segunda-feira, 31 de maio de 2010

O câncer, o relógio e a bússola

A notícia foi bombástica: minha amiga, L, está com câncer no estômago e se prepara para a 2a sessão de quimio no Sírio...

A informação, no primeiro momento, me causou uma profunda tristeza. Pensei no sofrimento que ela, o marido e o filho de 8 anos estão vivenciando. O tratamento é longo, doloroso e introspectivo. Felizmente, L é uma lutadora, tem muita força de vontade e não se deixa abater por qualquer coisa. Nesta situação, a vontade de vencer e de superar o problema são os outros 50% da cura. Motivos para lutar não faltam para L ... Como diria, Frankl, "quem tem um porquê, enfrenta qualquer como".

Depois, do primeiro choque, egoisticamente pensei em mim. Estou sendo guiado pelo relógio, cumprindo obrigações e deixando novamente a rotina ditar meus passos? Vou acordar um dia, mais enrugado ou doente e descobrir que deixei de fazer o que realmente poderia ter feito? Estou me desviando do meu norte verdadeiro?

Há alguns anos tomei consciência que a alegria está na jornada: Não existe ponto de chegada! Como disse Covey, a Bússola, e não o Relógio, deve direcionar nosso caminho. Sou grato por poder ter feito esta opção para definir minhas prioridades. Minha bagagem pessoal ficou mais leve, me livrei da ilusão do poder, de sentimentos menores e da insônia... porém, a inesperada situação de L me despertou para uma realidade que tenho medo de enfrentar neste trecho da jornada... a consciência do privilégio que é estar aqui e perceber a preciosidade que é poder sentir prazer em ver o azul do céu, a consciência do privilégio que é ter a capacidade de se emocionar até as lágrimas com Mozart, de poder andar de triciclo, sem compromisso, numa manhã de sol com quem se ama, me tornaram ainda mais apegado ao caminho... sei que vale a pena lutar. Por isto, L, estou torcendo por você.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Galápagos, Pinguins e o Futuro

Depois de meses sem notícias, acabo de receber um postal do Walter. Estava conhecendo as Ilhas Galápagos para pagar uma das promessas que fizera a seu pai.

Walter-pai há 40 anos viveu em Isabela por quase 2 anos. Contava histórias impressionantes de como era viver no paraíso. Dizia que encontrara um santuário da mais pura beleza natural. Galápagos representava, segundo ele, "a expressão do maior de todos os milagres: a vida... Foi lá que entendi o significado de harmonia e equilíbrio... Foi lá que senti como somos privilegiados por estarmos aqui e podermos ver, pensar, sentir e tentar compreender a complexa maravilha que nos abriga... Filho, me prometa que um dia você irá lá..."

"Luiz, antes não tivesse vindo. Minhas expectativas eram muito altas por causa do velho. O que ele viu está sendo destruído. Há 40 anos existiam menos de 4 mil habitantes espalhados pelas ilhas e apenas 2 veículos. Hoje são mais de 40 mil habitantes e muitos turistas... Meu pai me disse que existiam mais de 2.000 pinguins contabilizados, hoje menos de 500... A população da Terra mais que dobrou nestes últimos 40 anos... O aumento do consumo, a poluição e o desrespeito ao equilíbrio vão acabar com muitos sonhos... ".

Fiquei triste com o relato do Walter, mas é tarde demais para ser pessimista. Precisamos agir. Cada um no seu círculo de controle e de influência... o que temos está aqui, o que perdemos não volta mais...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Minha vida era uma roda viva

Fernando está 10kg mais magro, bronzeado, barbudo e feliz... "O tempo em São João do Carú passa lentamente. Até consigo admirar o azul do céu ... Finalmente tenho controle de minha vida. Nada de chefes, telefonemas, bolsa de valores... Descobri o significado do 'aqui e agora' e do 'no stress´".

Covey disse que as 4 necessidades humanas são: Viver, Amar, Aprender e Deixar um legado. Acredito que Fernando está em busca da satisfação da 4a necessidade.

Citou Bernard Shaw para justificar sua reclusão no interior do Maranhão: "Só quero morrer depois de ter dado o máximo de mim. Quanto mais me empenhar, mais viverei. O que me dá prazer na vida é a própria vida. A vida não é uma vela efêmera. É uma espécie de tocha suntuosa que herdei para conduzi-la e quero mantê-la o mais radiante possível..."

Este é o Fernando que sempre conheci. Sinto saudades suas meu amigo. Foram dois minutos de conversa que encheram meu dia de alegria.

Ah, se todas as velas brilhassem...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O Chapéu dos Inconsequentes


Meu avó Caetano costumava dizer: "Fazer cortesia com o chapéu dos outros é fácil."

A expressão caiu em desuso. Só a expressão. A prática continua mais atual do que nunca. Exemplos:

· Doação de dinheiro público para recompensar jogadores campeões mundiais de futebol...

· Investimento subsidiado por trabalhadores brasileiros para financiar a melhoria da qualidade vida em países amigos...

Esta "cortesia" também é visível na iniciativa privada. O grande destaque foi Wall Street em 2008... A prática de mordomias e bônus milionário para gerentes e diretores que atingiram suas metas não tem nada de "ganha-ganha" e precisa ser abolida.

São encontrados 2 tipos de gestores altamente perniciosos ao desenvolvimento da humanidade: Os que se servem do sistema e os inconseqüentes. O primeiro grupo sabe o que faz e o porquê. O segundo, normalmente bem intencionado, não consegue avaliar o risco da conseqüência de seus atos no futuro.

Vejamos o caso Ahmadinejad x Lula na questão nuclear do Irã.

Lula está certíssimo. O caminho é o diálogo, porém Ahmadinejad está bem intencionado?

Lula tem cacife para assumir alguma responsabilidade por eventuais decisões que seu colega possa tomar no futuro? Dá para confiar num líder que nega o holocausto? Dá para acreditar que um país de cultura tão subdesenvolvida onde mulheres são tratadas como seres inferiores esteja preparado para possuir a tecnologia nuclear sem restrições?

Lula, fazer cortesia com o chapéu dos outros é fácil.

O Irã, como outros países em desenvolvimento devem ter acesso irrestrito a tecnologias alternativas. Mas, primeiro precisam mostrar credibilidade e pratica de valores que respeitem a dignidade humana, a diversidade e o meio ambiente.

A humanidade está na sua adolescência. Estamos aprendendo que recursos são limitados e que, não podemos dizer o mesmo da nossa ignorância e arrogância... tanto os gestores inescrupulosos, como os inconsequentes são adolescentes no poder... estão aprendendo...

Nós cresceremos como pessoas e como gestores. O amadurecimento é inevitável! Entretanto, o preço a pagar é alto e a conta virá com juros... Sempre vem...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Meu avô e o pedaço de pão.


Hoje faz 40 anos que meu avô Caetano morreu.

Era um grande homem. Autodidata, apaixonado por Fernando Pessoa, o primeiro ateu que conheci... Marcou minha vida pela sua sabedoria e pela sua opção de vida simples. Foi com ele que aprendi o significado da expressão: "Carrego comigo todos os meus bens!".

Lembro-me de como eu gostava de passar férias em Americana no seu sítio. Ele me levava para longas caminhadas... Deitados sob os pés de mexerica, ele contava histórias de sua infância, enquanto eu admirava as nuvens brancas se movimentando sobre o azul do céu... Quem tem tempo para isto, hoje?

Nestes passeios aprendi a gostar de caminhar e aprendi a admirar os detalhes das trilhas... Com sua presença, coisas simples tornavam-se interessantes: uma pedra, uma flor, um bicho morto, uma simples taturana... Tudo para ele tinha significado...

A noite, deitados na rede, olhávamos para o céu e admirávamos as estrelas. Suas estórias me faziam viajar pela possibilidade da existência de vida inteligente em algum lugar daquela imensidão do espaço... Nunca as estrelas foram tão brilhantes...

Ele dava pouca importância para o que chamava "pequenez dos sentimentos inferiores das pessoas". "Luiz" , ele me dizia, "quer ser feliz, aprenda a não ter inveja, nem odiar ninguém... Tudo é passageiro."

Ele me contou uma história, que contei um dia para meu filho e espero que ele conte para os filhos dele:

Certa vez, no exercito, viajando há horas, meu avô estava cansado e faminto. Faltavam ainda muitas horas para chegar ao seu destino. Foi então que cruzou com um velho que lhe deu um pequeno embrulho. Aqui, meu filho, disse o velho, tem um pedaço de pão muito bem embrulhado. Este é seu tesouro. Não abra e não o coma agora. Agüente firme. Só quando achar que realmente não vai agüentar mais, em último caso, só ai, você pode abrir. Lembre-se esta é sua salvação. Quando sentir fome, ponha a mão no bolso e sinta que você têm um pedaço de pão. Fale prá você: "Vou agüentar mais um pouco". Tente chegar ao seu destino com ele e passe-o para outra pessoa. Tem quem precise dele mais que você.

E assim, meu avô diz que fez. Viajou por horas e horas com fome. Colocou a mão no bolso inúmeras vezes e resitiu a tentação. Toda vez escutava o velho dizendo... "só abra quando não estiver agüentando mais".

Chegou ao seu destino. Graças ao"seu tesouro" teve força para continuar. A grande surpresa veio quando descobriu que dentro do pacote tinha só um pedaço de madeira...

"Luiz, todos precisamos de um pedaço de pão no bolso para agüentar a caminhada quando ela ficar difícil... Tenho certeza, você consquistará o seu."

Meu querido, avô. Obrigado.

sábado, 1 de maio de 2010

1º de Maio: Gestores uni-vos!

O papel do gestor é muito mais importante do que imaginamos.

O gestor é o principal responsável pelo clima organizacional!

Está comprovado que quando o clima organizacional é positivo, quando as pessoas estão mais felizes e ajustadas ao seu trabalho, quando existe o espírito de equipe a organização (pública ou privada) é mais efetiva.

Efetividade significa melhores resultados e melhores serviços.

A consequência da efetividade das organizações é a melhoria da qualidade de vida das pessoas e da comunidade onde estas organizações estão situadas.


O FOCO DO TRABALHO DO GESTOR É A EFETIVIDADE ORGANIZACIONAL.

O MEIO É A GESTÃO QUE LEVE A UM AMBIENTE SAUDÁVEL, A COLABORADORES FELIZES, INTEGRADOS E PARTICIPATIVOS.

A CONSEQUÊNCIA É A MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA.

Todos os gestores sabem que seu papel é buscar a efetividade organizacional, é obter resultado positivo.

Infelizmente, poucos entenderam qual o caminho para se chegar lá.

Por esta razão encontramos tantas organizações apresentam resultados medíocres (se comparados com seu potencial).

O papel do gestor não é só planejar, organizar e controlar.

O papel do gestor é, principalmente, alinhar, motivar e inspirar seus colaboradores para a construção de uma organização em que todos sejam vencedores. Cada um tem que sentir que esta ganhando. Não dá para um ganhar em detrimento de outro.

A longo prazo todos perdem...

A visão tacanha, mesquinha e partidária que encontramos na política é o maior sinal do nosso subdesenvolvimento. Enquanto o compromisso for maior com o partido (ou consigo mesmo) do que com o cidadão estaremos patinando e crescendo bem abaixo do nosso potencial. CONTINUAREMOS A SER O PAÍS DO FUTURO.

A visão obsoleta de que o papel do gestor é aumentar o capital do acionista (custe a quem custar) só conduz ao enriquecimento (ilusório) de uma minoria. A qualidade de vida, o meio ambiente, os clientes e o crescimento da própria empresa continuarão a ser vítimas da ignorância gerencial.

Gestores uni-vos!

Já está na hora de todos entenderem que nossa visão de mundo determina como agimos.

Não dá para ganhar se clientes, funcionários, fornecedores, acionistas e a comunidade também não ganharem com nossa atividade.

O mundo não suportará tanta incompetência por muito tempo mais.

Primeiro de Maio, dia de reflexão, não só para os trabalhadores...