quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Políticos, Eleitores e o Erro Fundamental de Atribuição



Walter perdeu seu pai aos 6 anos. Sua mãe, uma dona da casa determinada deu um duro danado para criá-lo.

Pelo que sei, Walter sempre estudou a noite. Começou trabalhar cedo. Aos 12 já lavava peças numa oficina de autos no Bom Pastor.

Seu sonho era ser engenheiro. Com sacrifício conseguiu entrar na FEI.

Trabalhou por 6 anos, em Ribeirão Pires na Fábrica Constanta Eletrotécnica, no 3º turno, enquanto cursava a faculdade.

Sua vida era uma loucura. Os colegas o ajudaram muito. Desdobravam-se para fazer o seu serviço, enquanto tirava um cochilo prolongado no vestiário na hora da janta. Ele literalmente foi adotado pelos colegas. Se cotizaram e cada dia um trazia de casa a “marmita para Waltinho”. Ajudavam em tudo que podiam. Queriam vê-lo engenheiro e longe do chão de fábrica. E conseguiram...

A Constanta fechou as portas.

Walter está há muitos anos nos Estados Unidos.

O caso dele me faz acreditar que não é tão difícil assim fazer a diferença para alguém. Basta querer e estar no ambiente adequado.

A situação que vivemos é determinante para a formação do nosso caráter. Walter é a prova viva disto. Seus colegas e seu ambiente de trabalho foram mais importantes que sua própria mãe para a formação de sua personalidade.

Quando vejo nossos senadores na tribuna, complacentes, displicentes, arrogantes, discursando e defendendo o indefensável, penso que a falta de caráter destes políticos tem mais haver com o ambiente e a situação que vivem do que com a formação que receberam.

Um amigo psicólogo me disse: “Caráter é mais um pacote de hábitos, tendências e interesses dependentes das circunstâncias e do contexto, do que traço fundamental das pessoas”.

HONESTIDADE DEPENDE MUITO DA SITUAÇÃO E DO CONTEXTO!

A única saída para este país é mudar o “contexto” de Brasília. Precisamos criar o clima, o estado de espírito sonhador, o contexto que viviam aqueles trabalhadores que tinham como meta ver um deles se tornar engenheiro...

RENOVAÇÃO É O QUE PRECISAMOS.

Sem massa crítica, sem muitos políticos novos não vamos mudar esta pouca vergonha que virou o PT, o PMDB e o nosso SENADO. O "Contexto" vai continuar a ditar o padrão de comportamento e o caráter de quem pisar lá.

NÃO REELEJA NINGUÉM!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A crença precede a prática


As crenças, os valores norteiam a vida das pessoas e das Instituições.

A prática, as atitudes refletem de maneira inegável os verdadeiros valores e crenças.

As palavras servem como referência para análise dos valores que estas pessoas e Instituições querem exteriorizar.

Como confiar ou mesmo tolerar um político, um gestor, ou uma Instituição cuja pregação, as palavras não refletem as atitudes do seu dia-a-dia?

Somos o que praticamos, não o que dizemos que acreditamos.

Quais os verdadeiros valores e crenças dos líderes da Igreja Renascer, pegos e presos por entrar nos Estados Unidos com mais de 50mil dólares não declarados, escondidos numa bíblia?

Quais os verdadeiros valores de Maluf que diz teatralmente que não tem dinheiro no exterior?

O que pensar de Sarney, Paulo Duque, Calheiros, Collor e tantos outros senadores?

Edir Macedo e a Igreja Universal foram complacentes com desvio de dinheiro de doações? Dá para acreditar na declaração dos valores desta Instituição?

E agora paira dúvidas sobre Dilma. Dilma mentiu no caso do dossiê dos cartões? Dilma pediu ou não agilização nas investigações contra empresas da família Sarney? Mentiu no currículo Lattes sobre seu mestrado e doutorado? Fez parte do curso, não concluiu. Então não tem o título de Mestre. Sabia do erro? Se ela foi complacente com este “pequeno” engano, que outros desvios foram ou serão tolerados?

Pessoas públicas e Instituições não podem ser COMPLACENTES com desvios.

Nós podemos tolerar divergências entre palavras e atitudes de Instituições e figuras públicas. TOLERÂNCIA ZERO À COMPLACÊNCIA.

Não existe outra maneira da humanidade se desenvolver com dignidade.

“Os fins justificam os meios” é uma prática inaceitável, pois esconde os verdadeiros valores de quem a pratica.

domingo, 9 de agosto de 2009

Nós também podemos?

Adaptação do discurso de Obama de 05/11/2008 para nossa situação

“O que os cínicos não entendem é que o chão IRÁ SE MOVER SOB sob eles...

... As discussões políticas mofadas que nos consumiram por tanto tempo não servem mais.

PRECISAMOS proclamar o fim dos sentimentos mesquinhos e das falsas promessas, das recriminações e dos dogmas desgastados que por tanto tempo estrangularam nossa política...

... Ainda somos uma nação jovem...

... Nossa jornada de tomar atalhos ou de nos conformar com menos PRECISA ACABAR...

... Chegou o tempo de reafirmar nosso espírito resistente; de escolher nossa melhor história; de levar adiante ESTE SONHO, essa ideia nobre DE JUSTIÇA, DE ÉTICA E COMPETÊNCIA NA GESTÃO PÚBLICA...

Nossos trabalhadores não são menos produtivos do que NENHUM OUTRO.

Nossas mentes não são menos criativas, nossos produtos e serviços não menos necessários do que foram na semana passada, no mês passado ou no ano passado.

Nossa capacidade É MUITO MAIOR DO QUE A MAIORIA DOS BRASILEIROS IMAGINA.

Mas nosso tempo de repudiar mudanças, de proteger interesses limitados e de protelar decisões desagradáveis -- esse tempo certamente já passou.

... PRECISANOS nos ERGUER, sacudir a poeira e começar o trabalho de refazer O BRASIL....

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A mulher, o gay e o negro


Eu disse que não iria, mas a Marlene insistiu tanto que fomos pra Boituva.

O preço: distensão no pé esquerdo e 2 dias de molho sem poder andar...

Mesmo assim valeu a pena. O salto foi muito legal.

Também foi muito legal receber Fernando em casa com uma garrafa do Almaviva e 3 filmes em DVD.

“A idéia é discutirmos enquanto bebemos. Já que você não pode fazer nada mesmo...”.

Nem terminei de contar como havia sido o acidente e Fernando me interrompe:

“Tá na hora. Vou nos conectar com o Walter via Skype e ligar o DVD...”

A tecnologia (e o pé enfaixado) permitiu que, nós aqui e Walter lá em Chicago, conversássemos e assistíssemos simultaneamente os mesmos filmes:

A Troca com Angelina Jolie, Milk com Sean Penn e Quase Deuses com Mos Def.

A intenção foi a de usar os filmes para alavancar uma discussão sobre a evolução do comportamento social e imaginar o que será o mundo daqui a 50 anos...

“A humanidade ainda está na sua adolescência. O entendimento é pequeno, mas a arrogância e o poder de destruição são grandes... Todo este preconceito, esta ignorância, essa mediocridade, essa visão de mundo atrelada ao próprio umbigo vão passar. Nossos valores e comportamento coletivo irão mudar...“

O problema é que nosso dia-a-dia nos consome, nos sufoca e não nos deixa enxergar para frente... Por isto, precisamos, de tempos em tempos, olhar para trás e refletir. Estamos caminhando.

“Devagar e nem todos no mesmo ritmo, mas, os blogs, a tecnologia de comunicação, os pés quebrados vão dar uma forcinha...” satirizou Walter.

PS.: Assistam os filmes e pensem a respeito.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Cerebro estressado, triciclo e o desenvolvimento pessoal


A gripe suína nos afastou da Patagônia.

Achamos mais prudente adiar o passeio, não pelo medo de ficar doente, mas pelo risco de afetar nossos familiares.

Foi até melhor, pois Fernando nos convidou para passar uma semana em seu sítio de Campos. Estranhamos, pois pouquíssimas pessoas tiveram o privilégio de visitar seu refúgio (“meu santuário” como diz ele).

E o mais espetacular é que lá, pude dar uma volta no seu triciclo: um Carver!!! O sonho dos sonhos dos amantes de triciclos. ( http://www.carver-engineering.com/ )

Como não poderia deixar de ser, tivemos uma longa e interessante discussão, via Skype, com Walter (que está novamente em Chicago).

"Se você quer que seu filho vá bem na escola", nos disse Walter, relatando uma das mensagens do novo livro do professor Medina, "ame sua esposa, pois não existe melhor previsor de boa performance acadêmica do que um lar harmônico".

"O cara tá certo", pondera Fernando. "Cérebros estressados na infância, não só não atingem seu potencial, mas também carregam marcas para sempre. Veja o meu caso. Fiz 60 anos dia 13 de junho, mas todos os pesadelos que tenho, mesmo sonhando coisas atuais, acontecem na casa ou no bairro que eu morava quanto tinha uns 7 anos. Com certeza, meus pais, sem saber, afetaram e continuam afetando minha vida... (positiva e negativamente)”.

Nossa conclusão:

Quem tem dependente é dependente e não tem a liberdade que, infelizmente, acredita que tenha (por falta de maturidade). Responsabilidade pela qualidade de vida de outra pessoa cresce com o desenvolvimento pessoal.

sábado, 25 de julho de 2009

Fome, Filiação e Desenvolvimento


O sol do Maranhão afetou a visão de mundo do Fernando.

Neste final de semana, depois de longa ausência, nos encontramos no nosso bar preferido. O telão estava ligado, o bar cheio de torcedores entusiasmados com o desempenho do Ronaldão, que acabara de fazer seu segundo gol na partida... No meio da gritaria de comemoração, Fernando berra:

"Isto é subdesenvolvimento"!

Ainda bem que ninguém prestou atenção.

"Que é isto Fernando?", pergunto assustado com a eventual reação que poderia ter sido provocada pela mistura 'cerveja e multidão empolgada'.

"Andei pensando e cheguei a conclusão que filiação é o maior indicador do subdesenvolvimento da humanidade".

Olhe para trás: tribos, clãs, feudos... Quantos crimes foram e ainda continuam sendo cometidos por causa da visão limitada por dogmas religiosos e políticos?"

Após uma pausa para esvaziar seu copo, ele continua no mesmo tom:

"Imagine-se daqui a 1.000 anos. Você realmente acredita que encontrará esse fanatismo irracional de seguidores religiosos, políticos e até de torcedores?"

Esse provincianismo, esse bairrismo existe porque o homem ainda não entendeu sua condição privilegiada no universo. Ele não enxerga além do seu cotidiano. Seu mundo mais se parece com uma novela de intrigas da rede Globo...

"O sentimento da necessidade do fim da filiação será o primeiro passo para o desenvolvimento da humanidade".

“Até que isto aconteça muito gol será comemorado com fervor, muita gente irá morrer em nome de sua pátria ou de seu deus”.

"Um brinde ao futuro e ao desenvolvimento dos “afiliados” ao respeito à natureza e amor à vida"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Ghandi, “Pizzaiolos” e Palhaços


A frase de Ghandi diz tudo: “Devemos nos transformar na mudança que queremos ver”.

Nosso esperto presidente e nossos dignos e confiáveis senadores dão a demonstração clara da mudança que querem ver neste país: “Nenhuma”. Afinal de contas quem se lixa para a opinião pública? São tão “volúveis”! Como disse o extremamente crível e imparcial presidente do conselho de ética, senador Paulo Duque.

Cada vez mais me convenço que esta geração, que está no poder, não tem a mínima condição de entender o significado e a extensão da mensagem de Gandhi.

E, pelo jeito que agem, demonstram que a manutenção do “status quo” é o que interessa a eles.

Valores como honestidade, respeito pela vida e pelo direito dos demais se constrói (na família, na Nação, ou em qualquer Instituição) com o exemplo efetivamente praticado pela Liderança (pais, políticos e gestores), a todo instante, haja o que houver!

Como podemos esperar que um filho seja integro se vê diariamente, mesmo em pequenos gestos, o pai não agindo de acordo com sua pregação? Como respeitar um gestor casado que “sai” com sua funcionária? (Se ele trai a esposa e mãe de seus filhos, que garantias temos que não vai trair os funcionários e a empresa?). Como respeitar e aceitar um político que se “lixa” para a opinião pública? Que diz que não tem dinheiro no exterior e o próprio banco diz o contrário? Ou cujo patrimônio cresce assustadoramente, em poucos anos de mandato? Ou aquele que abraça e elogia publicamente o antigo adversário, antes inimigo mortal por ser corrupto?

Fora Sarney e todos os que o apóiam.

Sim! Essa geração de políticos está perdida. Infelizmente, eles são o exemplo da dignidade existente neste país. E nós, o povo, os eleitores, os cidadãos deste Brasil somos apenas “palhaços volúveis” (copiando o linguajar enfático do presidente) que não sabem o que querem e nem sabem demonstrá-lo...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Irresponsabilidade e Fantasia

Fernando me ligou a cobrar de São João do Carú. Estava indignado. Seu celular e sua carteira “sumiram” no segundo dia de jornada. Havia partido de Zé Doca e passaria por Santa Inês, Monção, Penalva e retornaria a Zé Doca. Seriam 16 dias de caminhada pelo Maranhão.

“... O grande culpado é o Sarney. Este homem é o símbolo do político que deve ser banido do Brasil. Um irresponsável, um...” (e outra dezena de adjetivos impublicáveis).

“E nossa carga tributária é praticamente a mesma da Holanda. Muito maior do que a dos Estados Unidos, Bélgica e Suíça... como pode? Estes políticos são incompetentes, safados, ...” e mais 2 minutos de atributos. Afinal, era eu quem estava pagando a conta... (Ligação internacional, via Embratel...)

“Venha caminhar por estas bandas pra você entender o que estou falando. Entender não, “sentir” é a palavra correta”.

Ele tinha razão.

Eu havia escolhido outra jornada. Pieterpad, 237 km de outro mundo, outra realidade. Estava a 3 dias do meu destino, quando ele me ligou para “trocar umas palavras”.

Diferentemente de Fernando, estou cansado da nossa realidade. Cansado da nossa pequenez mental, do nosso subdesenvolvimento, da vileza e incompetência de nossos gestores públicos (e Sarney é a bola da vez). Não quero mais enxergar nada disto. Já vi o bastante, já senti o bastante. Quero agora viver o sonho do que poderíamos ter sido (ou quem sabe seremos um dia, num futuro tão distante que não estarei vivo para ver).

Por isto escolhi caminhar na Holanda de van Gogh, em vez do Maranhão de Sarney.

Partimos de Peterburen com destino a Vorden. Uma trilha bem sinalizada e documentada. Você compra o livro-guia (somente em Holandês) que dá todo o trajeto, as opções de parada, o histórico de cada local, o endereço e telefone das famílias que hospedam os caminhantes em seus lares. Normalmente, casais de idosos, cujos filhos casaram e se mudaram, e seus quartos, agora vazios, se tornam fonte de renda adicional. Tudo legalizado, registrado e tornado público unicamente no livro guia desta trilha. Não se trata de Hostel ou B&D. São casas destinados exclusivamente às pessoas que fazem a Pieterpad.

Fantasia? Para nossa realidade e mentalidade, sim.

Numa cidadezinha chamada Ommen, eu e Marlene ficamos hospedados na residência de um casal super simpático. Nos entregou a chave para abrir (se necessário) a porta da sala que era trancada às 10 horas da noite (quando iam dormir). Antes disto, a porta ficava sempre aberta...

Numa outra casa, o proprietário era um motoqueiro “aposentado”. Sintonia total. Ligou para o filho, que morava a poucos quilometros dali, para trazer sua Harley modificada para eu dar uma volta...

Numa outra casa, ficamos no andar superior, onde havia 2 quartos, um banheiro, e no hall uma geladeira pequena com cerveja, vinho e refrigerante. Ao lado, uma mesinha bem arrumadinha, com vaso de flores, copos, talheres, muffins e chocolates, uma lista de preços e uma caixinha de moedas. Você pegava o que queria, pagava e, se precisasse havia moedas para o troco.

Que jornada! Que trilha maravilhosa! Que exemplo de organização e beleza, mantida pelo cidadão para o bem estar da coletividade.

O verdadeiro desenvolvimento social não é percebido pelo PIB, taxa de desemprego ou escolaridade. Segundo Fernando, o melhor é uma caminhada...

Será que um dia teremos a coragem de entregar as chaves de nossas casas para mochileiros desconhecidos?



sexta-feira, 3 de julho de 2009

Eleições, Vida e Morte


A perspectiva da morte torna insignificante as disputas cotidianas.

A vida, de repente, tem outra dimensão, a escala de valores se altera a tal ponto que conseguimos enxergar nossos problemas com isenção e sentir que, não eram problemas de verdade ou não eram, de forma alguma, graves.

A perspectiva da morte dá a verdadeira noção do significado da vida.

Qualquer candidato a qualquer cargo eletivo, deveria ter a personalidade de um “twice born” de William James, descrita no seu livro “The Varieties of Religious Experience”.

As pessoas “nascidas duas vezes” não tiveram uma vida fácil ou linear. Suas vidas foram marcadas por uma contínua luta para obtenção de um senso de ordem e identidade. Suas visões de mundo são bem diferentes das pessoas “nascidas uma vez”.

Para os “nascidos duas vezes” o senso do eu deriva de um sentimento de profunda separação.

O sentimento de “pertencer” é uma característica das pessoas nascidas uma vez. “Se alguém se sente como membro de instituições, contribuindo para o seu desenvolvimento, então esta pessoa preenche uma missão na vida e sente recompensada por ter um ideal. Esta recompensa transcende ganhos materiais e responde ao mais fundamental desejo de integridade pessoal que é obtido pela identificação com a instituição existente.

Líderes tendem a ser do tipo com personalidade ´nascido duas vezes´, pessoas que se sentem separadas de seus ambientes, incluindo outras pessoas. Eles podem trabalhar em organizações, mas nunca pertencem a ela.

O senso do que eles são não depende de “ser membro, afiliado”, regras de trabalho, ou outro indicador de identidade social.

O que parece surgir desta idéia de separação é alguma base para explicar porque certos indivíduos procuram oportunidades para mudança. A mudança pode ser em qualquer área, mas o objeto é o mesmo: alterar profundamente as relações humanas, econômicas, e políticas.

Líderes adotam uma atitude pessoal e ativa com relação às metas. Eles são ativos em vez de reativos, eles formulam ou moldam idéias em vez de responder a elas. A influência que os líderes exercem na alteração do estado de espírito, evocando imagens e expectativas, e estabelecendo desejos e objetivos específicos determinam a direção que o negócio toma. O resultado desta influência é mudar o modo das pessoas pensarem sobre o que é desejável, possível e necessário”.

Políticos e Reitores não podem ser simples “gestores nascidos uma vez”. Atributos como honestidade e integridade são tão básicos como saber ler e escrever e não os qualificam a se candidatarem a tal posto.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Ghandi estava errado?


Quem faz menos do que pode, está roubando?

Walter está de volta aos States. O trio, filhos de Bias e da cerveja, virou novamente uma dupla.

Fernando pega uma faca com a mão direita e ergue seu copo, quase cheio, com a mão esquerda. Se levanta desajeitadamente arrastando a cadeira de madeira da nossa querida e sempre lotada pizzaria. Diz em voz teatral, batendo insistentemente no copo para chamar atenção: “Proponho um brinde”. Silêncio. Alguns risos de espanto e sua voz ecoa alto: Proponho um brinde ao Brasil. Este país de ladrões!”.

Após a eternidade de 2 segundos de paralisia e silêncio, a pizzaria volta ao normal, o movimento, o tintilar de talheres e a sinfonia de vozes e risos...

“Que foi isto?” Pergunto, puxando Fernando de volta ao seu lugar.

“Um brinde. Ficou claro que Gandhi errou. Quem não faz o que deve, é quem rouba. Então este é um país de ladrões. Acabamos de discutir como temos tantos gerentes, diretores, reitores, assessores e principalmente políticos gastam tempo e energia se articulando, se promovendo, fazendo conluio e intrigas, em vez de construir o diálogo, de escutar, de alinhar as pessoas em torno de um objetivo comum. Liderar é servir. Quanta falta de visão... Nossa visão de mundo determina nossas ações no presente e nosso destino no futuro.”

“Coragem. Brindo com você, porque sei e vivo o que fala. Tim-tim”.

“Lembra do último sábado? ‘Carrego comigo todos os meus bens . Nossos bens são nossos pensamentos, nossas emoções e principalmente, nossos valores que, alias ficam cada vez mais valiosos diante de tanta baixaria, vileza, e insignificância metafísica de nossos gestores’ .

Lembrei do meu avô Caetano: “Perdoe e Esqueça. Eles não sabem o que deveriam saber.”

Para meu próprio espanto e vergonha, agora sou eu quem se levanta e grita:

“Um viva pró avô Caetano”. (Quem disse que umas cervejinhas fazem mal...)

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Líderes mediocres e a chuva

Chove, lá fora (como diria Fernando Pessoa)...

“Ótimo momento para reflexão”, digo a Walter e Fernando (o outro) ao pedir mais uma rodada de cerveja.

“É verdade”, suspira Walter, recém chegado dos States. “Estou de chefe novo. O cara é um texano boa gente, bonachão, gosta de olhar para a b... da mulherada, até parece brasileiro, mas como líder é mediocre. Prega gestão participativa, mas não tem noção do que fala. Não está percebendo o dano que vem causando no moral dos funcionários. Tentei conversar com ele o que eu entendia por gestão participativa. Indiquei a leitura de “A Stake in the Outcome”, “Leadership is an Art”, “Content Cow Gives Better Milk”. Vocês sabem, nosso be-a-bá… “

Após uma pequena pausa para molhar a garganta, continua o desabafo: “Falei sobre a importancia de todos os funcionários conhecerem os resultados financeiros da empresa, do “Glass Wall Management”, da implantação do “Business Balanced Scorecard”, cheguei a sugerir uma visita a Google e a Harley que fica a menos de 100Km de nossa empresa... Sabe o que ele fez? Me interrompeu dizendo que iria pensar no assunto e eu deveria sair, pois ele tinha uma reunião em 5 minutos.

No dia seguinte fui chamado no RH para falar com o gerente, um advogado que entende tudo de leis, mas nada de gestão. Ele LEU para mim, repito LEU 3 folhas de recomendações e disse que estava preocupado com ‘minha segurança’ “.

“O que você respondeu?”, fui logo perguntando, pois sabia do estilo pavio curto do meu amigo.

“Eu pensei na sua famosa frase: ‘Coragem, colega’ e escutei cabisbaixo, como se tivessem me intimidado. Eles gostam disto, de sentirem-se superiores... Vi que não valia a pena qualquer resposta, eles não tinham condições de entender... Quero continuar em Chicago. Esta gestão não vai durar muito... Vou ficar na minha... Antecipei minhas férias e, cá estou!”

Rimos e brindamos a isto como 3 adolecentes despreocupados e admiradores que somos de Bias, o filósofo: “Carrego comigo todos os meus bens!”

“Abaixo a mediocridade, com chuva ou sem chuva!”.

“Garçon, por favor, mais rodada...”

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Números não refletem a realidade


...228 mortos no acidente do vôo AF 447...

...confrontos entre indígenas e o Exército no Peru podem ter deixado mais de 50 mortos...

...44 crianças mortas, todas com menos de quatro anos, no incêndio da creche na cidade de Hermosillo, México...

Os números estão nos tornando cada vez mais insensíveis.

228, 50, 44... O que representam?

Quando vemos a foto e conhecemos a história e os sonhos de uma única pessoa destas listas, percebemos como as estatísticas da violência urbana, das guerras e das catástrofes nos passam despercebidas.

Estes números viraram tão rotineiros que perderam o significado.

“A expectativa é que 500 mil pessoas deixem o Vale do Swat em decorrência dos conflitos entre o exército paquistanês e talibãs...”.

500.000 pessoas, 500.000 sorrisos...

Nada disso importa.

“O universo gira em torno de mim. Eu sou minha prioridade. Eu sou o centro de minhas preocupações. Se eu não sentir, não é importante...”

Autoconsciência? Consciência social? Vontade independente?

Que importa?

Somos todos "humanos com o lóbulo frontal desenvolvido" e filhos de deus... 
Será?

sábado, 30 de maio de 2009

Somos responsáveis pelas organizações que pertencemos


Neste final de semana me encontrei com Fernando. Ele gosta de falar e eu sei ouvir...

O papo girou em torno do porque algumas organizações são consideradas excelentes, enquanto outras são consideradas péssimas. Nas de primeira classe há comprometimento, proatividade e excelência, nas de segunda há indiferença, politicagem e mediocridade.

Fernando trabalha numa Instituição que classifica como “de excelente potencial, mas de péssimo desempenho”.  Até parece que ele estava falando do Brasil...

Depois de muitas idas e vindas (do garçom) chegamos a duas conclusões óbvias (mas, ignoradas pela maioria das pessoas):

1-      O maior responsável pela “Qualidade” de qualquer Instituição “são” seus participantes. Boas instituições são construções de seus participantes. Nenhuma organização é o que é, por acaso. Ela é fruto do trabalho intencional e consciente de seus membros! Isto vale para empresas, instituições de ensino e até países. Um bom exemplo é a Holanda: “Deus criou o mundo, nós (holandeses), a Holanda”.  Outro “bom” exemplo é nosso Senado...  A Holanda é um exemplo de ordem, beleza e limpeza, enquanto nosso Senado...

2-      O segundo maior responsável pela “Qualidade” de qualquer organização é a Liderança. O papel da liderança é alinhar, motivar e inspirar os participantes destas organizações. Seu trabalho é gerar mudanças (de melhoria). Sem uma liderança visionária a instituição percorre a trilha de mediocridade, da complacência e do individualismo destrutivo.

Enquanto nós, como membros, eleitores e cidadãos não nos conscientizarmos que vivemos e trabalhamos na organização, na cidade ou no país pelo qual somos responsáveis pela construção, nada vai melhorar. Enquanto continuarmos a colocar a culpa nos dirigentes que elegemos, nos chefes que toleramos e nos colegas que suportamos nada vai mudar.

Enquanto, as pessoas conscientes, éticas e portadoras de valores morais adequados continuarem se afastando das atividades de gestão, nosso país e nossas instituições continuarão a abrigar oportunistas e inescrupulosos.

Como diz Fernando: “Mudar é Preciso!”

terça-feira, 12 de maio de 2009


Eram 8 horas da noite em Whalley, uma cidadezinha inglesa próxima a Manchester, quando uma turma de adolescentes começou a chegar para comemorar o aniversário de Peter, o filho mais novo de meu amigo J.P. Cornell.

Fiquei pouco tempo, primeiro porque não havia sido convidado, e segundo porque estava de passagem por aquelas bandas e só havia parado para rever  um antigo colega de trabalho. Mas, fiquei o suficiente para presenciar um fato incrível e digno de nota.

Cada jovem que entrava, pegava um copo descartável (para tomar cerveja) e, antes de qualquer coisa, anotava seu nome no copo com uma caneta de ponta porosa!

Não acreditei no que vi. Perguntei pro Cornell, o que estava  acontecendo, e ele me respondeu como se fosse a coisa mais natural do mundo.  “Sinal dos novos tempos: muita cerveja, muito sexo e poluição mínima...”.

Será que está surgindo uma nova geração preocupada com o meio ambiente?

O que aconteceu em Whalley é o prenúncio de que MUDAR é possível!

Em várias escolas e instituições públicas da Europa existem cartazes com os dizeres: “MUDE. Você controla o clima. Reduza. Desligue. Recicle. Ande a pé.” 

O Parlamento Europeu elegeu as mudanças climáticas como prioridade e está investindo pesado na eduação ambiental  da nova geração.

Quanto tempo levará para chegar até nós?  Não sei, mas um dia a vida e o meio ambiente serão respeitados e cultuados neste país.

Nosso maior obstáculo é a mentalidade dos atuais políticos que estão se lixando para a opinião pública e dando exemplos deploráveis aos nossos futuros líderes de como maximizar o benefício pessoal se utilizando do sistema público.

Para mudar a situação temos que acrescentar “uma coisinha” no slogan adotado pelo meu amigo inglês: “Reduza. Desligue. Recicle. Ande a pé. Tome cerveja. Faça sexo.  MUDE . NÃO REELEJA NINGUÉM!”

terça-feira, 21 de abril de 2009

Nossos congressistas roubam e acham que têm direito...


Se fizermos o cálculo da “pegada ecológica” (vide: www.footprintnetwork.org/) de nossos congressistas veremos que, não só pelo episódio vergonhoso e indecente das passagens aéreas, pela generosa verba de auxílio moradia, pelo absurdo dos gastos tolerados com transporte, hospedagem e alimentação, eles estão roubando o direito de futuras gerações existirem.

Se todas as pessoas do nosso planeta Terra tivessem o padrão de consumo dos nossos congressistas, precisaríamos de 8,4 planetas Terras para sustentar este padrão!!!

Nós não precisamos de líderes irresponsáveis que legislam em causa própria.

Nós não precisamos de líderes que mostram continuamente para a população que a ética não faz parte de suas ações dentro e fora do congresso.

Nós não precisamos que líderes que não entendem que estão onde estão para SERVIREM o povo, e não para se servirem dele.

Nós não precisamos de líderes que perderam a capacidade de se indignarem com as mazelas de seus colegas.

A violência no Brasil tem como causa principal  o mau exemplo dado pelos seus líderes ao povo.   Quando olhamos para a África e analisamos os países mais pobres do mundo fica fácil entender como a falta de ética, a corrupção e o despreparo da liderança mantêm a miséria, a violência, a baixa qualidade de vida.

POLÍTICOS ACORDEM! TÁ NA HORA DE CRIAR VERGONHA... Essa mordomia com o dinheiro dos outros não vai durar para sempre!