, mas preciso ir...

E lá se foi Fernando, em baixo de chuva, mergulhado em seus próprios pensamentos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Carolina e paz de espírito dos ignorantes

Ontem, depois de muitos anos ouvi Carolina de Chico Buarque. Imediatamente me lembrei de uma amiga do passado, “Carolina Olhos Fundos”.

Onde será que ela está hoje? Faz mais de 40 anos que não tenho notícias. Nem sei se está viva!

Nunca me esqueci como ela era especial. Sempre a frente do seu tempo! Com quatorze anos já havia lido O Egípcio, mais de 500 páginas, “coisa de louco” dizíamos... Falava de como Schopenhauer respeitava os animais e criticava a ditadura... enquanto, nós, moleques, brincávamos de “mocinho e bandido” e achamos o máximo discutir as aventuras do “Vigilante Rodoviário”...

Talvez, pelo fato de ter sido criada por uma mãe super atenciosa e dedicada, Carolina se tornara uma adolescente aplicada e ativista.

Me lembro muito bem que não comia carne, pois quando via no prato um pedaço de frango ou bisteca de porco imaginava o animal se debatendo de sofrimento ao ser sacrificado... “Vocês não têm dó?”. Este era um pensamento incomum na comunidade que vivíamos. Ríamos dela. Principalmente, nós que matávamos passarinhos com estilingue e os caçávamos com gaiolas e alçapão... Consciência zero! Santa ignorância juvenil...

Fico imaginando quão indignada ela ficaria hoje ao pensar na industria da proteína que, literalmente, explora os animais ao extremo para transformar milho em carne. Até escuto sua voz: “estes animais são privados do contato com a natureza, vivem confinados, super alimentados, anabolizados para crescerem rapidamente e depois serem mortos brutalmente... Como alguém pode achar natural uma coisa destas?”

Fico imaginando quão indignada ela se sentiria hoje ao ouvir notícias dos eventos que cercaram a morte do prefeito Celso Daniel, os escândalos envolvendo nossos ministros, as denuncias de movimentação financeira no judiciário...

Quando ela entrou para a faculdade nos afastamos. Seguimos caminhos diferentes. Mas, tenho certeza que, se ainda estiver viva, não perdeu a capacidade de se indignar e que sofre com tudo que vem acontecendo neste pais.

Como escreveu Chico Buarque:

“Carolina, nos seus olhos fundos, guarda tanta dor,

a dor de todo este mundo...”

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Incompetentes ou Irresponsáveis?

Gestores, por um lado são planejadores com uma perspectiva de longo prazo, uma autoridade que insiste em decisões em que o futuro pesa mais que o presente. Por outro lado procuram gratificações imediatas. Estes dois lados estão em constante conflito.

Será que isto se aplica a gestores públicos? Existe realmente o conflito? Ou o foco no presente, no aqui e agora, é dominante?

Vejamos o caso do nosso querido ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

PLANEJAMENTO é um processo em que se determina um conjunto integrado de ações e procedimentos para a consecução de um ou mais objetivos.

Objetivos de curto ou longo prazo? Objetivos pessoais ou coletivos?

O gestor deve dominar a arte de decidir sobre o quanto se deve sacrificar o presente em troca de um futuro melhor.

Saber onde, quanto e quando investir tempo e recurso faz parte de suas atribuições básicas.

O gestor público, em especial, tem a obrigação moral de olhar o todo e, não só, o seu próprio interesse. Nosso ministro Bezerra Coelho é um gestor. Suas ações demonstram que falhou na essência da sua função. Não há desculpas. Falhou na alocação de recurso. Falhou no planejamento do longo prazo.

A conta de uma gestão pública ineficiente, por incompetência ou irresponsabilidade, está sempre endereçada para a população... é ela quem paga esta conta e com juros... Muitas vezes, tempos depois do gestor deixar seu cargo...

Qual a punição para um gestor público ineficiente?

Destituição do cargo? Cadeia?

Isto é pouco!

Gestores ineficientes precisam ser desmascarados publicamente. Sua incompetência precisa ser exaltada para que se sintam humilhados e descubram que não são especiais. Eles precisam sentir que estão ocupando um cargo, desempenhando uma função e isto não os tornam superiores nem merecedores de privilégios.

Bezerra Coelho é só mais um, entre as centenas de gestores que não percebem (e se percebem não se importam) que sua incompetência afeta a qualidade de vida (ou a própria vida) de muitas pessoas. Dormem tranquilos porque acham que fizeram o melhor possível. Só não entendem que o melhor possível não é o suficiente...

Nada como a ignorância para reinar tranqüilo!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Quando o fim está próximo...


“E ai como vai Monta?”.

“Fernando? Quando tempo cara... o que aconteceu que não mandou mais notícias? Tudo bem por ai? Continua no Maranhão?”

“Não quis te ligar antes de me recuperar do trauma... Há 3 meses fui atropelado por um motorista bêbado... Aqui em São João do Carú também acontece isto! Fiquei internado por quase um mês... quebrei a bacia, duas costelas e tive várias fraturas no braço esquerdo... Estou muito melhor agora, mas praticamente perdi os movimentos do braço e da mão esquerda... Pensei que fosse morrer...”.

“Puxa vida, por que não me ligou? Eu iria te visitar e te ajudar de alguma forma...”.

“Monta, quando o fim está próximo, ou você acredita que está próximo, seu mundo muda... Seus valores ficam estremecidos... O que é importante pra você, deixa de ser importante. O que te motiva a fazer e a acontecer, perde toda a força... De repente, você se torna o Guardador de Rebanhos do Fernando Pessoa... Você sente na pele o significado do que é existir... Todo o resto é pequeno, não tem valor...

Eu comecei a questionar o que fazia aqui, neste fim de mundo, sozinho, tentando ajudar estranhos que nem sabem que precisam de ajuda... Eu é quem precisava de ajuda e não tinha ninguém...

Nessa hora você sente que seus sonhos, adiados pela pressão do dia-a-dia, nunca se realizarão... É uma sensação de frustração indescritível...

Aquele filho da puta bêbado não tinha o direito de mudar o meu mundo!

Eu queria continuar vivendo na ilusão... Eu preferia não saber que o único significado das coisas é que não existe significado algum... É muito melhor acreditar que existe um propósito...

Monta, tô te ligando hoje, neste último dia do ano para te dizer 2 coisas:

1o Quando seu avô dizia ‘carrego comigo todos os meus bens’ ele sabia o que estava falando... eu senti exatamente isto quando estava no hospital... Vou repensar o que fazer com o tempo que me resta...

2o Vou voltar para Itu. Deixei meu trabalho! Na segunda semana de janeiro te ligo pra tomarmos um chopp na pizzaria ao lado da sua casa. Tudo bem?

...Ah, nada mais uma coisa. Hoje vou beber bastante. A meia noite, vou ouvir, no último volume, a abertura de Strauss, Also Sprach Zarathustra. Meu ritual de passagem a la Stanley Kubrick...”.

"FELIZ ANO NOVO!"

sábado, 3 de dezembro de 2011

42º Aniversário do Dia Mundial da Terra







22 de Abril de 2012

Neste Dia da Terra precisamos mobilizar o planeta para simplesmente dizer uma coisa:

A Terra não pode esperar!

Questões ambientais têm sido postas em segundo plano por estarmos no meio de uma recessão global.

No entanto, os problemas que a Terra enfrenta não diminuirão simplesmente porque optamos por ignorá-los. Continuamos injetando toneladas de CO2 na atmosfera. Nossos rios, córregos, lagos e oceanos permanecem poluídos, juntamente com o nosso ar. Virou rotina vazamentos de óleo, rompimentos de óleo duto e notícias sobre novas minas de carvão em operação.

Até quando os políticos vão ignorar a realidade?

Está na hora de nossos líderes nos colocar no caminho da sustentabilidade e gerenciar a economia levando o meio ambiente a sério.

Os associados do Dia da Terra continuarão trabalhando para atingir sua meta de 1 bilhão de ações verdes antes do encontro RIO +20, aqui no Brasil, em Junho de 2012.

Precisamos mobilizar indivíduos e grupos para tornar o Dia da Terra o maior movimento ambiental de todos os tempos. Milhões de pessoas em todo mundo está participando e tomando iniciativas verdes.

Para reflexão:

Estou realmente fazendo tudo o que posso?

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Meu Presente de 16 anos e a Mediocridade

Semana passada decidi rever o conteúdo do meu arquivo “Pastas Pessoais” que estava mofando no escritório. Encontrei muitas preciosidades, entre elas, o presente que meu avô me entregou em 1968, no dia do meu aniversário: Uma mensagem escrita por ele, a lápis, em folha de caderno escolar e colocada num simples envelope branco, onde se lê: “Para meu querido neto”.

Me recordo que aquele dia foi a última vez que vi meu avô vivo. Faleceu algumas semanas depois sem ter conseguido passar a mesma mensagem para seus outros 4 netos mais novos...

Para ele, o aniversário de 16 anos é o mais importante da vida de uma pessoa. Representa o momento de escolher entre trilhar o caminho da mediocridade ou o da sabedoria. Para ele nossas chances de enxergar o mundo e não se tornar “mais um medíocre a andar sem rumo pela vida” depende muito da “qualidade do berço” que herdamos de nossos pais. Filhos de uma “família pobre” (de valores) tem muito menos chances do que os filhos nascidos numa “família rica”. A qualidade do berço nos dá uma vantagem inicial, uma possibilidade maior de realização pessoal, não uma garantia.

“Luiz, aos 16 anos inicia-se a nossa segunda chance. O momento de marcar nossas escolhas! O que você quer? Ser medíocre, ter uma vida medíocre e sem perspectivas? Ser dependente dos outros? Ser dependente do prazer imediato? Ficar preso no eterno esperar: Esperar por dias melhores? Esperar pelo final de semana com sol? Esperar pelo amor de sua vida? Esperar pelo salário do final do mês?... O que você quer?”

“Se somente depois que a barriga crescer e o cabelo ficar grisalho você perceber que não fez tudo o que poderia ter feito e que está infeliz com sua vida... mau sinal... sinal de escolha errada, lá trás! Tarde demais para reclamar! Não culpe este seu velho avô. Você estará colhendo o que plantou... por outro lado, se você olhar para trás e sentir orgulho da sua vida e a vontade de viajar, de aprender, de acontecer continuarem latentes, parabéns! Você, provavelmente, acertou...”

“... medíocres escolhem sempre o caminho mais fácil e imediato... no futuro tornam-se pessoas amargas e infelizes... percebem que o tempo passou e eles não fizeram o que deveriam...culpam outras pessoas ou situações das quais não eles têm controle...”

“...Veja o meu caso... Sou feliz! Se pudesse começar de novo, faria as mesmas escolhas... Como você, eu também recebi esta mensagem aos 16 anos!...”

“Luiz, ser medíocre não vale a pena! A opção do caminho fácil e do prazer imediato tem um preço alto. A conta vem com juros... Coragem!”

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Vergonha Nacional (Americana...)


Como pode a pré-candidata ao cargo de Presidente do país mais rico do mundo sugerir que o Furacão Irene era simplesmente uma maneira que Deus encontrou para chamar atenção do Congresso Americano?

Mais um “suposto líder americano” a defender que os desastres naturais são castigos de Deus... Já não bastou o pastor texano John Hagee afirmar que o Katrina foi enviado a New Orleans para protestar contra a parada gay ou o famoso tele evangelista Pat Robertson que associou o Katrina às discussões sobre o aborto?

Como pode uma sociedade tão rica ter pessoas tão ignorantes em posições tão estratégicas?

Michelle Bachmann, você é o mais novo símbolo do lado mais obscuro e retrógrado do partido Republicano. Uma vergonha nacional!

Tenho certeza que você não passará pelas primárias e não representará nem os republicanos. Ou será que existem tantos ignorantes assim num país que gerou Martin Luther King, Obama, Steve Jobs, Bill Gates e a Universidade de Stanford?

Os líderes de um país refletem o seu povo e os seus sonhos, as suas necessidades, suas intenções...

Quando olhamos para o Brasil não vemos (ainda) essa ignorância religiosa e medieval no poder.

Vemos líderes sem valores morais, corruptos, manipuladores que querem tirar vantagem de tudo e dão um jeitinho para tudo.

A voz dos líderes é a voz do povo!

A voz do povo é a voz de Deus!

A ignorância sempre foi útil e santificada, já muito antes das cruzadas...

Tudo isto acabará um dia ou esta ignorância acabará com a humanidade...

Parafraseando Fernando: “No futuro, a humanidade será constituídas por ateus, pessoas éticas e ecológicas, na sua maioria...”

segunda-feira, 30 de maio de 2011

NÓS VALEMOS PELO QUE POSSUÍMOS


Minha empregada tem o cartão de crédito uma grande loja de roupas.

Seu cartão foi clonado. Fizeram 2 compras em 2 lojas de games no Morumbi num total de 1.500 reais. Fizeram 3 refeições, no mesmo dia, no mesmo local, no valor de 350 reais.

Com a fatura em mãos ela vai até o banco para explicar que ela não fez estas compras e recebe a informação que tem que pagar a fatura se não seu nome vai ao SERASA, “...pois, o banco não vai ficar no prejuízo”. Ela solicita os boletos com as assinaturas. Jura que não fez as compras. O atendente se recusa a mostrar e afirma que ela não tem o direito de vê-los, mas oferece um empréstimo para ela pagar as despesas (que não fez) em 12 vezes...

Se ela não fosse uma pessoa tão humilde seria tratada com tanto desrespeito?

Que treinamento esse banco dá para seus funcionários?

Sinto-me envergonhado, pois tenho conta neste banco.

Num país sem valores, num país que políticos ficam milionários em um mandato, onde a educação, a criminalidade, a burocracia e a corrupção se nivelam aos piores países do mundo, o que se pode esperar?

NÓS VALEMOS PELO QUE POSSUÍMOS. O tratamento que recebemos depende do nosso saldo bancário, da nossa aparência e do nosso círculo de relacionamentos. Esse é o Brasil de todos...

“Boas instituições são criações de seus participantes”. Então, como se avalia um banco que tem funcionários que trata seus clientes desta forma?

Infelizmente, esse banco é o reflexo da cultura que ainda domina neste país...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Nota zero para os governantes!

Cada senador custa ao Brasil 33 milhões de reais por ano, segundo o estudo da Transparência Brasil.


A professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, aquela que deu “Nota zero para os governantes!” recebe de salário R$ 930,00...

Nosso Palocci compra um apto de 6,6 milhões, um escritório de 883 mil, aumenta o valor de seus bens em 20 vezes e o líder do PT no senado, o ilustre Humberto Costa acha que "As explicações dadas pelo ministro são perfeitamente aceitáveis para o governo e para a sociedade”...

Como disse Amanda:
“Eu falaria aos governantes para deixarem de usar essa máscara de pessoas sérias, honestas, e que tratassem os educadores como eles merecem.”




quarta-feira, 18 de maio de 2011

sábado, 7 de maio de 2011

A tecnologia vai revolucionar a educação


A nova era dos livros digitais está chegando.
"Our Choice" de Al Gore poderá ver "lido" no Ipad e no Iphone.
E tem gente que acredita que o livro em papel não vai acabar!!!

Vale a pena conferir.